Nossa tristeza precisa de empatia, não de ignorância

Nossa tristeza precisa de empatia, não de ignorância

julho 26, 2017 em Psicologia 1558 Compartilhados
Nossa tristeza precisa de empatia, não de ignorância

Sentir empatia pela tristeza própria às vezes é uma tarefa complicada. Sentir empatia pela tristeza que sentimos significaria, em primeiro lugar, admitir que ela existe de fato. Não envergonhá-la por aparecer, nem reprimi-la por existir. A tristeza fala de uma dor que tocou a própria alma, uma dor que dói e que precisa ser vivida.

Seria simples acolher a própria tristeza e lhe dar sentido se não fosse o fato de que estar triste muitas vezes é mal visto. “Não existe tempo para a tristeza. Só existe uma vida e esta é para estarmos alegres e sorrirmos. Não vale a pena estar triste.” Quantas vezes você já ouviu isto? Soa familiar?

Evidentemente, só existe uma vida, e certamente seria ideal estar alegre a maior parte do tempo e não ter problemas que prejudicassem a nossa própria existência. Mas o fato é que eles existem. Porque a vida é luz e é escuridão, e ambos coexistem no mesmo espaço e ao mesmo tempo.

A tristeza precisa ser ouvida para ser entendida

Percebemos a nitidez da luz graças aos momentos em que estivemos na escuridão. Graças à escuridão a luz se faz salvadora e nos mostra isso com a sua brilhante sabedoria. Portanto, seguindo com esta bela metáfora, como não entender a tristeza do mesmo jeito?

Lidar com a tristeza e a melancolia

Graças às decepções, às despedidas e em geral aos tombos na vida, podemos tirar significados, dar um sentido. Graças a isso aprendemos as lições que irão nos moldando como pessoas, assim como os grãos de areia que formam a praia.

As experiências dolorosas vão sendo filtradas em um poço de sabedoria. A escuridão inevitavelmente se transforma em luz. Transforma-se em aprendizado e nos mostra o que deveríamos entender dessa experiência. Por isso, tire um tempo para estar com a sua tristeza, para entendê-la. Para entender o que é que está doendo e qual é o significado dessa dor na sua vida.

Cerque-se de pessoas que não neguem o valor da sua tristeza

Ninguém pode arrebatar nossos sentimentos. Não com argumentos tão desgastados como “não vale a pena você chorar”… Chore se for o que você precisa! Porque vale a pena, porque a sua pena vale. A sua pena tem valor neste momento da sua vida. Chore se você precisar. Chorar alivia e reduz o estresse. Ajuda a calmar a tormenta interior. Drena a sua dor.

Mulher sentindo tristeza

Coloque a música que você quiser. Acompanhe a sua dor como você se sentir mais tranquilo. Cuide-se, cuide de cada uma das suas emoções. Dê espaço para elas para poder entendê-las. Se aparecerem, será porque existe alguma coisa na sua alma que precisa ser ouvida e considerada. Rodeie-se de pessoas que saibam valorizar você e suas emoções.

Pessoas que não o taxem de fraco por estar triste, ou que queiram arrancar a sua tristeza sem ter sentido empatia por ela. Não existe dor maior que a formação da ferida e que esta não seja acolhida e seja ignorada ou menosprezada. Essa sensação de não se sentir ouvido nem valorizado aumenta ainda mais a tristeza e a torna mais pesada.

Lembre-se daquela vez que você compartilhou a sua dor

Lembre-se daquela vez que você compartilhou a sua dor com aquele grande amigo que você tinha e que, longe de querer tirar o seu sentimento com uma frase feita e “normalizada”, esteve ao seu lado e ao lado da sua tristeza. Permitindo que ela exista e acolhendo-a durante um tempo no grupo que os três formavam. Você falaram, choraram e inclusive o humor acabou se colando entre as palavras e frases sem ordem.

Casal abraçado para enfrentar a tristeza

Essa é a verdadeira companhia da dor. A companhia que acolhe e que cuida. Uma companhia que respeita os tempos e não entende de pressa. Uma companhia sabia que abraça a dor. Abraça tanto a dor que até a torna um pouco menor. O sentimento se acalma e o sentido dessa dor aparece com maior nitidez.

Sentido este que jamais aparecerá se tirarmos a tristeza de cara, sem cerimônia e sem se aprofundar nela. Portanto, abrace a sua dor e deixe que abracem você nela. O alivio virá como consequência imediata quando você topar com a boa (primeira) companhia, e essa companhia, como você deve saber a esta altura, não é outra senão a sua própria.

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