Nunca se adapte ao que não faz você feliz - A Mente é Maravilhosa

Nunca se adapte ao que não faz você feliz

maio 8, 2017 em Psicologia 8745 Compartilhados
Nunca se adapte ao que não faz você feliz

Às vezes você pode fazer isso, se adaptar a aquilo que não te faz feliz, como quem calça um sapato à força pensando que é o seu tamanho, e aos poucos descobre que é impossível caminhar, correr, voar… A felicidade não dói e portanto não oprime, nem machuca, nem tira o ar, mas nos permite ser livres, leves e donos dos nossos próprios caminhos.

Há alguns anos, uma certa marca de sabonetes que comercializava o seu produto para ambientes profissionais lançou no mercado uma linha especial que teve muito sucesso. Impressa na própria barra de sabonete estava a frase “Hapiness is Busyness” (felicidade é estar ocupado).

“O mundo prefere sabiamente a felicidade à sabedoria.”
-Will Durant-

Embora seja verdade que linhas de pensamento como o conceito de “fluir” de Mihaly Csikszentmihalyi enfatizam a ideia de que nos concentrarmos em uma tarefa de corpo e alma pode nos trazer felicidade, nesta equação é preciso adicionar, sem dúvida, o fator que faz referência a se esta tarefa é ou não significativa para nós. De fato, muitos trabalhadores viam com triste ironia o slogan desses sabonetes, porque nem todos se sentiam felizes de realizar uma tarefa que, embora talvez trouxesse a remuneração econômica, não necessariamente trazia um bem-estar psicológico.

Poderíamos dizer, quase sem medo de errar, que boa parte de nós se adapta quase à força a muitas de nossas rotinas cotidianas, inclusive sendo conscientes de que não nos trazem felicidade (ou usando o metáfora dos sapatos, que nos fazem bolhas). É como entrar em uma roda gigante que nunca para de girar. A vida acontece de forma nervosa e perfeita, inacessível e risonha, enquanto nós continuamos cativos de nossas rotinas

Nos adaptamos para nos sentirmos seguros

Quando crianças nossos pais amarravam nossos sapatos ou tênis com um laço duplo para que não desamarrasse e não tropeçássemos. Nos agasalhavam sob as mantas e a coberta com extremo carinho, subiam até em cima os zíperes de nossos casacos e jaquetas para que estivéssemos sempre quentinhos, atendidos, e cuidados.

Muitas vezes nos sentimos desconfortáveis por toda essa pressão corporal, mas se havia uma coisa que sentíamos, era a segurança. À medida que ficamos mais velhos e adquirimos responsabilidades de adultos, essa necessidade de se sentir seguro continua muito presente. Contudo, este impulso inexplicável pela procura continua da segurança muitas vezes não conduz nosso próprio comportamento a partir da consciência.

Por mais curioso que isso possa parecer, o mais sensível diante desta necessidade é nosso próprio cérebro. Não lhe agradam as mudanças, os riscos, e muito menos as ameaças. É ele que sussurra coisas como “adapte-se mesmo que você não seja feliz, porque a segurança garante a sobrevivência”. Contudo, e isto precisa ficar claro, a adaptação nem sempre anda de mãos dadas com a felicidade; entre outras razões, porque esta adaptação muitas vezes não acontece.

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Há quem continue mantendo o vínculo do seu relacionamento amoroso sem que exista um amor real, sem que haja uma cumplicidade verdadeira, e muito menos felicidade. O importante para alguns é escapar da solidão, e para isso não duvidam em se adaptar ao tamanho de um coração que não é para o seu.

O mesmo acontece a nível profissional. Há muitas pessoas que se esforçam para se mostrarem dóceis, fáceis de lidar, e até diminuem méritos e estudos quando redigem o currículo porque sabem que é a única forma de se adaptar a determinadas hierarquias empresariais.

É como se na nossa mente existisse um novo slogan gravado, como o da empresa de sabonetes citada no início: “Adaptar-se ou morrer, renunciar para subsistir”.

Mas… será que vale mesmo a pena morrer infeliz?

Para ser feliz é preciso tomar decisões

Apesar do nosso cérebro ser resistente às mudanças e nos convidar elegantemente a permanecer na nossa zona de conforto, ele está projetado geneticamente para enfrentar os desafios e sobreviver diante deles. De fato, existe um dado relacionado a isto especificamente que nos convida à reflexão.

“A felicidade não está no exterior, mas sim no interior, por isso não depende do que temos, e sim do que somos.”
-Pablo Neruda-

Os pesquisadores Richard Herrnstein e Charles Murray definiram há alguns anos um conceito denominado “Efeito Flynn”. Observou-se que, ano após ano, as pontuações de quociente intelectual continuam aumentando. Isto se deve, entre outros fatores, ao fato de que a vida moderna atual está cada vez mais cheia de estímulos: temos mais acesso à informação, interagimos mais, e nossas crianças de agora processam cada vez mais rápido todos esses dados, todos esses estímulos relacionados às novas tecnologias.

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Mas existe um aspecto fundamental ao qual psicólogos, psiquiatras, sociólogos e antropólogos estão muito atentos: um QI elevado nem sempre anda de mãos dadas com a felicidade. Parece que esse assunto de ser feliz e dispor de uma trama neurológica mais extensa e forte nem sempre garante nosso bem-estar psicológico. É estranho e desolador ao mesmo tempo.

O que está acontecendo então? Nos adaptamos a esta sociedade da informação, mas ao mesmo tempo, nos fechamos em nossas zonas de conforto como quem olha a vida passar, imaginando uma falsa felicidade, um alvo que em instantes caduca e nos conduz ao estresse e à ansiedade…

Esquecemos, talvez, que para ser feliz é preciso tomar decisões, que é preciso se livrar dos sapatos apertados e se atrever a caminhar descalço, esquecemos que o amor não tem por que doer, que a docilidade no trabalho acaba por nos queimar e que, às vezes, é preciso fazer isso, é preciso desafiar a quem nos comanda e sair pela porta de entrada para criar nosso próprio caminho. Nossa própria felicidade.

Que tal começar hoje mesmo?

Imagens cortesia de Ottdim e Hcojiscom.

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