Uma nova forma de se relacionar com as emoções

Uma nova forma de se relacionar com as emoções

11, julho 2015 em Psicologia 0 Compartilhados
emoções

Nos últimos anos, produto das últimas pesquisas sobre a condição humana, emergiram as chamadas terapias contextuais ou terapias de 3ª geração. Terapia de aceitação e compromisso (ACT), Mindfulness, Ativação de Conduta, Psicoterapia Analítico Funcional (FAP) e Terapia Dialética Comportamental.

Essas novas terapias estão demonstrando ser muito eficazes tratando de problemas emocionais e do comportamento. De todas elas, destaca-se a Terapia de Aceitação e compromisso, também conhecida como ACT (Acceptance and Commitment Therapy). ACT é uma terapia com base na vidência empírica (reconhecida pela American Psychological Association), que se aplica a um amplo espectro de problemas psicológicos. Desenvolve-se a partir da investigação básica da linguagem e da cognição humana, mais especificamente a partir da teoria do marco relacional.

A partir da ACT, entende-se que o sofrimento e o prazer fazem parte da condição humana e que a raiz do sofrimento se encontra na linguagem. Para a maior parte das coisas desse mundo, funciona a regra “Se não está disposto a ter, mude”. Por exemplo, é possível mudar a cor das paredes, a cidade onde vive, o carro… mas existe uma pequena área da vida na qual a regra não parece funcionar.

De fato, na área dos pensamentos e das emoções, por exemplo, a regra se assemelha mais com algo como “Se você não está disposto a ter, terá”. Por exemplo, se nos perguntam sobre um familiar falecido, o nome virá acompanhado de uma série de pensamentos, recordações e/ou sentimentos. A partir da ACT, considera-se que não se pode mudar esses eventos, mas a boa notícia é que podemos mudar a nossa reação diante da presença desses pensamentos, lembranças e/ou sentimentos.

Por outro lado, na cultura ocidental, o objetivo é evitar todo e qualquer mal estar. “Não quero me sentir mal”, assim a pessoa centra todos os seus esforços em eliminar ou reduzir o mal estar. Mas o efeito não é o esperado, na maioria dos casos. O mal estar se estende mais, faz-se mais presente e, além disso, abandona-se ou deixa-se de lado tudo aquilo que é significativo ou importante para a pessoa. Ou seja, o problema psicológico radica basicamente no que a pessoa faz para eliminar ou reduzir o problema. Os números mostram que, a cada ano, aumenta o número de pacientes com problemas psicológicos, e a depressão aparece como a quarta doença que mais baixas e perdas econômicas causa no mundo. Em 2020, será a segunda.

Para entender melhor o assunto, sugerimos o seguinte vídeo, que fala sobre uma metáfora muito utilizada na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT):

https://www.youtube.com/watch?v=D3lAVOMUWc4

ACT para lidar melhor com as emoções

O objetivo da intervenção é gerar flexibilidade psicológica. Comportar-se de maneira valiosa na presença do mal estar. Trata-se de construir um novo repertório de condutas dirigidas para melhorar a vida da pessoa. Ela aprende a se relacionar com o seu mal estar (depressão, ansiedade, “não posso”, impulso de beber, recordações traumáticas, medo de rejeição, raiva, culpa, etc.) de uma forma diferente, colocando toda a sua atenção em ações dirigidas para valores. Às vezes, poderá ser doloroso ou incômodo falar do mal estar, mas possivelmente trabalhá-lo permitirá alcançar uma vida mais satisfatória e será possível avançar para onde cada um quiser. Ou seja, falar do mal estar terá sentido sempre que o cliente considerar oportuno.

Para alcançar esse objetivo, a ACT oferece vários exercícios experimentais, metáforas e paradoxos. Busca-se utilizar as técnicas de forma útil, que sirvam para o propósito da intervenção.

Finalmente, a relação terapêutica se baseia na compreensão, na aceitação, na empatia e no respeito. Considera-se que a pessoa não está quebrada ou doente. Em todos os casos, ela é produto da sua história pessoal. Será um trabalho entre dois e o cliente determinará o norte do mesmo.

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