Modéstia exagerada: o que há por trás dela?

· setembro 14, 2018

A modéstia é uma atitude que nos ajuda a nos relacionar em sociedade, fazendo com que nossos sucessos não diminuam o esforço das outras pessoas. Agora, a modéstia exagerada pode fazer justamente o contrário, e impedir que nos relacionemos adequadamente com aquelas pessoas que nos rodeiam. Esses comportamentos geram uma sensação de falsidade nos demais, além da percepção de estarmos mentindo.

Não sabemos como nos comportar com alguém excessivamente modesto. Muitas vezes nos perguntamos se essa modéstia é real, e inclusive pode ser que chegue a nos gerar rejeição. A modéstia exagerada, além de causar incomodo alheio, também pode estar sabotando o futuro daqueles que se comportam dessa maneira. Vejamos a seguir.

O que é a modéstia?

A modéstia é a atitude com tendência a moderar ou diminuir o tamanho das ações externas. Implica se conter em certos limites, de acordo com as conveniências sociais ou pessoais. Também é uma qualidade ligada à humildade, a uma falta de vaidade ou de ganância.

O conceito de modéstia varia de uma cultura para outra, podendo se relacionar com várias áreas da vida humana, como a moral, a religião, estar na moda, etc.

Amigas tendo conversa animada

Em todo caso, as pessoas modestas costumam tirar a importância de alguns traços positivos de sua personalidade, ou de seus sucessos e conquistas, com o objetivo de serem respeitosas com os demais, evitando assim ferir seus sentimentos. A modéstia é um método para controlar também as expectativas daqueles que nos rodeiam.

Ela pode nos ajudar a entender o que os outros esperam de nós, o que consideram normal. Mas o que acontece se começamos a colocar nos outros o papel prioritário que devíamos estar colocando em nós na nossa vida?

A modéstia exagerada

Existem teorias sobre a origem da modéstia exagerada. Ela já foi descrita como um método de defesa daqueles que desejam que os outros não tenham expectativas muito altas sobre eles. As altas cobranças familiares e de outras pessoas queridas geram uma tensão na infância que pode se converter em uma modéstia extrema, de forma que a pessoa se arma para que os outros esperem menos dela.

Como dissemos antes, a modéstia é um mecanismo que nos permite entender o que os outros esperam de nós. Quando ela se dá de forma extrema, no entanto, afeta enormemente a ideia que os outros formam de nós. Inclusive, pode chegar a transmitir insegurança, baixa aceitação e autoestima baixa.

Em uma entrevista de trabalho, por exemplo, igualmente prejudicial a exagerar nossos sucessos é menosprezá-los. Se falarmos frases como “Sei que não estou qualificado para essa vaga, mas…” ou “Não creio que eu consiga fazer isso da forma perfeita, mas…”, estaremos abrindo a porta de saída automaticamente.

No fim das contas, a modéstia busca uma certa empatia do interlocutor. Busca gerar ternura, cumplicidade e aceitação. Com a modéstia extrema conseguimos um efeito de rejeição, como se estivéssemos implorando a aceitação do outro de forma desesperada.

O que há por trás da modéstia exagerada?

Um dos ingredientes principais da modéstia exagerada é a insegurança. As pessoas excessivamente modestas têm uma autoestima muito baixa, e buscam constantemente a aprovação dos outros. Inclusive, ainda que sejam pessoas realmente inteligentes, as pessoas extremamente modestas buscam falhas no seu trabalho, criticam tudo que produzem e dão pouca importância para suas conquistas. Isso inclusive as impede de avançar.

Esse é o principal problema para os modestos em excesso: a autossabotagem. Esse tipo de comportamento gera tanta insegurança que as pessoas que agem assim são incapazes de se arriscar e, por isso, não conseguem melhorar em nenhum aspecto. Não estamos só falando da vida no ambiente de trabalho, mas também das relações pessoais.

Amigos conversando

É possível deixar de ser exageradamente modesto?

Como qualquer outro traço da personalidade, a modéstia exagerada é difícil de mudar. No fim das contas, as pessoas que são muito modestas nem sempre são plenamente conscientes do seu problema. Mesmo que adquiram consciência sobre ele, não se atrevem a dar o passo necessário para mudar e deixar de pensar no que os outros vão achar.

Ainda que não seja fácil, é possível mudar. Para isso, temos que esquecer que as opiniões alheias existem, ao menos em grande parte do nosso dia a dia. Ao deixar de dar importância para as opiniões alheias, estaremos dando valor para as nossas.

É fundamental se sentir confortável com nossas próprias decisões, ainda que elas nem sempre sejam acertadas. E no caso de não estarmos de acordo com ninguém, isso pode pelo menos favorecer o diálogo, sem aceitarmos o que os outros pensam só porque desejamos evitar um conflito.

No fim das contas, o mais importante para deixar para trás uma modéstia exagerada é aprender a gostar de si mesmo. Aprender a respeitar a si mesmo e a aceitar a si mesmo. Esses são os primeiros passos para que os outros também nos aceitem como somos.