Narcisismo, o erro de pensar que você é importante demais

· agosto 16, 2016

Provavelmente todos sabem como é conviver com uma pessoa para quem o ego é tudo. Essa sensação tóxica de ter que lidar com um narcisismo que apenas quer se exibir e crescer diante dos outros acaba sendo insuportável.

Ou seja, conviver com alguém que se nega a fazer uma autocrítica é como colocar pedras em um saco rasgado ou, dito de outra forma, falar com uma parede. Isso, infelizmente, aparece em certos âmbitos como uma característica de sucesso. Isso ocorre porque de alguma forma uma característica psicológica como o narcisismo é capaz de apagar os outros benefícios da luz própria.

Prepotentes, fantasiosos, com necessidade de admiração e ares de grandeza. Assim são as pessoas que empunham a bandeira do narcisismo, que se esquecem do que os outros sentem, que esperam ser reconhecidos como superiores e se divertem em suas fantasias de sucesso, poder, brilho, beleza ou amor ilimitado. Eles sentem que são únicos e que existe algo que os faz inigualáveis.

No entanto, sua autoestima é quase sempre frágil apesar de acreditarem que, através de suas atribuições, muitas de suas qualidades os fazem seres superiores. São muito sensíveis ao “dano” da crítica e da derrota, o que faz com que diminuam muitas vezes seu rendimento e seu funcionamento profissional, o que pode chegar a se manifestar em episódios depressivos. Por outro lado, nos momentos de grandiosidade a sensação que prevalece é um estado de ânimo maníaco ou hipomaníaco.

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Os que abraçam o narcisismo esperam que os reconheçam como seres superiores e, portanto, exigem uma atenção e admiração constante. Geralmente eles se preocupam que reconheçam seu trabalho e mantêm a expectativa de que sejam recebidos sempre “com festa”. Essas pessoas geralmente são invejosas e acreditam que os outros as invejam, o que faz com que se comportem de maneira arrogante e paternalista.

Seu senso de direito e sua falta de sensibilidade em relação às necessidades e aos desejos dos outros pode conduzir à exploração consciente ou inconsciente das outras pessoas. Assim, essa qualidade faz com que eles esperem e exijam dos outros uma dedicação especial. Se os demais respondem como eles gostariam, eles terão a determinação de dar privilégios especiais e recursos adicionais a quem acreditam que os mereça.

Além disso, conforme detalhado neste tipo de problema de personalidade, eles tendem a discutir suas preocupações e interesses de forma inadequada longa e detalhadamente, sem reconhecer os sentimentos e as necessidades dos outros. E mais, tendem a se mostrar impacientes com os outros quando esses falam de seus problemas e preocupações, criticando e olhando com desprezo os problemas das outras pessoas.

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Narcisismo: vaidade de quem não tem outra coisa para exibir

Caminhava com meu pai quando ele se deteve numa curva e, depois de um pequeno silêncio, me perguntou:

– Além do cantar dos pássaros, você escuta mais alguma coisa?

Agucei os meus ouvidos e alguns segundos depois respondi:

– Estou escutando o barulho de uma carroça.

– Sim – disse meu pai – É uma carroça vazia.

– Como você sabe que é uma carroça vazia, se ainda não a vemos? – perguntei ao meu pai.

– É muito fácil saber quando uma carroça está vazia, por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz – me respondeu.

Virei adulto e até hoje quando vejo uma pessoa falando muito, interrompendo a conversa de todos, sendo inoportuna ou violenta, gabando-se do que tem e mostrando-se prepotente e fazendo menos das outras pessoas, tenho a impressão de ouvir a voz de meu pai dizendo:

“Quando mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz”.

A humildade consiste em calar nossas virtudes e deixar que os outros as descubram. E lembrem-se de que existem pessoas tão pobres que o único que têm é dinheiro. E ninguém está mais vazio do que aquele que está cheio de si mesmo. Geralmente, como se extrai desse texto, a arrogância, prepotência e o egocentrismo fazem muito barulho, diferentemente da imagem saudável de si mesmo (autoestima).

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As pessoas que se sentem muito importantes pulam como uma mola quando percebem qualquer tipo de ataque real ou imaginário, porque qualquer detalhe mínimo as faz sentir que tudo é uma ofensa e que estão lhe faltando com o respeito. Essa busca de reafirmação constante geralmente sai caro em suas relações pessoais e em seu desempenho vital.

Esse tipo de atitude nos faz reagir com rejeição, o que por sua vez perpetua o vitimismo dessas pessoas. Elas pensam que têm em seu poder a verdade absoluta sobre os outros, teorizam sobre carências e os problemas dos outros a respeito de si mesmos. Pouco a pouco vão afastando as pessoas do seu caminho, pessoas que realmente gostavam delas e que podiam lidar com suas dificuldades graças ao carinho que professavam.

Nesse sentido, não podemos esquecer que as pessoas que se comportam assim precisam de ajuda. Cabe a nós tentar ajudar e podemos nos aproximar deles, recomendar que consultem um profissional. Embora conseguir isso não seja fácil, nunca é tarde para tentar.