Se você não gosta de alguém, sempre existe a alternativa de ir embora

· outubro 30, 2016

Se você não gosta de alguém, se essa pessoa é desagradável, que você não mantenha nenhuma relação com ela se assim quiser, que vá embora se é o que deseja. Você não está aqui para satisfazer ninguém, nem para tolerar o intolerável. Escolha sempre a distância tranquila ao invés da falsa hipocrisia.

Os especialistas em psicologia interpessoal (encarregada de estudar os vínculos das pessoas com os seus círculos sociais mais próximos) afirmam que, em média, de todas as pessoas com quem cruzamos num dia, pelo menos 10% não seriam do nosso agrado se as conhecêssemos. Ou seja: não encaixariam em nossos mapas pessoais, nem nos quebra-cabeças da nossa vida.

Do mesmo modo que ao longo dos nossos dias executamos pequenas rotinas de “higiene pessoal” para manter a saúde e ter uma boa imagem, é necessário que comecemos a praticar também o que se conhece como “higiene mental”. Um dos seus primeiros postulados é tão simples quanto essencial: não tente gostar de todo mundo. É uma fonte de sofrimento realmente inútil.

Contudo, o não gostar não significa que devemos reagir com firmeza ou agressividade demarcando território. No fim, a convivência não deveria ser tão complicada. Baseia-se apenas em “ser” e “deixar ser”. Em “não faça comigo o que você não gostaria que fizessem com você”.

Devemos ser habilidosos arquitetos dessa sinceridade cortês e construtiva onde ninguém se machuca. Onde nunca se recorra a essa falsa hipocrisia que vemos todos os dias nos nossos círculos mais próximos.

Propomos que você reflita sobre isso.

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Quando você não gosta das pessoas que são importantes para você

O gostar ou não gostar de determinadas pessoas em algumas ocasiões implica certos cuidados. Isso é devido a não existência de nenhum vínculo significativo, porque não existe nenhuma obrigação emocional em relação a esse indivíduo de maneira concreta. Contudo, o mais complexo surge quando percebemos que não gostamos nem nos encaixamos com figuras relevantes que são muito próximas.

Existem momentos vitais tão amargos quanto complexos. Imaginemos um adolescente ou um jovem recém-ingressado na idade adulta, que toma plena consciência de que sua maneira de ser, pensamentos e valores não se encaixam com os dos seus pais. Por sua vez, também é doloroso ver que nós não gostamos de alguém que nos atrai. Que necessitamos dessa “faísca” para gerar uma cumplicidade, uma atração, uma intimidade.

Se for o caso de hoje estarmos vivendo esses tipos de situações, é preciso focá-las do seguinte modo.

  • O que os outros falam de nós nunca deve ser mais importante do que o que nós mesmos achamos sobre a nossa pessoa. Não deixe que sua autoestima se sustente por nenhuma hierarquia. Se você não gosta do caráter da sua família, a raiz do verdadeiro problema são eles, não você. Por isso não se afaste da sua essência, daquilo que o define, daquilo que lhe oferece luz, vida e caráter.

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Outro aspecto a ter em mente é a busca constante de aprovação que muitas pessoas precisam para que sintam que realmente “valem algo”. Nunca se deixe levar por essa corrente tão perigosa. As palavras alheias não o definem, o que o define é o seu amor próprio.

  • É preciso que saibamos com clareza quem somos, o que nos define e quais razões temos para nos sentirmos orgulhosos de nós mesmos. Além disso, é recomendável que tenhamos o pleno direito de sermos imperfeitos.
  • O que os outros pensam ou acham nunca deve estar acima das suas próprias crenças, expectativas ou valores.
  • Você deve ser capaz de praticar a honestidade consigo mesmo. Saiba que se você não gosta de alguém, não é preciso forçar o impossível nem se conformar com falsas “migalhas”. O carinho ou o amor forçado não servem, não são úteis, são venenosos.

Por isso, lembre-se, não está em nossas mãos nem é nossa obrigação gostar de todo mundo à força. Se alguém não o respeita tal e como você é, é porque não gosta tal e como você merece.

O sutil tecido da hipocrisia

Existem hipócritas camuflados de melhores amigos. Existem falsos amores que navegam em amargos oceanos movidos por ventos hipócritas. Também existem pais e mães que se vendem como bons educadores, quando na verdade não conhecem as necessidades dos seus filhos.

O sutil tecido da falsa hipocrisia está presente em muitos dos nossos círculos mais próximos. Além disso, inclusive somos capazes de identificá-la e tolerá-la. Com certeza próximo de você existe alguém que todo dia diz o quanto você é agradável, o quanto ela gosta de você e a maravilha que você é. “Você faz tudo bem!”, comenta com um ar carregado de uma certa falsidade, cheirando a uma desagradável hipocrisia.

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Não faça isso, não permita esses comportamentos. A curto prazo são asfixiantes e a longo prazo destrutivos. Na verdade, hipócrita deriva de “hypokrisis”, que significa fingir, atuar ou falar com máscaras. Entretanto, e como dados a considerar, Noam Chomsky, linguista e analista social, afirmava que a hipocrisia é na verdade um dos piores males da nossa sociedade.

Levada ou aplicada a esferas mais complexas, é capaz de promover injustiças, como as desigualdades, a guerra e todo tipo de violações dessa atitude perversa de mentira. Não é o adequado. É preciso romper esse hábito e deixar caírem as máscaras para conviver com maior integridade, com maior respeito.

Se você não gosta de algo ou algo lhe parece uma injustiça, não é preciso baixar a cabeça e ceder porque todos esperam que você faça isso. Se você não gosta de alguém, que se afaste, que vá embora se você assim desejar, mas que se desprenda dessa dança da falsidade. Que não lhe tragam nuvens de hipocrisia quando você defender com clareza os corações dignos e respeitosos.