Tenho muita vontade de não pensar em você

Tenho muita vontade de não pensar em você

agosto 26, 2015 em Emoções 0 Compartilhados
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Fico nesse bar me perguntando quanto seria capaz de pagar pelo esquecimento. Não tenho dó das roupas; venderia todas e ficaria nua. Não pode fazer mais frio do que o que sinto agora e o resfriado não me obrigaria a descansar mais que a dor que guardo no espaço que há entre o copo e meus lábios. Invisível e levitando.

Queima mais do que o álcool puro e guarda a esperança enganosa das dores, como gotas caindo sobre uma pedra. Imagino dois mundos separados por um enorme precipício. Em um está você e no outro você não está, e tenho a sensação de que não posso viver em nenhum dos dois.

Não é a primeira vez que me apaixono

“Digo isso para que você não me diga que isso acontece. Disso eu já sei. Conheço o caminho, obrigado!”
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E foi assim que eu o conheci; ele estava atrás do balcão e eu tentando encontrar um fim para o meu drama. Ele pensou que eu estava afogando as dores e eu me coloquei na pele do personagem que depois imitei. Palavra por palavra, letra por letra.

Nesse personagem, tranquei todos os meus medos e as palavras que utilizei para fazer sua caricatura, mas serviram somente para que escapassem por um lugar que desconheço. Agora me encontro em outro bar e com o coração partido em mil pedaços, tão pequenos que me fazem invisível.

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Sou como uma verdade cruel, alguém que você apresentaria somente depois de ter descartado todas as ideias possíveis para não ter que fazê-lo. Para não ter que chegar nesse momento em que tudo explode pelos ares e você percebe que não há como voltar atrás.

Embora você não conheça todos os segredos do mundo, você tem a certeza de que nenhum pode consertar o mal da sua última queda. Seco, surdo e inocente por fora. É então quando o amor passa a se transformar em uma bolha que você não pode tocar, nem mesmo deixar de olhar, até que explode no pior dos silêncios.
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Enquanto isso, você tenta encontrar uma maneira de dizer a todos que a pessoa que até ontem você defendia até a morte já não é a mesma, e você já não pode fazer isso porque esse papel já não lhe corresponde. É assim, a realidade pouco a pouco vai se impondo, chega como as ondas da praia e entre maré e maré estão as noites para pensar.

Sem olhar o relógio, de repente tenho a sensação de que já é muito tarde e de que o garçom que começou a limpar as últimas mesas não será a inspiração para a minha próxima vida.

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No entanto, uma preguiça horrível me invade. Caminhar até a minha casa de olho no que vem atrás de mim, abrir a porta, tirar a roupa e esquentar os lençóis frios impõe um cotidiano em meu mundo que me preocupa.

Pago com as voltas de todo dia e saio para a rua. Está congelada e é fácil deslizar. Vejo um leão desenhado num cartaz iluminado e me pergunto o que faria se saísse agora para um encontro. Então me lembro de que sou invisível e nada poderia fazer com que eu me importasse.

Uma voz dentro de mim me chama de mentirosa. As lágrimas começam, uma a uma, a desenhar rastros em minhas bochechas. Assim, enquanto rompo o silêncio das ruas com meus passos e reconheço como meu um pedacinho do meu coração, começo a temer o leão.

Ao mesmo tempo em que me dou conta de que a vida ainda tem coisas para tirar de mim, chego à conclusão de que ainda existem coisas pelas quais viver.

Então o sonho me invade, começo a pensar no protagonista da minha próxima história…
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Créditos da imagem: bruneiwska

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