Não sei como devo me sentir: por que isso acontece e como remediar?

23 Janeiro, 2021
As emoções surgem automaticamente em resposta a eventos externos. Mas e se não fosse assim? Por que às vezes não sabemos como devemos nos sentir? Descubra a seguir.

A maioria de nós tem dificuldade para lidar com as próprias emoções. Existem aqueles que têm dificuldade em expressar o que sentem, e outros que têm dificuldade em se controlar para não reagir de forma desproporcional. No entanto, alguns enfrentam um dilema muito mais confuso e podem chegar a dizer: “Não sei como devo me sentir diante disso”. A afirmação acima lhe parece familiar? Se sim, você precisa saber que não está sozinho e que não perdeu o juízo.

Para muitas pessoas, pode ser inconcebível que alguém não saiba como se sentir. Afinal, as emoções surgem automaticamente. No entanto, aqueles que passaram por isso saberão do que estamos falando.

A impotência de querer reagir e não saber em que direção fazê-lo, a confusão de que essas emoções não vêm sozinhas e temos que decidir qual escolher. Como quase tudo, isso também é produto de um aprendizado disfuncional que podemos e devemos modificar.

Mulher preocupada com as suas emoções

Por que isso acontece?

Essa curiosa situação se revela em vários momentos do cotidiano. Por exemplo, quando recebemos uma nota de uma prova, podemos não ter certeza se devemos ficar felizes ou insatisfeitos por não termos conseguido ir melhor. Nesse momento, recorremos ao nosso ambiente para encontrar pistas sobre como devemos nos sentir. Os outros nos dão parabéns ou não dão muita importância? Os demais colegas obtiveram notas melhores ou piores?

Também é muito comum que isso aconteça em uma discussão, quando alguém nos desrespeita ou nos trata de forma inadequada. Sabemos que isso não está certo e, no entanto, não sabemos se devemos ficar tristes ou com raiva. Não temos certeza se queremos nos afastar da outra pessoa ou conversar para tentar resolver o conflito.

Como podemos ficar tão perdidos em relação aos nossos próprios sentimentos? Quando uma pessoa passa por essa situação com frequência, uma coisa é certa: ela se desconectou de si mesma. Não é que ela não saiba o que sente, mas que se privou do direito de sentir. Quando algo acontece, você não se pergunta como isso te afeta, mas como seu ambiente espera que isso te afete.

Apego ambivalente

Se você não sabe como se sente, é porque aprendeu a se desconectar dos seus próprios estados para atender aos dos outros. Isso ocorre quando uma relação de apego ambivalente é estabelecida com os pais.

Os pais que produziram este tipo de apego apresentam um padrão inconsistente de reações, ora muito atentos ao filho e ora passivos, indiferentes ou até irritados. Isso faz com que a criança cresça em um mundo afetivo muito imprevisível, diante do qual não encontra meios ou ferramentas de controle.

Além disso, a ambivalência faz com que a criança preste uma atenção excessiva ao outro. Transportado para a vida adulta, aumenta a probabilidade de a pessoa agir de acordo com as expectativas dos outros. O que os outros vão pensar de mim se eu ficar com raiva? E se eu ficar triste? Qual das duas opções me permitirá obter uma aprovação?

Geralmente, são indivíduos com muita insegurança e baixa autoestima. A necessidade de agradar, de se encaixar, de transmitir uma imagem adequada pesa mais no nível inconsciente.

Jovem enfrentando suas emoções

Não sei como devo me sentir: o que fazer?

Em primeiro lugar, não se culpe. A estratégia de se desconectar das suas próprias necessidades para atender ao exterior era algo de que você precisava há muito tempo, algo que lhe permitia sobreviver. Hoje, como um adulto funcional, você precisa se priorizar e perder o medo de ser rejeitado ou reprovado pelos outros. Se você não sabe como se sentir, é porque nunca se permitiu sentir livremente e chegou a hora de aprender.

Portanto, comece esclarecendo seus valores e princípiosO que é importante para você? Quais são seus padrões pessoais e em relação aos outros? Isso te ajudará a descobrir como se sente e como deseja reagir quando eles forem violados.

Acima de tudo, tente colocar seus medos de lado: tanto o medo do que os outros podem pensar quanto o medo de perdê-los. Muitas vezes, a tristeza é melhor recebida em nosso ambiente do que a raiva, por isso optamos por nos mostrar tristes e submissos embora queiramos ficar com raiva. Pelo contrário, outras vezes escolhemos a raiva sem realmente senti-la: pensamos que isso fará com que os outros nos vejam como mais fortes e confiantes.

Esqueça todos os fatores condicionantes externos e comece a entender como as situações realmente afetam você. No início provavelmente será difícil, mas com o tempo você vai se reconectar consigo mesmo. Você tem o direito de sentir.

  • Casullo, M. M., & Liporace, M. F. (2005). Evaluación de los estilos de apego en adultos. Anuario de investigaciones12, 183-192.
  • Valencia Pérez, X. (2016). El manejo de la impresión y la necesidad de aprobación social como moderadores entre la personalidad y la salud mental (Master’s thesis, Universidad Iberoamericana Ciudad de México. Departamento de Psicología).