Ninguém aprende na cabeça dos outros

Ninguém aprende na cabeça dos outros

setembro 7, 2015 em Psicologia 1658 Compartilhados
aprende

…e ninguém nasce sabendo

Aprender é um processo fascinante, mas fascinante não significa agradável ou fácil, ou que a cada momento de nossas vidas estaremos preparados para assimilar as coisas de acordo com a profundidade que elas exigem.

Nós começamos o processo de aprendizagem através da observação do mundo com os olhos bem abertos, olhando com um rosto perplexo o que acontece ao nosso redor. Vemos um objeto aparecer e desaparecer e assumimos que ele é o mesmo, mas a realidade das coisas permanece além do campo de nossos sentidos. Nós percebemos que os outros entendem uma linguagem comum e não os balbucios que usamos.

Assim, escolhemos nos comunicar dessa maneira porque também queremos compartilhar da experiência de pedir, de expressar a nossa opinião…
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não se aprende na cabeça dos outros

Incorporamos a experiência pronta a partir da nossa observação. Derrubamos a colher de mingau ou a jarra no chão e temos uma explosão com a gravidade. Isso é muito mais interessante, com certeza, que a raiva dos pais ou gestos de cumplicidade dos avós que, em alguns casos, também parecem redescobrir a gravidade à sua própria maneira.

Conforme continuamos a crescer, supomos que nossos pais também sigam crescendo. Nenhum crescimento é simples; os pais querem proteger os seus filhos, mas, ao mesmo tempo, os filhos querem cada vez mais liberdade.

Assim, os pais um dia percebem que seus filhos deixaram o círculo que eles dominavam, e que há muitas coisas com as quais seus filhos terão de lidar sozinhos. No entanto, para eles, é ainda mais difícil entender que há outras coisas em seu círculo, que eles já sabem, mas que seus filhos terão que aprender por conta própria.
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O sabor de quando se aprende

Estou certo de que um adolescente poderia ler toda a literatura existente sobre o amor, mas nunca saberia como vivê-lo. Claro que existem grandes descrições do mesmo, mas só o reconhecemos quando nós já o sentimos. Antes, nos soa como algo externo e um pouco estranho.

Então, há certos aprendizados que só se produzem quando a experiência se dá em primeira pessoa. Por quê? Porque eles são lições que têm a ver com a gente, nas quais estamos envolvidos diretamente. São processos emocionais complexos que temos que desenvolver para alcançar a maturidade e definir o nosso caminho.

Dito de outra forma, por mais parecido que seja o nosso genoma, cada um de nós tem um nível de aceitação e tolerância particular; precisamos aprender a nos mover ao redor do mundo com as nossas próprias características e não com a de qualquer outra pessoa.
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Precisamos chegar à nossa própria definição de amor, ódio ou desconfiança. São precisamente estes detalhes individuais que fazem a diferença: o que nós fazemos e não o que as outras pessoas tentam nos dar como conselhos.

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Assim, existem dores que não podem ser evitadas. Por exemplo, a primeira grande decepção com uma amizade. Alguém poderia ter nos avisado de que esse alguém não era boa pessoa, de que deveríamos nos afastar, mas precisamos verificar, precisamos ver com nossos próprios olhos.

Precisamos conhecer em profundidade o processo que conduz à decepção, pois assim iremos desenvolver a resiliência necessária ao longo de nossas vidas, quando há muito mais em jogo do que algumas noites mal dormidas por uma amizade desfeita.

Podemos colocar limites em nossas experiências?

É claro que existem limites e que devemos impedir que alguém se atire de uma ponte, mas tenho a sensação de que estes limites, na maioria dos casos, pecam por serem exageradamente restritivos, e não o contrário.

Isso não é só importante porque podemos impedir alguém de aprender, mas também porque fazemos com que este aprendizado ocorra muito mais longe de nós do que seria o esperado no início.

A pessoa em questão poderá se afastar, temendo que estejamos tentando influenciar quando não somos necessários. Com isso, muitas vezes não podemos ajudar nos momentos realmente importantes, transformando-nos em duas pessoas desconhecidas, cada vez mais distantes.
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