Magda B. Arnold e a avaliação emocional

· outubro 19, 2018

Segundo William James (1842-1910), as emoções são o resultado da avaliação das mudanças a nível corporal que ocorrem quando a pessoa recebe uma certa estimulação ou se encontra em uma situação específica. Dessa forma, a emoção não seria possível sem a produção ou percepção dessas alterações, que estariam relacionadas especialmente com o sistema nervoso simpático. No entanto, Magda B. Arnold (1903-2002) proporcionou uma visão diferente sobre esse fenômeno através do conceito de avaliação emocional ou appraisal.

Arnold sugeriu que a emoção não segue a mudança física, mas que é necessária uma avaliação direta sobre se o objeto ou a situação nos afeta de uma forma ou de outra. Essa avaliação produziria um sentimento de atração ou aversão, e isso geraria a abordagem ou a retirada do objeto ou da situação. A sequência seria a seguinte: percepção – avaliação – emoção. Vamos nos aprofundar.

Segundo Magda B. Arnold, as emoções dependem das avaliações que temos dos objetos e das situações.

Quatro aspectos da avaliação emocional 

Magda B. Arnold destacou quatro aspectos fundamentais ao avaliar uma situação. Esses quatro pontos são, ainda hoje, de grande relevância para entender a avaliação emocional em nossas vidas.

  • Diferença entre percepção e avaliação.
  • Imediatez da avaliação emocional.
  • Tendência de ação.
  • Constância.
Avaliação emocional

1. Diferença entre percepção e avaliação

Perceber um objeto significa saber como é o objeto que percebo. Avaliá-lo é colocá-lo em relação a mim e, nessa avaliação, tendemos a classificá-lo em duas categorias: agradável ou desagradável.

Se um dia encontrarmos um leão rugindo no meio da rua, nós o avaliaremos como algo desagradável e isso nos deixará com medo. Se o virmos em um zoológico (sem representar nenhum perigo para nós), podemos qualificá-lo como uma experiência agradável.

2. Imediatez da avaliação emocional

A avaliação emocional implica não apenas que algo seja gratificante ou aversivo, mas também a emissão de julgamentos sobre a situação ou objeto. Esses julgamentos têm como principais características serem imediatos, automáticos, diretos e não reflexivos.

Quando encontrarmos o leão no meio da rua, quase com toda a certeza correremos. Essa reação de sobrevivência foi provocada pelo medo, uma emoção imediata, direta e automática, ou seja, agimos “sem pensar duas vezes”. Não paramos para pensar nas consequências de ver um leão bem na nossa frente na rua porque isso significaria perder tempo. Um tempo muito valioso, considerando que podemos acabar sendo sua comida.

Ao mesmo tempo, por serem julgamentos não reflexivos, implicam uma resposta igual ou similar à anterior. Mas em vez de medo, coloquemos uma situação feliz. O que acontece com muitas pessoas quando são aprovadas em um processo seletivo? Ou quando vemos um ente querido depois de um longo tempo? Nós choramos de alegria. E fazemos isso sem um processamento mental intelectual nem reflexivo; isso implica que fazemos isso de forma espontânea.

3. Tendência de ação

Quando avaliamos um objeto ou uma situação como agradável ou desagradável, iniciamos uma tendência de ação que sentimos como uma emoção associada a mudanças corporais e pode levar a uma ação concreta. Isto é, começamos a sentir mudanças fisiológicas que nos levam a agir. Quando estamos com raiva, não apenas sentimos calor e agitação em nossa respiração, mas também podemos chegar a querer bater em uma porta ou jogar um objeto no chão.

Essas duas variáveis ​​desencadeiam dois comportamentos. Quando avaliamos algo como agradável, tendemos a nos aproximar, física ou emocionalmente. Por outro lado, se considerarmos que algo é desagradável, nosso comportamento será de rejeição e distanciamento. Assim, nossa avaliação emocional determina nosso comportamento em relação ao que avaliamos.

Segundo Magda B. Arnold, quando os estados fisiológicos estão muito ativados e não são seguidos de uma ação, podemos sentir um grande desconforto e frustração. A autora defende que primeiro agimos e depois pensamos no objeto que percebemos e que desencadeou a ação.

Aspectos da avaliação emocional

4. Constância

Nós tendemos a pensar que tudo permanecerá igual. Geralmente, quando conhecemos uma pessoa, pensamos que ela sempre se comportará da mesma maneira ou que nossos entes queridos sempre estarão ali.

Costumamos atribuir uma constância a tudo que nos rodeia quase sem possibilidade de mudança. No entanto, este não é o caso. Neste ponto, a autora pretende destacar o contraste entre nossas expectativas em relação à realidade e o que realmente acontece.

A crença de que tudo permanecerá igual nos leva ao sofrimento. Também pensamos que os outros agirão conosco como fizeram até o momento presente, e isso pode mudar.

Magda B. Arnold destaca a importância de conhecer o conceito de constância para que as mudanças que ocorrem em nossas vidas não causem grande desconforto.

Magda B. Arnold foi, sem dúvida, uma personalidade influente na psicologia e, especificamente, no campo das emoções. Seus trabalhos permitiram que Richard Lazarus desenvolvesse uma das teorias mais difundidas entre a comunidade científica sobre a avaliação cognitiva, o estresse e a emoção.

Por último, é importante ressaltar que não há apenas homens renomados dentro da disciplina, mas também há a presença de grandes mulheres que têm contribuído com conhecimentos fundamentais para o desenvolvimento de diferentes teorias.