A linha da vida, uma técnica para se conhecer melhor

· fevereiro 1, 2019

A psicologia usa uma grande quantidade de ferramentas durante o processo terapêutico. Uma das técnicas usadas para ganhar autoconhecimento e compreensão de si mesmo é a linha da vida.

Apesar de ser uma técnica com uma perspectiva humanista e sistêmica, os psicólogos e as psicólogas de diferentes escolas também a utilizam porque ela oferece muita informação do paciente/cliente.

Nós, as pessoas, somos uma história, um presente e um futuro, e tudo conflui em nossa individualidade. Também somos um relato de tudo aquilo que aconteceu em nossa história de vida, e saber organizar isso e dar-lhe sentido é fundamental para crescer como pessoa, ter confiança em nós mesmos, e nos aceitarmos sem complexos.

Devido a tudo isso, o objetivo deste artigo é que você entenda como funciona a técnica da linha da vida e saiba quando é bom utilizá-la.

Como funciona a técnica da linha da vida?

O funcionamento básico desta técnica é a análise e a reflexão, ou seja, não se trata de uma técnica que, simplesmente por ser aplicada, dá resultados imediatos. Para que ela tenha efeito, é necessário um esforço analítico e reflexivo.

Desse modo, em primeiro lugar, o fato de analisar toda a parte da nossa história de vida (linha da vida) nos permite canalizar e controlar as diferentes emoções associadas: as mesmas com as quais, muitas vezes, convivemos, mas que não controlamos de maneira consciente.

Uma vez elaborada a linha, devemos nos aprofundar no significado de cada elemento que nós desenhamos nela. A técnica da linha da vida requer uma análise reflexiva, que costuma ser guiada por perguntas como: o que mudou em mim como resultado dessa vivência? O que eu perdi e o que ganhei nesse momento? Essa experiência está superada? Entre outras coisas.

Com tudo isso, conseguimos elaborar as experiências de forma saudável e adaptativa, e desse modo, conhecer a nós mesmos e nos compreender melhor, porque somos capazes de unir o nosso passado com o presente de maneira construtiva.

“Somos um relato de tudo que aconteceu em nossa história de vida, e saber colocar isso em ordem e dar sentido a nossa história é fundamental para crescer como pessoa”.

Mulher escrevendo diário

Os melhores momentos para utilizar esta técnica

A linha da vida pode ser utilizada em (quase) qualquer momento, mas é ideal no começo de um processo terapêutico ou para finalizar uma etapa de confusão. A  linha da vida é uma técnica muito útil sempre que você quiser se conhecer melhor, porque entendendo tudo que você viveu, vai compreender por que age como age e sente o que sente.

Por outro lado, não é indicado aplicar a técnica da linha da vida se você viveu experiências dolorosas e traumatizantes recentemente. Isso ocorre porque, segundo um estudo realizado pela Universidade do Arizona (EUA), dentro de um período de luto (ou reação a uma perda) podemos observar fases de depressão. Ou seja, enquanto se está vivendo uma fase de perda ou trauma, esta técnica não é indicada porque é provável que o humor introduza uma predisposição negativa na análise.

Os passos para a sua realização

Para aplicar esta técnica, como comentamos anteriormente, você deve se concentrar em duas fases de trabalho: a elaboração da linha da vida e a fase de análise crítico-reflexiva. Desse modo, em primeiro lugar, você só precisa de papel e lápis, desenhar uma linha reta e começar a colocar nela os seguintes pontos em ordem cronológica: 

1. Defina e anote os seus acontecimentos de vida, como por exemplo o seu nascimento, o nascimento de seus irmãos, primos ou filhos, a morte de pessoas queridas, o início da vida em casal ou o casamento, etc. Para esta parte, você pode usar a cor azul.

2. Destaque também os acontecimentos significativos ou momentos muito importantes em sua vida, que representaram uma mudança. Por exemplo: uma mudança de casa, o começo ou o final de um período de estudos, uma viagem muito desejada ou importante, entre outras. Você é quem vai identificar o que é importante. Para estes eventos da linha você pode usar a cor verde.

“A linha da vida é uma técnica muito útil sempre que você quiser se conhecer melhor, porque entendendo tudo que você viveu, vai compreender por que age como age e sente o que sente”.

Homem de olhos fechados

3. Agora é necessário que você marque na linha os seus pontos de inflexão. Nós entendemos que eles funcionam como chaves de abertura de fases ou situações de crise que são assumidas e elaboradas de forma adequada. Desse modo, você pode usar a cor vermelha para estes momentos de inflexão, e deve marcar, especificamente, aqueles que você sente que o tornaram mais forte.

4. Por último, você deve indicar situações ou momentos de “corte”. Nós fazemos referência às situações que marcaram um antes e um depois na sua vida, que você sente que são os momentos de ruptura do que era a sua vida e a sua rotina. Além disso, são difíceis de lembrar ou são muito traumatizantes. Para estes eventos, você pode usar a cor preta ou alguma cor escura, que faça contraste com o resto das anotações.

Uma vez que você já tiver desenhado a linha da vida, deve dedicar um tempo para analisar o impacto de cada um dos eventos que você marcou em sua vida. É importante que você vá além daquilo que está desenhado na linha e se aprofunde nas suas consequências. Lembre-se: conhecer a si mesmo é um passo necessário para o desenvolvimento e a superação dos limites pessoais.

  • Beyebach, M. (2010). 200 tareas en terapia breve. Barcelona: Herder.