Mary Ainsworth: biografia e contribuições

março 31, 2019
Mary Ainsworth foi uma importante cientista e pioneira que contribuiu muito com a Teoria do Apego. Além disso, se interessou por aspectos da mulher e do ser humano que a psicologia, no geral, deixava em um segundo plano abstrato.

Mary Ainsworth foi uma psicóloga canadense que, junto com John Bowlby, desenvolveu uma das teorias psicológicas que mais ajudaram a compreender o desenvolvimento social inicial: a teoria do apego.

Esta teoria foi, a princípio, formulada focada nas crianças. No entanto, Ainsworth, nos anos 60 e 70, introduziu novos conceitos que, nos anos 80, causariam uma ampliação focada nos adultos.

Foi uma das psicólogas mais citadas durante todo o século XX e, ainda hoje, sua brilhante teoria é o pilar sobre o qual são construídas inúmeras pesquisas de psicologia. Seu trabalho é estudado nas universidades do mundo todo e recebeu vários reconhecimentos, embora tenha vivido em uma época na qual as mulheres tinham seu protagonismo profissional bastante restringido.

Ainsworth já demonstrava uma certa inquietude em seus primeiros passos na universidade e começou a refletir sobre a relação de apego das crianças com a figura materna. A partir daí, nasceria a teoria que destacaria seu nome no campo da psicologia.

Entretanto, a vida de Ainsworth não se limitou unicamente ao estudo, a se submergir entre perguntas e papeis, mas foi muito mais dinâmica do que o que era esperado de uma mulher na sua época.

A vida de Mary Ainsworth

Mary Ainsworth nasceu nos Estados Unidos, mas sua família se mudou para Toronto, no Canadá, quando ainda era uma criança. Formou-se em Psicologia do Desenvolvimento na Universidade de Toronto e obteve seu Doutorado em 1939. Quando terminou seus estudos, se uniu ao corpo do Exército Feminino Canadense, passou quatro anos no exército e alcançou o posto de Major.

Pouco depois, se casou e se mudou para Londres com o marido. Foi então que começou a trabalhar no Instituto Tavistock com o psiquiatra John Bowlby. Ambos abriram o caminho de uma pesquisa baseada na experiência da separação das crianças de suas mães.

Em 1953, se mudou para a Uganda e começou a trabalhar no Instituto Africano de Pesquisa Social de Kampala, onde continuou suas pesquisas sobre relações iniciais das crianças com suas mães.

Após um tempo, obteve um cargo no Instituto John Hopkins, nos Estados Unidos e, posteriormente, na Universidade de Virginia, lugar no qual continuou desenvolvendo sua teoria do apego até se aposentar, em 1984.

Mary Ainsworth jovem

A teoria do apego

John Bowlby é considerado o pai da teoria do apego. Os estudos de Bowlby mostraram que as crianças têm um comportamento exploratório inato. No entanto, caso se sintam desprotegidas ou em perigo, sua primeira reação é procurar o apoio da mãe ou do cuidador primário.

Mary Ainsworth partiu da base de Bowly sobre os sistemas de controle, mas adicionou um conceito novo: a situação estranha  .

“No ódio, assim como no amor, crescemos como a coisa que cuidamos. Injetamos o que odiamos em nossa própria alma.”
-Mary Renault-

Mary Ainsworth pesquisou sobre a relação das crianças com seus cuidadores adicionando a situação estranha em diferentes contextos. A situação estranha era criada adicionando uma pessoa estranha para a criança no contexto de relação mãe-filho.

Com base nos resultados obtidos, Mary Ainsworth ampliou a teoria conectando três estilos de apego:

  • O apego seguro;
  • O apego inseguro/evitativo;
  • O apego inseguro-ambivalente.

A teoria foi ampliada, mais tarde, por outros pesquisadores. O conjunto de releituras, comentários e adições resultou na teoria do apego que conhecemos hoje em dia.

Mary Ainsworth e os diferentes tipos de apego

A teoria do apego se ampliou posteriormente com um quarto tipo de apego. O que Mary Ainsworth definiu e caracterizou foram, unicamente, os três tipos mencionados anteriormente. A seguir, vamos descrever em que consiste exatamente cada um deles:

  • Apego seguro: é gerado quando uma criança se sente amada e protegida. Apesar do cuidador se ausentar e a criança sentir uma certa angústia da separação momentânea, sabe que pode confiar que seu cuidador vai voltar;
  • Apego inseguro: estas crianças respondem com angústia intensa à separação da mãe ou do cuidador. Parece que este tipo de apego é o resultado de uma escassa disponibilidade materna ou do cuidador. Estas crianças aprendem que sua mãe não vai estar presente sempre que precisarem.
  • Apego ambivalente: se desenvolve quando o cuidador primário deixa de atender as necessidades da criança de forma reiterada e constante. São crianças que desenvolvem um grande sentimento de desconfiança e aprendem a não buscar ajuda no futuro.

O desenvolvimento do apego

Um trabalho importante

Mary Ainsworth foi uma grande conhecedora da importância do desenvolvimento de uma relação saudável de apego materno, além da influência que isso poderia ter na criança como um futuro adulto.

Muitas vezes, se disse a favor da necessidade de elaboração e implantação de programas que ajudassem as mulheres a compatibilizar sua carreira profissional com a maternidade. Afinal, naquela época, era quase impossível para as mulheres pensar no que hoje vemos como normalidade.

O acesso aos estudos acadêmicos, à pesquisa, ao mercado de trabalho, etc, parecia não ser muito compatível com os serviços domésticos e, consequentemente, de esposa e mãe, que eram os papéis impostos pela sociedade. Por essa razão, pode-se considerar Mary Ainsworth como uma das precursoras dos programas de conciliação trabalhista para as mães.

Como mulher pesquisadora, sabia que seu trabalho não podia ficar apenas no campo do estudo: ela precisava reivindicar, fazer algo que poderia ajudar muitas mulheres no futuro para que, como ela, pudessem escolher seu próprio caminho. Assim, estamos diante de uma cientista que se interessou por aspectos da mulher que a psicologia deixava de lado.  

Mary Ainsworth faleceu em 1999, com 86 anos de idade, depois de uma vida inteira dedicada a desenvolver uma das mais importantes teorias psicológicas com as quais contamos hoje em dia.

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  • Main, M. (2001). “Las categorías organizadas del apego en el infante, en el niño, y en el adulto: Atención flexible versus inflexible bajo estrés relacionado con el apego”. Aperturas psicoanalíticas8.
  • Marrone, M., Diamond, N., Juri, L., & Bleichmar, H. (2001). La teoría del apego: un enfoque actual. Madrid: Psimática.
  • Wallin, D. J. (2012). El apego en psicoterapia. Desclée de Brouwer.