Modelo de Eysenck sobre a personalidade criminal

O modelo de Eysenck sobre a personalidade criminal

Janeiro 24, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Modelo de Eysenck sobre a personalidade criminal

O modelo de Eysenck foi um dos trabalhos mais importantes realizados na psicologia sobre a personalidade. Explorando seu modelo, nos damos conta de que o psicólogo oferece uma visão extensa dos elementos que definem esse conceito.

A criminalidade foi (e é) uma das maiores incógnitas que o ser humano já tentou explicar. Em algumas situações com sucesso, mas em outras sem resultados muito corretos. Nesse sentido, uma das relações nas quais mais nos aprofundamos foi a com a personalidade; por isso, voltaremos nossa atenção para a explicação do modelo de Eysenck sobre a personalidade criminal.

Origem grega das teorias de personalidade

A maioria das teorias de personalidade que foram criadas tiveram sua origem nos pensamentos gregos. Uma das abordagens mais importantes que vem desde então foi a de Hipócrates. Sua teoria do temperamento foi desenvolvida se baseando na articulada por Empédocles.

Este último acreditava que tudo o que estava na natureza era composto por quatro elementos: ar, terra, fogo e água. A partir daí, Hipócrates relacionou tais elementos com os fluidos corporais; ao mesmo tempo, estes possuíam uma determinada característica que definia um temperamento específico de acordo com a predominância de cada caso.

Modelo de Eysenck sobre a personalidade criminal

Modelo de Eysenck da personalidade

A importância que se dá ao modelo de Eysenck se fundamenta nas características que o definem: disposicional, hierárquico, dimensional e psicobiológico. Todas elas, no fim, vão estar relacionadas umas com as outras.

Disposicional

Considera-se que o modelo proposto por Eysenck é disposicional, já que o “traço psicológico” ocupa um lugar central no desenvolvimento do seu estudo. Nesse sentido, um traço ou disposição seria a tendência que temos de nos comportarmos de forma estável em situações similares.

Ou seja, existiria em nós uma certa inércia, criada pelos nossas variáveis pessoais, a exteriorizar sempre a mesma conduta como resposta a estímulos parecidos entre si. Por isso será criada uma relação entre conduta e situação.

Hierárquico

O modelo de Eysenck estabelece de forma piramidal a estrutura à qual a construção da personalidade obedece. Dessa forma, terá início pelos degraus mais específicos até chegar ao degrau mais amplo e geral:

  • Resposta específica. Aquela que damos em um contexto determinado e em situações específicas.
  • Resposta habitual. Em uma situação de características similares, sempre daremos a mesma resposta específica. Ou seja, um conjunto de respostas específicas dadas sempre no mesmo contexto leva a uma resposta habitual.
  • Aspecto. O conjunto de respostas habituais dadas em diferentes contextos vão formar um aspecto. Em outras palavras, teremos uma tendência a nos comportar de forma estável em um contexto específico.
  • Dimensão. Diferentes aspectos vão se integrar dentro de um conceito muito mais amplo, a dimensão.

Dimensional

No modelo de Eysenck existem três dimensões fundamentais: extroversão, neuroticismo e psicoticismo. Estas se combinam, dando forma a um determinado tipo de personalidade. Esses três elementos formam um espaço tridimensional, no qual se situam as pessoas de forma espalhada, dependendo do grau de cada uma das dimensões que tiver sua personalidade.

Homem segurando cartaz com seu rosto

Com isso, a personalidade seria o resultado da combinação dessas três dimensões; ao mesmo tempo, cada uma delas, separadamente, está em um plano bidimensional. Isso quer dizer que vão ter um oposto.

  • Extroversão (Vs. Introversão). Indivíduo sociável, dominante, com busca constante de sensações. Seu oposto seria uma pessoa reservada, distante, etc.
  • Neuroticismo (Vs. Estabilidade). Instabilidade anímica. Está relacionada com a disposição de sofrer de transtornos do humor. Destacam-se aspectos como os sentimentos de culpa, ansiedade, pouca autoestima, emotividade, etc.
  • Psicoticismo. Resposta dicotômica: ou se tem ou não se tem. As pessoas que o apresentam se caracterizam por serem frias, impessoais, agressivas, antissociais e ter pouca empatia.

Psicobiológico

Para cada uma das dimensões há uma estrutura fisiológica e hormonal específica que relaciona suas atividades de acordo com a dimensão à qual está associada.

  • Extroversão. Relacionada com o Sistema Ativador Reticular Ascendente (SARA), baseado na excitação ou inibição dos sistemas corticais internos. Dessa forma, uma pessoa com alto nível de extroversão possuiria, internamente, uma forte inibição cortical. Ou seja, teria baixa percepção dos riscos, o que se traduz em um comportamento desinibitório externo.
  • Neuroticismo. Esta dimensão está relacionada com a atividade do sistema límbico (ligado ao Sistema Nervoso Autônomo) responsável por regular as emoções e é constituído por estruturas como a amígdala e o hipocampo, entre outras. Um elevado grau de neuroticismo implica alta atividade do sistema límbico, o que significa que as emoções se ativam mais rápido e demoram mais para se dissipar.
  • Psicoticismo. É o que está menos elaborado e não tem um sistema fisiológico determinado, apesar de existir uma certa relação entre essa dimensão e o metabolismo da serotonina.

A personalidade criminal através do modelo de Eysenck

Para poder dar uma explicação da personalidade criminal através desse modelo, precisamos levar em consideração o conceito de “delito”. Este implica ter condutas extremas, assim como uma falta de empatia pelos bens materiais e pessoais alheios. Portanto, segundo o modelo de Eysenck, a personalidade criminal teria a seguinte combinação:

  • Por um lado, estaria relacionada com um elevado grau de extroversão. A ousadia, a despreocupação (aspectos fundamentais da extroversão) se caracterizariam por serem elementos constitutivos da comissão de um delito. Vamos ser sinceros, é preciso muita coragem para roubar um loja, por exemplo.
  • Em seguida, um criminoso se definiria também por baixos níveis de neuroticismo. Seu sistema límbico não se ativaria tão rápido com os estímulos que recebe. Isso implica que no momento em que pensa em cometer um delito, não tem uma visão futura das consequências dos seus atos. Esse estímulo não ativaria o sistema simpático do SNA, impedindo a pessoa de sentir culpa e, posteriormente, remorso pelos que ela fez.
  • Por fim, uma pessoa que cometeu um delito apresentaria elevado grau de psicoticismo. Ela não sente empatia e mostra uma atitude fria em relação ao que fez. O modelo de Eysenck explica de forma geral a existência de grande quantidade de personalidades diferentes. Tudo depende das combinações que podemos fazer, pois não existe uma “quantidade” fixa de cada um, apenas seguem certa gradação (exceto o psicoticismo).

Psicopata

Independentemente de outras teorias que podem ter vindo à tona posteriormente, o trabalho de Eysenck, adaptado ao mundo do crime, foi uma verdadeira inovação para tentar explicar o porquê do crime com base em um ponto de vista mais psicológico em relação à personalidade.

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