O mito de Atalanta, a bela caçadora

maio 12, 2020
O mito de Atalanta tem a ver com uma figura feminina que despertou a admiração dos gregos por sua coragem e habilidade militar. Atalanta é o símbolo da mulher capaz e determinada.

O mito de Atalanta fala de uma figura feminina forte e autossuficiente, algo raro na mitologia grega. Ela é conhecida como a bela caçadora, porque se dedicou à caça, uma atividade que amava e realizava com enorme habilidade.

Segundo o mito de Atalanta, quando ela nasceu, o oráculo disse que se algum dia se casasse, seria transformada em animal. Ela era filha de Esqueneu e Clímene, dois personagens que provinham da cultura da Beócia, no oeste da Grécia. Seu pai esperava um menino e não queria ter uma filha.

Por isso, o pai não teve nenhum escrúpulo e abandonou sua pequena filha ao lado de uma montanha assim que ela nasceu. No entanto, uma ursa se compadeceu da pequena. O mito de Atalanta conta que o animal a amamentou e cuidou dela, até que alguns caçadores a encontraram e decidiram adotá-la.

“São as nossas decisões que mostram quem realmente somos, mais do que as nossas habilidades”.
-J.K. Rowling-

Urso pardo na natureza

O mito de Atalanta, uma mulher forte

O mito de Atalanta diz que essa mulher não foi caracterizada por ser muito feminina. Sua origem selvagem a deixou apaixonada pela natureza e pela caça. Ela se tornou uma mulher bonita, mas não queria ser como as outras. Então, decidiu consagrar sua vida à deusa Ártemis, protetora da caça, e imitar a divindade em tudo.

O culto a Ártemis exigia que ela permanecesse virgem durante toda a sua vida, e Atalanta não teve nenhum problema com isso. Também a convidava a permanecer entre as montanhas e os campos e se dedicar totalmente à caça. Portanto, Atalanta desenvolveu grandes habilidades físicas e aprendeu a manejar armas com muita destreza, especialmente o dardo.

O mito de Atalanta conta que, em uma certa ocasião, dois centauros chamados Hileo e Reco tentaram estuprar a garota por causa da sua beleza. Os centauros eram seres que tinham a cabeça, os braços e o tronco de humanos, e o corpo e as patas de um cavalo. Em sua maioria, eram selvagens e se permitiam ser dominados por suas paixões animais. A moça os encarou e os venceu.

A coragem de Atalanta

Atalanta era uma mulher apaixonada por combate e aventura. Dizem que ela foi a única mulher que acompanhou a expedição de Jasão e os Argonautas.

No entanto, o que a tornou famosa foi sua participação na caça ao javali de Calidão. Dizem que os outros caçadores se negavam a deixá-la acompanhá-los, mas o herói Meléagro permitiu que a garota se juntasse ao grupo.

O mito de Atalanta destaca que ela foi a primeira a causar ferimentos na besta, fato que Meléagro testemunhou. Foi esse herói que finalmente matou o animal, mas deu a pele à mulher, em homenagem à coragem que havia demonstrado.

Mais tarde, os tios de Meléagro contestaram o prêmio dado à jovem, porque a consideravam indigna do mesmo. No entanto, o herói confrontou seus parentes e acabou matando-os por se oporem à sua decisão. Então, ele devolveu a pele do javali a Atalanta, que desde então passou a ser altamente respeitada por todos.

Javali cruzando estradinha

Amor e tragédia

Por ser serva da deusa Ártemis, pelo oráculo da época do seu nascimento e pela sua própria personalidade, Atalanta relutava a se unir a qualquer homem. No entanto, os pretendentes eram muitos e a assediavam com frequência. Para acabar com o incômodo, ela anunciou que se casaria apenas com o homem capaz de vencê-la em uma corrida. No entanto, se o homem perdesse, ela o mataria.

Apesar do terrível aviso, foram muitos os que se inscreveram para uma competição atlética com ela. No entanto, todos, sem exceção, foram derrotados. Já havia muitos na conta até que um jovem chamado Hipomene apareceu, a quem Afrodite, deusa do amor, queria ajudar.

Afrodite deu a ele algumas maçãs douradas, que vieram do famoso Jardim das Hespérides. Então, quando a corrida aconteceu, o jovem começou a deixar cair as maçãs uma a uma. Atalanta, encantada com a beleza dessas frutas magníficas, parava para colhê-las toda vez que Hipómene as deixava cair. Por isso, perdeu tempo e foi derrotada.

Os dois jovens se casaram e foram felizes caçando e lutando lado a lado por algum tempo. No entanto, eles fizeram amor no templo de Cibele, deusa da Mãe Terra, e esta ficou com raiva. Por isso, transformou o casal em leões e os sentenciou a puxar seu carro para sempre. A fonte de Cibeles, no Paseo del Prado, em Madri, lembra o mito de Atalanta.

Alesso, M., Franco Durán, María Jesús (2018). El mito de Atalanta e Hipómenes: fuentes grecolatinas y su pervivencia en la literatura española. Circe de clásicos y modernos, 22(2), 115-120.