A inteligência da vida

· maio 5, 2015

Se formos a qualquer livraria, encontraremos facilmente livros de autoajuda e, se olharmos para as prateleiras, perceberemos de imediato que eles estão na moda. A maioria é muito crítica com os valores modernos de consumo sob os quais muitos de nós foram educados: estude muito para conseguir um bom emprego, para ganhar muito dinheiro, para poder viver bem, para comprar a casa que você quer. Até para pagar o seu funeral, que está cada vez mais caro.

Diante disso, a maioria dos livros de autoajuda nos lembra de uma realidade: o tempo não para, e se não nos mexermos, a vida irá passar sem que percebamos. Pelo contrário, a revolução que nos convida exalta o momento em que vivemos como algo tão valioso. De alguma forma, é como voltar ao Carpe Diem medieval, ainda que com ressalvas.

Naquela época, exaltava-se o presente pois não havia uma grande esperança no futuro. Havia que aproveitá-lo porque, no segundo seguinte, o inimigo poderia aparecer na floresta e matá-lo antes de que você se desse conta, ou você poderia irritar o rei e terminar no mesmo destino. Além disso, a religião ocidental considerava esta vida como um vale de lágrimas antes de salvação.

Agora é diferente, apesar de vivermos muitos mais anos e a mortalidade ser muito menor; o que nos dá medo é a própria velocidade do tempo, rápida demais para todos os sonhos que gostaríamos de alcançar. E é muito rápida porque, para a maioria desses sonhos, precisamos exatamente disso: tempo. Ou da sua tradução monetária, o dinheiro.

Temos que trabalhar duro e viver por um presente que se paga precisamente com o que nos dá medo de gastar, o tempo. Saber avaliar quanto vale um sonho, o que ganharemos de bom ao alcançá-lo e, portanto, que espaço da nossa vida devemos investir nele, requer uma inteligência que tem pouco a ver com a de resolver problemas matemáticos, saber a figura que completa uma série, o objeto que não acrescenta nada em uma cena ou o significado de uma palavra. Tem a ver com o que nos é particular e íntimo.

Usando a inteligência da vida

Conseguir algo ou chegar a um determinado lugar pode ser incrível, mas também pode exigir que aceitemos um emprego que nos amargue todos os dias. Este tipo de sonho é geralmente muito caro, e se desistirmos na metade do caminho, ninguém vai nos devolver o que andamos. Por isso, usando a inteligência que no título batizei como da vida, geralmente é muito mais produtivo, em valores de felicidade, escolher aquele sonho ou desejo que exija um caminho agradável ou, pelo menos, mais curto.

Finalmente, é importante ressaltar que, apesar do gosto que pode deixar o que foi exposto até agora, a felicidade não é algo racional; não é compreendida ou vivida fora dos sentimentos ou da magia. No entanto, você pode usar a razão para decidir: que objetivos merecem o nosso tempo, por quais caminhos não encontraremos a felicidade e onde ela nos esperará com maior intensidade. No final, há poucas sensações comparáveis à plenitude de saber que envelhecemos tendo aproveitado o nosso tempo: seja presente ou futuro.

Foto cedida por Petar Paunchev