Os neurônios-espelho, pornografia e riscos

Os neurônios-espelho, pornografia e riscos

setembro 19, 2015 em Psicologia 3 Compartilhados
neurônios

Nunca como neste momento os seres humanos tiveram acesso a este tipo de pornografia a la carte. É uma das buscas mais populares da Internet. Todos, jovens, idosos e até crianças, podem acessar uma página para adultos sem praticamente nenhuma restrição. Mesmo aqueles que nunca se sentiram atraídos pela pornografia aumentaram a curiosidade para este tipo de conteúdo.

Deixando de lado as questões morais que muitos podem ter a este respeito, a verdade é que experiências pornôs estão levantando novas questões sobre o comportamento humano. O número de viciados em pornografia tem aumentado e, aparentemente, também está mudando o comportamento dos não viciados.

Os neurônios-espelho e a pornografia

Os neurônios-espelho foram descobertos acidentalmente em 1992, pelo cientista Giaocomo Rizzolatti e sua equipe. Como o nome indica, este tipo de células faz uma parte do cérebro funcionar como um espelho. Em macacos, os pesquisadores foram capazes de comprovar que as reações do cérebro dos primatas, durante a observação de um ato, eram semelhantes a reação cerebral dos que o praticavam.

Esse mecanismo de espelho é verificado no caso da pornografia. Quem vê um vídeo com conteúdo sexual não experimenta as cenas como se fossem alheias. De fato, as reações de seu corpo e sua mente indicam que o observador percebe tudo como se fosse o protagonista da situação. Neste caso, o cérebro não discrimina o real do imaginário. Quem está assistindo a um filme pornô não está olhando, está fazendo sexo. Pelo menos é assim que o cérebro registra.

Em um estudo realizado na Universidade de Cambridge pelo Dr. Valerie Voon, as reações do cérebro de um grupo de homens viciados em pornografia foram comparadas com a de um outro grupo que não sofria dessa dependência. O resultado foi que o grupo saudável se sentiu excitado ao ver as imagens, mas o grupo dos viciados teve uma excitação duas vezes maior. Isto coloca o vício pornô no mesmo nível de dependência do álcool e de outras drogas psicoativas.

Os riscos

O vício é apenas uma das consequências do consumo frequente da pornografia. No caso de pessoas que não estão nesse nível de dependência, os efeitos indesejáveis também são apresentados.

Os vídeos pornôs são imagens basicamente fictícias. Técnicas, posições e situações sexuais que raramente correspondem às práticas comuns. Um dos maiores riscos do uso intensivo da pornografia é que muitos espectadores assíduos não conseguem mais sentir prazer em situações comuns.

Frente a um filme com muito êxtase, a realidade pode ser decepcionante. E o casal real pode estar aquém das capacidades que parecem apresentar as estrelas pornôs. O cérebro exige estímulos mais intensos e o desejo sexual deixa de acontecer.

O que é mais preocupante é que a sexualidade começa a se orientar pelo que algumas correntes da psicologia chamam de “ato puro”. Isto se refere a esse tipo de ações básicas que estão precariamente dotadas de significado e, portanto, tornam-se compulsivas e angustiantes. Não dão lugar ao erotismo, no sentido mais amplo do termo, mas ao ato físico breve.

Os usuários frequentes de sites pornográficos são também indivíduos que estão se tornando bastante solitários. Acontece que, a princípio, procura-se a pornografia em casal, mas com o tempo isto se tornará uma prática privada.

Talvez seja por isso que o mundo hoje foi descrito por alguém como uma terra na qual seres solitários e deprimidos estão escondendo a realidade por trás de uma tela.

Imagem cortesia de Camila Arango.

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