Mães tóxicas

· maio 22, 2015

A diferença entre uma pessoa feliz que desenvolve todo seu potencial e outra que duvida de tudo pode ser encontrada em sua infância.

Estudos realizados demonstram que, desde a gravidez, os bebês percebem os sons vindos do exterior e as emoções de sua mãe. Algumas mulheres, dependendo do ambiente emocional em que se encontram, desenvolvem sentimentos de rejeição em relação a seu bebê durante a gestação, os quais podem aumentar caso seja apresentada uma depressão pós parto. Na maioria dos casos, trata-se somente de uma situação passageira.

Por que algumas mães tratam os filhos de forma nociva?

Uma explicação pode ser que elas também tenham sido maltratadas na infância, quando aprenderam que o mundo é, por definição, um lugar inseguro. Assim, o comportamento dessas mães acaba sendo o mesmo que elas presenciaram quando crianças. Curiosamente, quando eram objeto de maus tratos, algumas diziam a si mesmas que nunca fariam o mesmo com seus filhos. Então, por que agem assim? Porque esse é um comportamento inconsciente. Aquilo que mais detestaram se torna um comportamento automático. Foi isso o que elas aprenderam.

Uma mãe tóxica é controladora; usa as comparações e a humilhação pública como método de controle, pois ela também passou por isso. Quando uma mãe tem mais filhos, dependendo da posição ocupada por ela, poderá se identificar com algum deles, dirigindo suas preferência a ele e menosprezando os outros.

Aí é quando aparece a comparação. Não há arma mais destrutiva que a injustiça de uma comparação. Exaltando um, diminuindo outro. Ela tem a ganância de ter um aliado entre os filhos, que justifique seu comportamento. Precisa formar uma aliança com outros membros da família para exercer o controle.

A manipulação é outra cara do comportamento tóxico nos progenitores. A mãe costuma se fazer de vítima para gerar sentimentos de culpa em seus filhos, especialmente quando eles se tornam adultos e tomam suas próprias decisões.

As mães controladoras ou tóxicas ainda tratam seus filhos como se fossem crianças, negando o papel de adulto que eles possuem. O controle pode ir desde a escolha da roupa e do estilo pessoal até a forma como o filho deve falar. Esse comportamento se torna ainda mais crítico quando os filhos resolvem formar uma família. Elas querem ditar as regras na família, definindo como criar os netos, como preparar a comida e até mesmo em que momento deve-se, ou não, conceber mais filhos. E claro, a escolha da pessoa com quem seu filho viverá um dia será enormemente destoante de seu gosto… Por isso costumam desaprovar as decisões dos filhos.

Mas elas agem assim apenas porque aprenderam dessa forma em sua infância? Não… Por trás desse comportamento, se esconde o medo do abandono e da solidão. Essa situação acaba por ocorrer um tempo depois, quando os filhos não conseguem estabelecer um limite entre seu espaço familiar e individual.

Com o controle e a toxidade elas conseguem o que mais temiam. A solidão.

No caso dos filhos únicos, ou com alguma doença ou condição de deficiência, a situação se transforma numa eterna chantagem… É um disse me disse de “deixei tudo por você…”, “me sacrifiquei para te criar”, etc. Ela questiona o motivo de seu filho não pensar como ela.

Como agir diante dessa situação?

Primeiro, é importante reconhecer que é necessária a ajuda de um profissional, pois as feridas criadas, se não tratadas, têm uma altíssima chance de alcançar os netos. É possível romper o ciclo de toxicidade.

Além disso, é recomendável, a medida em que a situação econômica permitir, estabelecer uma distância física entre o progenitor controlador e o filho ou filha. É preciso admitir que, quando o filho adulto ainda depende economicamente da mãe, é difícil impor limites. No entanto, é importante manter a independência usando outras habilidades, e não assumir um tipo de dependência que obriga assumir, assim, outras dependências emocionais.

Aqui, é importante o trabalho psicológico, pois ao detectar a manipulação, depois de um intervalo de indignação frente a confrontação com a realidade, é habitual que se produza no progenitor a liberação do peso da culpa. Quando reconhecemos a manipulação, podemos nos proteger e romper o laço.

Por isso, se essa é sua situação, procure a ajuda de um profissional. Não discuta, isso apenas aumentará a frustração, a raiva e a dor. Seja assertivo, rompa o círculo e não repita o roteiro.