A intimidação intelectual: uma necessidade de pessoas inseguras

· fevereiro 8, 2018

Quando pensamos em situações de assédio, geralmente as associamos a todos os tipos de agressões físicas e verbais, inclusive através de mídia digital; especialmente se esse assédio ocorre no ambiente escolar. No entanto, também há outras formas mais sutis de assediar os outros, por exemplo, através da humilhação e do sarcasmo. Este tipo de assédio é conhecido como intimidação intelectual.

A intimidação intelectual recebeu muito menos atenção e reconhecimento do que outras formas de bullying que são mais conhecidas, mas nem por isso deixa de ser importante. Na verdade, essa forma de violência psicológica não só tem consequências na vida adulta, mas acaba sendo muito dolorosa para aqueles que a sofrem desde a infância.

Hierarquia intelectual e bullying

A hierarquia intelectual é uma maneira de classificar as pessoas de acordo com sua educação e qualificações escolares que quase todos nós aprendemos e praticamos desde crianças. No topo da hierarquia estão aqueles que têm um nível mais alto de educação, formação e qualificações, enquanto na parte inferior estão aqueles que receberam pouca formação e têm qualificações muito baixas. O problema surge quando as pessoas que ocupam o topo desta hierarquia menosprezam de forma injustificada aqueles que ocupam posições mais baixas.

Menino triste chorando

Esta “superioridade intelectual” que alguns demonstram e usam para desacreditar os outros é um tipo de assédio moral conhecido como intimidação intelectual. Uma atitude que não deve ser negligenciada devido ao grande dano e ao sofrimento que gera. Na verdade, o assédio intelectual não é diferente do assédio físico. Ambos podem afetar a autoestima da vítima de forma devastadora.

Nesse sentido, sabe-se que a humilhação, em qualquer uma das suas formas, inclusive intelectual, ativa as áreas do cérebro relacionadas à dor e também desencadeia uma resposta mais intensa e duradoura do que a alegria e muito mais negativa do que a raiva.

Humilhar o outro é um dos comportamentos mais cruéis que existem. Vejamos abaixo os tipos de pessoas que são capazes de realizar esses comportamentos.

O assediador intelectual

O assediador intelectual é geralmente uma pessoa mais inteligente do que a média, e por este simples fato, se considera superior aos outros. Esta maneira de pensar o leva a tratar as pessoas através da humilhação, do desprezo e do sarcasmo para confirmar de alguma forma sua superioridade. Um comportamento que realmente delata sua grande insegurança.

Outra característica do assediador intelectual é a sua condescendência. A insegurança que o governa está mascarada por grandes palavras e frases arrogantes ​​para confirmar de outra maneira sua inteligência e superioridade. É por isso que ele usa palavras muito técnicas, rebuscadas e chamativas para fazer os outros se sentirem imbecis e inferiores.

Parece terrível, mas não são pessoas com essas características veneradas na mídia? Não batem recordes de audiência os programas em que esse tipo de atitude é o que se espera ver?

De certa forma, os agressores que usam a violência física têm maiores probabilidades de aprender a lição, uma vez que a sociedade recompensa outras qualidades nas pessoas ao longo do tempo. No entanto, os agressores intelectuais estão melhor posicionados para ganhar status na sociedade como resultado de sua inteligência, já que, às vezes, essa “superioridade intelectual” é recompensada. Esta situação faz com que eles continuem a demonstrar sua inteligência de maneiras superiores sem serem questionados sobre sua atitude perseguidora e humilhante.

“Se você é neutro em situações de injustiça, você escolheu o lado do opressor. Se um elefante tem o pé na cauda do rato, e você diz que é neutro, o rato não irá apreciar a sua neutralidade”.
-Desmond Tutu-

Consequências da intimidação intelectual

A intimidação intelectual tem um efeito devastador a longo prazo. Estudar em um ambiente competitivo no qual se valoriza a “superioridade intelectual” causa um profundo e eterno trauma emocional e psicológico.

As pessoas que são vítimas deste tipo de assédio muitas vezes sofrem sérios danos à sua autoestima. Também tendem a perder confiança em si mesmos, param de ter iniciativa e se desmoralizam. Sem esquecer que esse tipo de intimidação é a causa de uma alta porcentagem de suicídios adolescentes.

No entanto, a intimidação intelectual também deixa sequelas no assediador. A longo prazo, o assediador intelectual acaba sendo vítima de seu próprio jogo. Por um lado, em seu ambiente, as pessoas acabam descobrindo seu grau de crueldade e toxicidade e optam por se afastar. Por outro, essa insegurança que o leva a humilhar os outros o impedirá de se desenvolver completamente e aproveitar o máximo do potencial que tem.

“As pessoas que amam a si mesmas não machucam outras pessoas. Quanto mais nos odiamos, mais queremos que os outros sofram. ”
– Dan Pearce –

Crianças fazendo bullying com menino

Educar também é ensinar compaixão e humildade

A intimidação, em geral, é decorrente da falta de compaixão. Quando os agressores machucam sua vítima, eles fazem isso conscientemente. Mas se eles realmente se importassem com os sentimentos da pessoa, não a teriam assediado. Então, uma das soluções possíveis para corrigir os fenômenos da hierarquia intelectual é a necessidade de compaixão, além da empatia.

Em vez de tentar se encaixar em uma hierarquia intelectual, deveríamos usar nosso conhecimento para internalizá-lo e depois ajudar os outros. Como disse Aristóteles, “educar a mente sem educar o coração não é totalmente educação“.

Desse ponto de vista, tanto o “inteligente” quanto o “inferior” se beneficiam um do outro. O último adquire uma melhor compreensão do mundo, enquanto o primeiro aprende a ser mais compassivo e humilde.