Motivação intrínseca: a possibilidade de fazer algo por si

· janeiro 11, 2018

Nós humanos somos seres curiosos. Buscamos sensações, temos planos e metas. Somos possuidores de uma motivação intrínseca, de um desejo de superar os obstáculos (tanto que alguns nós mesmos buscamos os obstáculos, ou alguém nos define um para que aprendamos algo – ou para nos atrapalhar, há todo tipo de gente) e alcançar merecidos prêmios ou incentivos externos. Assim somos nós, os seres humanos. Ou pelo menos a maioria deles.

Mas o que nos faz ser desse jeito? Por que buscamos metas? Da onde vem a força necessária para alcançá-las? Por que algumas pessoas conseguem sucesso nessa empreitada e outros ficam pelo caminho? Por que antes mesmo de qualquer resultado negativo, alguns seguem e outros abandonam? Também poderíamos nos perguntar: por que algumas pessoas escalam até o topo do Everest, arriscando a vida?

Veja bem, quando em um filme policial o investigador ou um detetive interroga as testemunhas e os suspeitos de um crime, algumas das perguntas que precisam de resposta para poder determinar quem foi o culpado são: qual foi a causa do crime? por que o assassino se comportou dessa maneira? As respostas nos levam para o motivo do crime.

Uma das chaves para dar resposta a todas essas perguntas está na motivação. Fascinante, não? Uma motivação positiva e bem direcionada pode ser o ponto de apoio necessário para mover o mundo. Aquilo que nos impede ou nos dá coragem, o que nos torna covardes ou valentes.

O que é a motivação?

Podemos definir a motivação a partir de 3 elementos: ter um objetivo, decidir alcançá-lo e manter-se nos planos, agindo para alcançar. A motivação é o motivo que inicia, mantém e dirige a ação de um sujeito para chegar a determinados objetivos. Na linguagem comum costumamos expressá-la de diversas formas: amor próprio, espírito de luta, ou força de vontade. Definitivamente, é uma força capaz de nos mover, um empurrão capaz de nos colocar em marcha.

Desse modo, a motivação é um estado interno que promove excitação, conduz e mantém um comportamento.

Mulher saltando com guarda-chuva

Quais são as características da motivação?

A motivação é um constructo psicológico que não podemos observar, ainda que possamos reconhecê-lo através de suas manifestações externas. É o processo que explica a intensidade, a direção e a persistência do esforço de uma pessoa para alcançar uma meta.

As características de um comportamento motivado são as seguintes:

  • Tem um propósito: é orientado e dirigido para uma meta que a pessoa quer alcançar.
  • É forte e persistente: as pessoas gastam uma grande quantidade de energia para alcançar os objetivos que propõem a si mesmas, superando os obstáculos que surgem no caminho.
  • Os motivos estão organizados hierarquicamente. Há motivos que são funções de sobrevivência, outros estão orientados para uma meta de crescimento pessoal.
  • Os motivos podem ser compreensíveis ou até mesmo inexplicáveis: conscientes ou inconscientes. Nem sempre somos conscientes da motivação de nossos comportamentos.
  • Os motivos podem ser extrínsecos ou intrínsecos. Um trabalhador de uma fábrica de automóveis pode estar motivado por ver um salário no fim do mês ou por querer melhorar sua reputação com seu chefe. Esse comportamento é fruto de uma motivação extrínseca, já que são agentes externos que motivam a realizar a tarefa. Uma motivação intrínseca seria um comportamento que é realizado pelo simples prazer de fazer uma tarefa. No caso do trabalhador, pode ser uma busca por sentimentos de competência ou maestria.
  • A motivação extrínseca vem de fora, de alguém ou algo que gere essa motivação. O comportamento motivado por reforços externos não guarda interesse pessoal puro, vindo de si mesmo, mas sim interesse por uma recompensa externa que é associado ao comportamento. Pense em um aluno ao qual foi prometido um presente se alcançar determinada nota na prova.
  • A motivação intrínseca não depende de nada externo, apenas do desejo interno do indivíduo. Uma pessoa com uma motivação intrínseca possui uma força interior que o impulsiona a dominar uma situação para ter êxito. Pense em um aluno que pensa na prova como uma oportunidade para refletir e seguir aprendendo sobre o que está sendo ensinado.

“As necessidades humanas são inclassificáveis, porque o homem é capaz de precisar de tudo, inclusive do que existe apenas na sua própria imaginação.”
-J.L. Pinillos-

A motivação intrínseca

Explicando de uma maneira simplificada, a motivação intrínseca é definida como um motivo naturalmente ligado a determinado comportamento. O próprio incentivo é intrínseco à atividade, ou seja, é a realização do próprio comportamento o que nos move.

Os motivos que conduzem à realização da atividade ou da tarefa são inerentes a nossa pessoa e a própria atividade. Desse modo, esse tipo de comportamento é diretamente ligado às motivações pessoais de cada um.

Por exemplo: quando dedicamos tempo para um hobby, quando realizamos uma atividade pelo simples fato de querer superar nosso próprio desempenho, a motivação é intrínseca. Geralmente essa situação é observada no meio esportivo, ou também quando temos uma motivação pessoal para um projeto que possui muito valor para nós, ainda que para os outros possa parecer completamente sem sentido prático. Pense nas pessoas que adoram cozinhar e que cozinham pelo simples fato de gostarem disso.

Mulher feliz e motivada

As 3 melhores fontes de motivação intrínseca

São muitas e variadas as fontes de motivação intrínseca. Desse modo, vamos focar as três mais importantes:

Necessidade de sucesso

A motivação intrínseca de sucesso tem muito a ver com o impulso de superação. É a tendência de realizar uma tarefa pela satisfação de fazê-la e porque a partir de sua execução é possível se aperfeiçoar ou adquirir determinadas habilidades ou capacidades. É uma busca por um sentimento de competência.

As pessoas com alta motivação de sucesso possuem as seguintes características:

  • São inovadoras e empreendedoras.
  • Buscam a excelência ou o sucesso profissional a partir de seu próprio esforço.
  • São persistentes para alcançar seus objetivos.

Necessidade de pertencer

É o interesse por estabelecer ou manter uma relação afetiva positiva com muitas pessoas. Normalmente as pessoas motivadas desse modo buscam o contato social e costumam participar de muitos grupos, pequenos e grandes, e não gostam de estar sozinhas.

As pessoas com alta motivação por pertencer têm as seguintes características:

  • Suas relações costumam ser de mais qualidade e mais afetuosas que das pessoas com uma baixa necessidade de pertencer.
  • São pessoas que precisam de muito carinho e afeto continuamente para se sentirem especiais.
  • Costumam ter bastante medo da rejeição social, e buscam continuamente a aceitação de seu grupo, motivo pelo qual tendem a realizar comportamentos que não necessariamente as agradam.
  • Têm tendência a evitar situações conflituosas a qualquer custo.
  • Preferem situações cooperativas do que competitivas.
  • Não costumam obter grandes triunfos em cargos executivos que requerem capacidade de dar ordens.

Necessidade de autorrealização

Foi o psicólogo Maslow o primeiro a definir essa necessidade ou, melhor dizendo, conjunto de necessidades. A autorrealização é um ideal que todo homem almeja alcançar.

Homem relaxando em parque

Satisfazer-se mediante oportunidades de desenvolvimento de talentos pessoais para seu potencial máximo, de expressar ideias e conhecimentos, crescer e desenvolver-se como uma grande pessoa, para que cada ser humano seja diferente dos outros. Para Maslow, os homens que conseguem alcançar a autorrealização ao seu máximo passam a exercer integralmente seu potencial.

Seja qual for seu tipo de motivação, o que sabemos é que a motivação intrínseca costuma ser muito constante ao longo do tempo. Isso porque diz respeito a características pessoais, e não a elementos circunstanciais da vida. Além disso, são motivações mais gerais que as extrínsecas, já que sempre podem ser satisfeitas de várias formas. Finalmente, podemos dizer que a motivação não costuma ser tão simples e isolada, comumente havendo uma mistura de motivações externas e internas.

Bibliografia:

Bandura, A. y Walters, R. Aprendizaje social y desarrollo de la personalidad. Madrid: Alianza.

Augusto, J.M., López-Zafra, E. y Martínez de Antoñana, R. (2004). Introducción a la Psicología Social. Madrid. Ed. El Lunar.

Morales, J. F. (coord.) (1999). Psicología Social. 2º edición. Madrid. Mc Graw-Hill.