Marie Curie: a biografia da mulher que abriu caminhos

· abril 24, 2019
Marie Curie, provavelmente, não precisa de apresentação, pois seu nome é conhecido em todos os cantos. Em uma época em que as mulheres mal podiam ter acesso à educação, Marie Curie rompeu todas as barreiras e se lançou como pioneira no âmbito científico.

Quando nos aproximamos da vida de Marie Curie, nos damos conta de que ela foi a primeira e única em uma incrível série de eventos. Uma verdadeira pioneira que se tornou a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel e ser professora na Universidade de Paris. Além disso, ela foi a primeira mulher sepultada por seus próprios méritos no Panteão de Paris e a única mulher a ganhar o Prêmio Nobel em diferentes disciplinas científicas.

Quem disse que as mulheres não podem se dedicar à ciência? O legado de Marie Curie é impressionante e seu nome ecoa em uma interminável lista de homens dedicados à ciência. Marie Curie é, provavelmente, uma das cientistas mais conhecidas no mundo.

Suas pesquisas no campo da radioatividade abriram caminho para uma infinidade de estudos posteriores. Neste artigo, vamos tentar, na medida do possível, nos aproximar de uma das figuras mais importantes do panorama científico do século XX.

O início de uma vida de determinação

Maria Sklodowska, que era seu nome de nascimento, nasceu na Polônia e foi a mais nova de cinco irmãos. Tanto seu pai quanto sua mãe se dedicavam ao ensino; Maria, desde cedo, seguiu os passos de seu pai e mostrou grande interesse pela matemática e pela física.

Diante da impossibilidade de se matricular na Universidade de Varsóvia, naquela época exclusiva para homens, empreendeu diversos trabalhos ocasionais.

Majoritariamente, Marie trabalhou como governanta para ganhar um dinheiro extra que serviria para ajudar na educação de sua irmã. Enquanto isso, em seu tempo livre, continuou educando a si mesma e, inclusive, começou sua formação científica prática no laboratório de química.

Em 1891, ela se mudou para a França e se matriculou na Universidade de Sorbonne. Foi ali que começou a ser conhecida como Marie. Com escassa ajuda financeira, ela se viu obrigada a dar aulas particulares durante a tarde para ganhar dinheiro e poder sobreviver.

Em 1894, visitou Pierre Curie na Escola de Física e Química da Universidade de Paris. Em 1895, Pierre e Marie se casaram, dando origem, dessa forma, a uma associação extraordinária no trabalho científico.

Marie Curie quando jovem

Marie Curie: França e primeiras conquistas

Marie Curie é a mais famosa física e química da história. Em meados de 1897, entre as conquistas de Curie havia dois títulos universitários, uma bolsa de estudos e um artigo publicado que tratava da magnetização do aço temperado.

Curie já tinha alcançado um certo prestígio no âmbito científico e acadêmico quando nasceu Irène, sua primeira filha. A partir desse momento, Marie Curie centrou sua atenção na misteriosa radiação de urânio descrita por Antoine Henri Becquerel (1852–1908).

Em 1904 nasceu Eve, sua segunda filha. Graças à sua implacável dedicação e ao seu árduo trabalho, ela conseguiu descobrir e isolar – em estado de pureza – dois elementos: o polônio e o rádio.

Desenvolveu técnicas que permitiam isolar isótopos radioativos e que poderiam tê-la deixado milionária, mas ela escolheu compartilhar seu conhecimento pelo bem da humanidade.

A importância de suas descobertas foi imensa, rompendo em seu momento histórico a noção ortodoxa que os cientistas possuíam sobre a matéria e a energia. Ela nos deixou um verdadeiro legado com uma nova linha de pensamento totalmente inovadora.

A cientista se deu conta de que a radiação era uma propriedade atômica e, portanto, teria que estar presente em outros elementos. Assim, Curie foi responsável não apenas por teorizar o conceito de radioatividade, mas também por cunhar o termo radioatividade.

Desde 1898 até 1902, ela e seu marido publicaram aproximadamente 32 artigos científicos. Esses artigos revelavam detalhadamente seu trabalho sobre a radioatividade. Em um desses artigos científicos, relataram que as células formadoras de tumores se destruíam mais rápido do que as células saudáveis quando eram expostas à radioatividade.

Além do laboratório

Além de seu trabalho no campo da ciência, Marie Curie contribuiu muito durante a Primeira Guerra Mundial. Ela foi responsável pelo estabelecimento dos primeiros centros radiológicos em campos militares. A pesquisa de Curie se mostrou crucial no desenvolvimento de radiografias de pacientes que precisavam de cirurgia.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Marie Curie ajudou a equipar as ambulâncias com aparelhos de raios X, que ela mesma acompanhou nas linhas de frente da batalha. A Cruz Vermelha Internacional a designou líder de seu serviço de radiologia.

Nessa posição, ela foi responsável pela realização de cursos de capacitação para médicos na aplicação dessas novas técnicas. Estima-se que mais de um milhão de soldados feridos tenham sido tratados com suas unidades de raios X.

Marie Curie com Pierre Curie

O mérito de Marie Curie em desigualdade de condições

Apesar de seu sucesso, Marie continuou enfrentando uma grande oposição de cientistas homens na França, e nunca recebeu benefícios financeiros significativos por seu trabalho. A desigualdade era a regra e de pouco servia ser uma das mais brilhantes cientistas da época.

Na chuvosa tarde de 19 de abril de 1906, Pierre Curie foi atropelado por uma carruagem e morreu instantaneamente; duas semanas depois, a viúva assumiu a cátedra de Física na Sorbonne, assumindo o cargo de seu falecido marido.

As homenagens começaram a chegar das sociedades científicas do mundo todo, mas Curie tinha ficado sozinha com duas crianças pequenas e com a gigantesca tarefa de liderança na pesquisa da radioatividade. Em 1908, ela editou as obras completas de seu marido e, em 1910, publicou seu Traité de radioactivité (Tratado da radioatividade).

O segundo Prêmio Nobel de Curie não demoraria muito a chegar, embora nessa ocasião ela tenha sido premiada no campo da química. Mesmo assim, Curie não conseguiu receber a aprovação da Academia de Ciências, que mais uma vez negou sua adesão.

No final da década de 1920, sua saúde começou a declinar e, finalmente, Marie Curie morreu em 4 de julho de 1934 como consequência da leucemia. Essa doença foi causada pela exposição à radiação de alta energia de sua pesquisa.

Ela foi enterrada junto com Pierre Curie em Sceaux até que, aproximadamente seis décadas depois, seus restos mortais foram transportados para o Panteão em Paris. A filha mais velha dos Curie, Irène, seguiu os passos de sua mãe, dedicando a vida à ciência e chegando inclusive a receber o Prêmio Nobel de Química.

Marie Curie deu sua vida à pesquisa e à descoberta científica. Sua vida e seu grande repertório de conquistas foram inspiradores para cientistas de todas as nações. Além disso, sua figura representa um passo importante para todas as mulheres, uma grande mudança no campo científico que, infelizmente, ainda hoje parece estar dominado por homens.

  • N/A (2016) Marie Curie. Biografía para niños. Nueva York: Ducksters.