O lado sombrio da força (psicológica)

· fevereiro 8, 2019

A saga de Star Wars se transformou em uma história viva. Até hoje, o lançamento de cada filme se transforma em um grande acontecimento. Este pequeno grande universo conta com o apoio de milhões de fãs que, com certeza, desejariam encontrar a força e se transformar, com o tempo, em Jedis. No entanto, na vida real nem todos eles aceitam a luz, e alguns acabam indo para o lado sombrio da força.

Na nossa realidade, ir para o lado sombrio pode ser entendido como o equivalente a se radicalizar. Dado que a radicalização é um processo grupal, a psicologia social tem muito a dizer sobre a aceitação do lado sombrio da força.

Um caso particular que podemos encontrar na saga é o de Anakin Skywalker. Ao contrário da opinião popular, aqueles que vão para o lado sombrio da força não contam com menos estudos, nem menos recursos, e muito menos sofrem de problemas mentais. Passar para o lado sombrio implica um conjunto de fatores que podem ser explicados a seguir.

Siths em Star Wars

A necessidade de ser importante

Realizar uma ação requer que exista uma motivação para alcançar um objetivo. O principal é que surja uma necessidade e que tracemos um objetivo que possa satisfazer essa necessidade. Então, aparecerá a motivação que nos conduzirá à ação. No caso da força sombria, o objetivo é a importância. A motivação é ser alguém importante, fazer a diferença, ser “alguém”.

Essa motivação de buscar a importância pode surgir de três formas diferentes. Uma delas é diante da perda da importância. A humilhação, como a que Anakin sentiu sendo um escravo, quando os Jedis o rejeitaram, ou quando ele soube do assassinato da sua mãe, é um importante fator na hora de despertar a busca da importância, já que esses são momentos em que se desenvolve uma consciência sobre a perda da mesma.

“O medo da perda, um caminho para o lado sombrio é”.
– Mestre Yoda –

Outra das formas de despertar a busca da importância é a percepção de que existe uma ameaça para a mesma. Kylo Ren, como mostra o último filme da saga, compreende que Luke Skywalker é uma ameaça. A partir do ponto de vista de Kylo Ren, Luke queria impedir que ele se transformasse em Jedi e ganhasse importância.

A última forma é diante da oportunidade de ganhar importância. Quando a oportunidade de ganhar importância aparece, surge a motivação para essa busca. Um caso desse tipo é encontrado no Senador Palpatine, também conhecido como Darth Sidious, que assassinou o seu pai para se converter em chanceler supremo e, ao mesmo tempo, se transformou no senhor obscuro dos Sith.

Darth Vader

O que podemos dizer sobre os Sith

A necessidade de ser importante não leva ao lado sombrio. Uma vez que aparece a motivação, nossa atenção se dirige para o meio de conseguir a importância. A pergunta “Como me torno importante/mais importante?” vai fornecer a resposta para a ideologia, a narrativa. Enquanto os Jedis não alimentam a violência como meio para conseguir importância, os Sith fazem exatamente isso.

Darth Sidious contava que Darth Plagueis era tão poderoso que podia criar vida e, inclusive, evitar que os seres importantes para ele morressem. Mas, como conseguir isso? Usando a violência. Com seu discurso, a ordem Sith promove o uso da violência como único meio para chegar a ser importante. 

Más companhias no lado sombrio

Por último, falta um fator que une a motivação com a ideologia. Este reside no grupo. Um indivíduo só pode ser importante aos olhos dos outros, por isso, ele precisa que um grupo o aceite. Além disso, como mencionávamos antes, esse grupo deve ter uma ideologia que fomente a violência. No mundo de Star Wars, é fácil identificar esse grupo como a ordem dos Sith.

Os Sith oferecem às pessoas a possibilidade de serem muito importantes. Oferecem um poder inimaginável, o do lado sombrio da força. Uma vez dentro do grupo, a pressão social vai levá-las a fundir sua personalidade com a identidade Sith.

Como dizia o monge cego Chirrut Îmwe: “Sou um com a força e a força está comigo”. Pertencer ao grupo dos Jedis ou dos Sith implica fazer parte de algo maior, a única diferença vai ser a narrativa do grupo; pacífica, como a dos Jedis, ou violenta, como a dos Sith.

“Quando estou perto de você, minha mente não é mais minha”.
– Anakin Skywalker –

Cena de filme da saga Star Wars

Também há emoções no lado sombrio da força psicológica

Por último, as emoções também têm o seu papel no processo que leva as pessoas ao lado sombrio. O lado sombrio da força está bastante ligado com as emoções negativas. O Mestre Yoda explica isso nessa frase: “O medo leva à ira, a ira leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento e o sofrimento ao lado sombrio”.

Apesar desta relação entre as emoções não carecer de coerência, a hipótese ANCODI indica que as emoções que Yoda menciona não são as corretas.

“Medo, ira, agressividade, o lado sombrio eles são. Se algum dia comandarem a sua vida, para sempre seu destino dominarão”.
– Mestre Yoda –

Para que uma pessoa opte pelo lado sombrio, é mais viável que aconteça uma combinação de três emoções do que uma sucessão delas. Deste modo, a primeira emoção que apareceria seria a ira, que surgiria da injustiça e se dirigiria a quem fosse considerado o culpado. A ira levaria ao desprezo, à negação e à humilhação do outro. Finalmente, apareceria o nojo, o qual produziria o lado sombrio, no qual a solução é eliminar o outro.

Como vimos, para chegar ao lado sombrio não devemos seguir um caminho que, pouco a pouco, vai nos transformar em indivíduos radicais. Para aceitar o lado sombrio da força deve acontecer uma combinação de fatores. Como se fosse um quebra-cabeças, no momento em que se coloca a última peça, nós já aceitamos previamente o lado sombrio da força.

Como podemos supor que o Mestre Yoda diria: “A psicologia poderosa força é, cuidado com seu lado sombrio você precisa ter.”