Minha consciência tem mais valor para mim do que qualquer opinião

Minha consciência tem mais valor para mim do que qualquer opinião

19, julho 2016 em Psicologia 12 Compartilhados
Minha consciência tem mais valor para mim do que qualquer opinião

Talvez sejam os anos ou quem sabe a maturidade, mas sempre chega um momento em que “acordamos” por fim para essa consciência própria onde escolhemos lados, onde levantamos nossa voz no meio da gritaria e deixamos clara nossa posição. Porque não existe nada mais reconfortante do que deitar-se com o coração tranquilo e a consciência limpa, sem se importar com o que o mundo pensa.

Antonio Damasio é um conhecido neurologista especializado em emoções que define a consciência como uma sutil harmonia entre o eu autobiográfico, outro social e um terceiro onde se mistura o eu emocional com o outro espiritual. A pessoa plenamente consciente dessa estrutura única e particular será mais competente e racional na sua realidade.

Todos possuem consciência e é como se fosse a respiração da alma, como o farol das nossas emoções que introduz uma voz em nosso coração para nos dizer quando algo está bem e quando algo está mal. É preciso estar sintonizado com ela, é preciso saber propiciar esse despertar interior para poder agir sem medo e fazer da nossa consciência esse refúgio tranquilo com o qual passaremos a vida.

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Despertar a própria consciência às vezes é algo doloroso

Carl Gustav Jung costumava dizer que “quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda”. Ainda que o célebre psicólogo tenha sido uma peça chave no início da psicanálise, sua metodologia também se encontra intimamente ligada à antropologia, à mitologia e à filosofia. Por isso a sua concepção sobre a consciência no ser humano ainda hoje desperta um grande interesse.

Assim como o neurologista Antonio Damasio, Jung definiu a consciência como uma entidade psicológica onde se integram nossas experiências vitais e emoções mais profundas. Para despertá-la é necessário “olhar para dentro” para estar consciente de feitos desagradáveis, erros cometidos, de valores ou princípios pessoais não respeitados por medo ou indecisão. Isso acontece por você estar sujeito a consciências morais alheias e não próprias.

Estar ciente de cada uma dessas dimensões pessoais supõe, às vezes, um verdadeiro ato de dor. Segundo Gustav Jung, as pessoas podem ser capazes de qualquer coisa, contanto que não tenham que enfrentar sua própria alma e suas próprias consciências. Por isso, para alcançar “a luz” é preciso que estejamos cientes de nossas “obscuridades”. Apenas dessa maneira nos sentiremos livres, somente assim teremos nos conectado com nós mesmos de forma íntegra e saudável.

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Consciência tranquila, um exercício que começa no coração

Em muitos dos contextos sociais e políticos que vivemos atualmente uma falta de consciência moral é apreciada, exatamente onde deveria sempre florescer a ética, o respeito, o amor pelo próximo e o sentido da humanidade que hoje escapa pela chaminé do egoísmo e dos interesses sombrios.

Visto que hoje não é muito difícil chegar a essas superestruturas que nos rodeiam, vale a pena pôr em prática esse exercício de integridade em nós mesmos e inclusive nos herdeiros do futuro: nossos filhos. Desenvolver estratégias apropriadas para criar uma consciência do coração, uma voz tranquila, afetuosa e coerente onde exista o respeito mútuo, ao lado do respeito por si mesmo.

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Chaves para desenvolver uma consciência livre e respeitosa

Nossas consciências particulares são algo mais do que apenas o reflexo dos ensinamentos morais que nos foram transmitidos. Não basta apenas saber o que está bem ou o que está mal, “devemos sentir”. Para isso, é necessário despertar de nossas letargias e ter consciência dos nossos pensamentos e afetos.

Mostraremos a você como, e para isso propomos que reflita sobre as diferenças entre ver, olhar e contemplar na hora de desenvolver sua consciência.

  • Ver é a arte de nos deixar levar sem nos aprofundarmos nas coisas. Há pessoas que passam grande parte do seu tempo “vendo” como a realidade acontece diante delas. É uma etapa primitiva dessas consciências que não tomam partido, que se deixam levar pelo que os outros dizem, ordenam ou sugerem sem oferecer resistência, sem questionar nada…
  • A segunda fase do nosso desenvolvimento interior é a capacidade de saber “olhar”. Aqui já existe uma certa iniciativa porque decidimos o que ver ou o que não ver. Podemos nos guiar pela curiosidade, pelo desejo e quando o fazemos, quando olhamos, não ficamos indiferentes: sentimos coisas: prazer, repulsa, raiva, satisfação, medo…
  • O terceiro passo para formar uma consciência é a capacidade de saber contemplar. Sócrates dizia que o grau mais elevado do saber é contemplar o porquê das coisas. A contemplação é um exercício enriquecedor porque passamos a entender o que nos rodeia de “dentro para fora”. Existe uma conexão com esse “eu” interno que é capaz de julgar por si mesmo o que está bem e o que está mal, que tem sua própria opinião, seus valores e sua indiscutível integridade.

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Nossas consciências devem ser capazes de contemplar tudo o que nos envolve sob a luz desse farol emocional que se conecta com nosso coração. Só então deixaremos de absorver o ruído externo ou a opinião dos outros. Uma consciência tranquila vale mais que todo o ouro do mundo, é o travesseiro suave com o qual obtemos um melhor descanso e uma vida mais plena.

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