A intervenção psicossocial na saúde mental

setembro 8, 2019
Apesar da crescente normalização das doenças mentais, a intervenção psicossocial nesse campo continua sendo uma grande incógnita. Hoje, queremos falar sobre os seus principais objetivos e possibilidades.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de afecções ou doenças”. Para alcançar ou preservar esse estado, é possível usar diferentes estratégias enquadradas em diferentes campos. Um desses espaços de conhecimento e aplicação é a intervenção psicossocial.

Antes de nos aprofundarmos, precisamos entender o que é a intervenção psicossocial. Segundo Alvis (2009), a intervenção psicossocial é um processo que visa aumentar a capacidade de desenvolvimento do ser humano, da família e da comunidade.

Ela permite que os indivíduos exerçam controle e poder sobre o seu ambiente individual e social.

Portanto, aumenta o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, treinando e fornecendo ao indivíduo as ferramentas que lhe permitem enfrentar e solucionar problemas, e obter mudanças no ambiente social.

“O estado da sua vida nada mais é do que um reflexo do estado da sua mente”.
– Wayne Dyer –

Homem de olhos fechados

O que entendemos por saúde mental?

Conforme citado em Oramas, Santana e Vergara (2013), a saúde mental consiste na aprendizagem da realidade para transformá-la através do confronto, gestão e integração da resolução de conflitos, tanto internos do indivíduo quanto entre ele e o seu ambiente.

Por isso, quando esse aprendizado é perturbado ou falha na tentativa de sua resolução, podemos começar a falar sobre doenças.

Outros autores, como Riviere, na mesma linha, dizem que “a saúde mental é concebida como a capacidade de manter relações dialéticas e transformadoras com o mundo, que permitem resolver as contradições internas do indivíduo e as do indivíduo com o contexto social” (citado em Oramas, Santana e Vergara. 2013).

Segundo a OMS, a saúde mental é definida como “um estado de bem-estar no qual o indivíduo está ciente de suas próprias habilidades, pode enfrentar as tensões normais da vida, pode trabalhar de maneira produtiva e é capaz de dar uma contribuição para a sua comunidade”.

Embora a capacidade das próprias pessoas de lidar com os conflitos do dia a dia e de transformar a sua realidade seja importante, há outros fatores que são decisivos para a saúde mental:

  • O contexto social: situações de pobreza, abuso, pertencer a grupos minoritários…
  • Antecedentes familiares.
  • Comorbidade com outras doenças crônicas.

No entanto, a aquisição de hábitos saudáveis e a prevenção são essenciais para prevenir doenças mentais. A doença mental é uma alteração do tipo emocional, cognitivo e/ou comportamental em que os processos psicológicos básicos são afetados.

Alguns desses processos básicos são a emoção, a motivação, a cognição, a consciência, o comportamento… Portanto, dificulta a adaptação da pessoa ao ambiente cultural e social em que vive e cria algum tipo de desconforto subjetivo.

Intervenção psicossocial na saúde mental

Embora a doença mental ainda seja um assunto tabu em alguns setores, a normalização predomina com base em uma ideia compartilhada: qualquer um de nós é suscetível ao desenvolvimento de uma doença mental.

Por isso, não podemos esquecer que, como diz a OMS, uma em cada quatro pessoas sofre de um transtorno mental ao longo da vida.

Alguns tipos de doença mental são:

A intervenção psicossocial é realizada através de dois contextos inter-relacionados: a psicologia e o social. Portanto, começa com o indivíduo levando em consideração todo o ambiente social que o cerca e com o qual ele interage.

Ao intervir, deve-se ter em mente que o papel dos profissionais de atenção primária é fundamental. Além disso, este serviço é o mais próximo e acessível a qualquer pessoa. A partir daí, o profissional de referência avaliará e encaminhará o indivíduo.

É verdade que a ação coordenada dos diferentes profissionais é essencial para alcançar os objetivos. Embora o tratamento farmacológico possa ser importante, sempre prescrito por um profissional, devemos considerar que a intervenção psicossocial também tem um papel relevante.

Terapia em grupo

Conforme indicado no Guia de Boas Práticas em Intervenção de Pessoas com Doença Mental (2016), essa intervenção deve incluir apoio social, monitoramento, acompanhamento e reabilitação social. O principal objetivo de sua prática é contribuir para a autonomia da pessoa com a doença mental.

Além disso, a atenção dada para as pessoas deve ser individualizada e personalizada. Temos que considerar:

  • As necessidades do indivíduo.
  • O suporte e as necessidades da família ou do ambiente mais próximo.

A intervenção psicossocial em pessoas com doença mental inclui, entre outros:

  • Atividades relacionadas à moradia: supervisão, busca de apoio…
  • Atividades da vida diária.
  • Apoio às atividades instrumentais da vida cotidiana.
  • Supervisão e treinamento para administração de medicamentos.
  • Treinamento para organização e gerenciamento de tempo.
  • Treinamento para a vida social e familiar.
  • Assessoria sociojurídica.

Embora as conquistas nesta área sejam muito significativas, ainda falta muito para podermos falar de uma sociedade abrangente, tolerante e inclusiva em relação à doença/transtorno mental.

Por esse e outros motivos, é importante “incentivar” as pessoas que talvez precisem da ajuda de um grupo de profissionais, para que elas saibam tudo que uma boa intervenção psicossocial pode proporcionar.

  • Alvis. A. (2009). Aproximación teórica a la intervención psicosocial. Poiésis, 9(17).
  • Bernal, P., Diana, J. J., Carroza, E., Fábregas, D., Fernández, C., González, C., Jímenez, A., Jurado, P., López, P., Luque, S., Pareja, N., Rosa, J.J., Ruíz, F., Sánchez, N., Torres, A. y Torres, S. (2016). Guía de Buenas prácticas en intervención por personas con enfermedad mental. Feades Andalucia Salud Mental.
  • Hernández, B. (2013). El Trabajo Social en la intervención psicosocial con personas con trastorno mental severo: una reflexión sobre el papel de las familias. Documentos de trabajo social: Revista de trabajo y acción social, (52), 314-325.
  • López, M., & Laviana, M. (2007). Rehabilitación, apoyo social y atención comunitaria a personas con trastorno mental grave: propuestas desde Andalucía. Revista de la Asociación Española de Neuropsiquiatría27(1), 187-223.
  • Oramas, A., Santana, S, & Vergara, A. (2013). El bienestar psicológico, un indicador positivo de la salud mental.