Infidelidade: somos infiéis por natureza?

· julho 18, 2016

A natureza não entende de animais fiéis ou de infidelidade, mas da perpetuação de uma espécie através de um maior número de combinações de DNA possíveis e bem-sucedidas.

O que acontece então com o ser humano que decidiu há milênios sacrificar a diversidade sexual e a possibilidade de ter vários parceiros para se dedicar a um relacionamento monogâmico? A resposta não tem complexidade alguma e o bom senso nos faz entender o porquê do casamento, da formação da família e definitivamente, o porquê da monogamia.

Não sou infiel por interesse

A infidelidade é um mecanismo comumente associado com a biologia e, ao contrário do que se pensa, não somente com a biologia masculina. Tanto os homens quanto as mulheres são programados para procriar, mas também para desfrutar suas relações sexuais. Por isso, ambos foram dotados de centros de prazer; por um lado para que os relacionamentos tenham uma recompensa imediata, por outro lado, para que a experiência se repita, porque é um meio natural de bem-estar e liberação de endorfinas, que são os hormônios da felicidade.

No entanto, a criação de sociedades mais complexas trouxe uma mudança revolucionária, derivada dos muitos problemas decorrentes da poligamia, como o ciúme (intimamente ligado ao sentimento de posse do homem com relação à mulher), rivalidades e vários problemas entre os clãs. Além disso, havia a insegurança vivida por uma sociedade em que as relações eram formadas naturalmente, sem nenhum compromisso que ligasse as pessoas de forma legítima.

Tudo isso mudou muito ao longo dos anos, mas o papel da família e os laços de uma união fiel através do casamento prevalecem até hoje.

Infidelidade e atração física

Não é nenhum segredo que o sexo é um assunto controverso para muitas pessoas. Em pleno século XXI, certos termos como poligamia e poliamor não são muito discutidos. Os chamados de poliamorosos se vangloriam de compartilhar muitos relacionamentos emocionais e eróticos sem muitas complicações.

Isto continua sendo uma tendência minoritária e esses relacionamentos são apenas no plano físico. Na verdade, a pessoa pode não se considerar infiel ao seu parceiro mesmo tendo um relacionamento durante décadas com outra pessoa, porque o mesmo não envolve sentimento, somente desejo.

É possível que o nosso legado sociocultural tenha sido gravado a fogo na mente coletiva com a natureza diabólica da poligamia, poliandria e poliamor, e que os responsáveis pela atual repulsa à natureza humana sejam os membros da sociedade que viam no amor livre a destruição do núcleo familiar? Este mesmo núcleo familiar pelo qual os homens toleram longas jornadas de trabalho em regime de escravidão, e as mulheres dedicam décadas da sua vida para a criação dos filhos e a submissão aos seus maridos?

Vale a pena pensar sobre isso.