Mães de Soacha: um exemplo de coragem - A Mente é Maravilhosa

Mães de Soacha: um exemplo de coragem

novembro 19, 2017 em Psicologia 3 Compartilhados
A história das mães de Soacha

Este é o caso das mães de Soacha, uma cidade muito próxima de Bogotá, capital da Colômbia. Este lugar tem sido cenário de dificuldades complexas, de todos os tipos. Um dos eventos mais graves ocorridos nesse lugar foi o dos chamados “falsos positivos”. É um crime que se configura quando as forças militares matam civis para fazê-los passar por criminosos e ganhar benefícios por isso.

Em Soacha, foram apresentados nove casos confirmados de falsos positivos. Embora o número total de vítimas deste crime seja de mais de 3000, em Soacha eles tiveram um impacto muito maior. Isto porque as mães das vítimas se organizaram, tomando como modelo as “Mães da Plaza de Mayo” na Argentina, e iniciaram uma luta que ainda não terminou.

Não deixe que ninguém lhe diga o que você pode ou não pode fazer, ou o que você não pode alcançar. Não permita isso”.
-Emma Watson-

Estas mulheres foram batizadas como as “Mães de Soacha” pela imprensa. Elas também são chamadas de “Mães de Outubro”, porque foi  neste mês que o grupo começou a se formar e a dar os seus primeiros passos. Sua luta levou a uma cruzada de denúncias por todo o mundo. O trabalho delas foi reconhecido com vários prêmios internacionais.

Um dos impressionantes casos de Soacha

Um dos casos mais paradigmáticos de falsos positivos em Soacha é o de Fair Leonardo Porras. Ele tinha 25 anos e tinha uma deficiência cognitiva de mais de 53%. Ele morava em uma casa humilde, como a maioria dos habitantes de Soacha. Fazia bicos em negócios simples, principalmente na construção. Também era reconhecido como alguém solidário que colaborava com todos em troca de algumas moedas.

Fair Leonardo Porras

Um dia, Fair nunca mais voltou para casa. Sua família começou uma busca frenética por hospitais, prisões, hospícios e até mesmo no necrotério. No entanto, eles não encontraram o seu paradeiro. Meses depois, seu cadáver apareceu em Ocaña, uma cidade a mais de 600 quilômetros de distância. Foi-lhes dito que morreu em combate, pois era, clandestinamente, o chefe de um comando armado de guerrilha.

Quando seus familiares foram recolher o corpo, encontraram grandes inconsistências. Por exemplo, supostamente seu corpo teria sido encontrado empunhando uma arma na mão direita. O jovem não tinha mobilidade nessa mão e havia certificados que provavam isso. Além disso, obviamente, não era lógico que uma pessoa com deficiência cognitiva comandasse um grupo armado.

As mães de Soacha que viraram heroínas

Foi Luz Marina Bernal, a mãe de Fair Leonardo, quem deu início de forma determinada à luta para esclarecer os fatos. O presidente da Colômbia naquela época, Álvaro Uribe, insinuou que tanto esse jovem como os outros oito jovens de Soacha que foram encontrados nas mesmas circunstâncias eram criminosos. É por isso que as mães de Soacha também estabeleceram o objetivo de reivindicar o bom nome de seus filhos mortos.

Graças à ajuda de funcionários da prisão de Soacha e dos agentes da polícia, elas conseguiram levar os responsáveis à justiça. A senhora Luz Marina descobriu que seu filho tinha sido “vendido” por menos de 100 dólares a alguns membros do exército. Eles o enganaram e foi assim que o fizeram viajar. Mais tarde, eles o assassinaram pelas costas e chamaram de “morte em combate”. Eles obtiveram permissões e dinheiro pelo seu “bom desempenho”.

A história das mães de Soacha

Mães de Soacha por Carlos Julio Martinez / SEMANA

Com grande coragem, Luz Marina Bernal e as outras mães de Soacha enfrentaram várias ameaças de morte. Exigiam que elas retirassem suas queixas e parassem com os atos de pressão para se fazer justiça. Depois de mais de cinco anos, o assassinato de Fair Leonardo Porras foi declarado como “contra a humanidade”. Isso significa que ofende toda a humanidade. Os responsáveis materiais receberam sentenças de mais de 50 anos de prisão. Todavia, os autores intelectuais ainda são desconhecidos.

As mães de Soacha apresentaram sua tragédia em uma peça de teatro e em várias manifestações artísticas. Elas se chamam “As Antígonas” e se tornaram um exemplo de coragem e resistência. Assim como suas análogas na Argentina, elas decidiram não se calar diante da arbitrariedade. Elas provaram que a força feminina é capaz de ganhar mesmo nos cenários mais difíceis e atrozes.

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