Ninguém perde por dar amor, perde quem não sabe recebê-lo

Você já se arrependeu por ter dado todo o seu amor a alguém que, na verdade, não o merecia? Acredite: a grande tragédia não é essa, e sim não saber amar.
Ninguém perde por dar amor, perde quem não sabe recebê-lo
Valeria Sabater

Escrito e verificado por a psicóloga Valeria Sabater em 02 Dezembro, 2021.

Última atualização: 02 Dezembro, 2021

Ninguém perde ao dar amor, porque oferecê-lo com sinceridade, paixão e carinho nos dignifica como pessoas. Por outro lado, quem não sabe recebê-lo nem cuidar desse imenso presente é quem realmente perde. Por isso, lembre-se: nunca se arrependa de ter amado e perdido, pois o pior é não saber amar.

Felizmente, a neurociência está nos oferecendo informações reveladoras dia após dia que explicam por que agimos como agimos no âmbito do amor. A primeira coisa a lembrar é que o cérebro humano não está preparado para a perda. Ela nos supera, nos imobiliza e nos enclausura por um tempo no palácio do sofrimento.

“O amor não tem cura, mas é a cura para todos os males”.
-Leonard Cohen-

Somos geneticamente programados para nos conectarmos uns com os outros e construirmos laços emocionais com os quais nos sentimos seguros, com os quais construir um projeto. É assim que sobrevivemos como espécie, “conectando”. Por isso, uma perda, uma separação e até mesmo um simples mal-entendido disparam instantaneamente o sinal de alerta em nosso cérebro.

Outro aspecto complexo sobre o tema das relações afetivas é a forma como enfrentamos essa separação, essa ruptura. Do ponto de vista neurológico, pode-se dizer que os hormônios do estresse começam a ser liberados instantaneamente, formando em muitos casos o que é conhecido como “coração partido”. Porém, do ponto de vista emocional e psicológico, o que muitas pessoas sentem é outro tipo de realidade.

Elas não vivenciam apenas a dor pela falta do ente querido. Eles sentem uma perda de energia, de respiração vital. É como se todo o amor dado, todas as esperanças e afetos dedicados àquela pessoa se fossem também, deixando-as vazias, estéreis, murchas…

Então… como podemos amar de novo se a única coisa que vive dentro de nós é o pó de uma memória ruim? Precisamos enfrentar esses momentos de uma forma diferente. Falaremos sobre isso a seguir.

Razão ou emoção?

Dar amor ou evitar amar novamente

Todos nós somos um compêndio delicado e caótico de histórias passadas, emoções vividas, amargura enterrada e medos camuflados. Quando um novo relacionamento começa, ninguém o faz enviando previamente todas as suas experiências anteriores para a lixeira. Ninguém começa do zero. Tudo está lá, e a maneira como administramos nosso passado nos fará viver um presente afetivo com mais maturidade, com mais plenitude.

“É melhor ter amado e perdido
do que nunca ter amado ”
-Alfred Lord Tennyson-

Agora, o fato de ter vivido uma traição amarga ou, simplesmente, ter percebido que o amor se desvaneceu no coração do parceiro muda muito a forma como vemos as coisas. Dar amor com intensidade durante um certo tempo, e depois ficar vazio e enclausurado na sala das memórias e ilusões perdidas, muitas vezes muda a arquitetura da nossa personalidade.

Não faltam os que ficam desconfiados, e mesmo os que aos poucos vão desenvolvendo a armadura fria de isolamento onde internalizam o mantra clássico do “melhor não amar para não sofrer “. No entanto, é necessário derrubar uma ideia básica nesses processos de lenta “autodestruição”.

Nunca devemos nos arrepender de ter amado, arriscando tudo ou nada por aquela pessoa. São esses atos que nos dignificam, aqueles que nos tornam humanos e maravilhosos ao mesmo tempo. Viver é amar, e amar é dar sentido às nossas vidas por meio de todas as coisas que fazemos: nosso trabalho, nossos hobbies, nossas relações pessoais e emocionais…

Se renunciarmos ao amor ou nos arrependermos de tê-lo oferecido, renunciaremos também à parte mais bela de nós mesmos.

A cura após o fim

De acordo com um estudo realizado na University College London, existem certas diferenças entre homens e mulheres quando se trata de lidar com o fim de uma relação amorosa. A resposta emocional parece ser muito diferente. As mulheres sentem muito mais o impacto da separação, mas é comum que se recuperem mais cedo do que os homens.

Eles, por sua vez, costumam parecer bem, vestem-se com a máscara da força, refugiando-se em suas ocupações e responsabilidades. No entanto, nem sempre conseguem superar o fim ou demoram anos a fazê-lo. A razão? O sexo feminino costuma ter melhores habilidades para controlar seu mundo emocional. Facilitar o alívio, buscar apoio e enfrentar o que aconteceu a partir de uma perspectiva de perdão faz com que seja mais fácil virar a página.

Seja como for, independentemente do sexo ou do motivo que causou o término, algumas coisas que precisam ser inoculadas em nossos corações são claras. Nenhuma falha emocional deve acabar com a nossa chance de sermos felizes novamente. Vamos dizer “não” a ser escravos do passado e reféns eternos do sofrimento.

Cuidar do amor

Outro aspecto que é bom lembrar é que amar não é sinônimo de sofrimento. Não alimente esperanças ou prolongue um relacionamento que tem uma data de expiração antecipada. Uma retirada a tempo salva corações, e uma despedida corajosa fecha uma porta para abrir outra, aquela onde o amor está sempre conjugado com a palavra FELICIDADE.

Imagem principal cortesia de Amanda Cass.

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