A terapia de solução de problemas: o método científico para tomar decisões

A terapia de solução de problemas: o método científico para tomar decisões

18, março 2017 em Psicologia 744 Compartilhados
A terapia de solução de problemas: o método científico para tomar decisões

Os problemas, os malditos problemas! Passam a vida toda quebrando a nossa cabeça. Desde os que nos davam na escola para aprendermos matemática até os que encontramos no nosso próprio dia a dia. O bom é que, antes de enfrentar os primeiros, tínhamos professores que nos ensinavam o procedimento para poder solucioná-los.

Mas o que podemos fazer para enfrentar os da vida real? Estes carecem de fórmulas estabelecidas que sempre tenham um resultado exato, não é mesmo? Não se desespere! Embora não exista um método exato que nos diga que se fizermos tal coisa terá uma determinada consequência, podemos nos guiar mediante a técnica da solução de problemas que irá nos ajudar a tomar a decisão mais adequada.

“Não sou um produto das minhas circunstâncias, sou produto das minhas decisões.”
-Steven Covey-

O que é a terapia da solução de problemas?

Os conflitos fazem parte da vida e todos somos afetados por eles. Os seres humanos são por natureza solucionadores de problemas, embora algumas pessoas tenham mais desta “natureza” incorporada do que outras. O que isto sugere? Que é uma habilidade que pode ser desenvolvida. Por isso, D’Zurilla e Golfried idealizaram a terapia da solução de problemas em 1971.

Esta técnica facilita o trabalho de identificar os problemas, criar diferentes alternativas de solução e selecionar a resposta que possa ser mais eficaz entre as propostas elaboradas. Desta forma, contaremos com uma ferramenta a mais para controlar as emoções negativas que possam surgir diante de diferentes obstáculos.

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Para isso, é preciso seguir um método composto por cinco fases que explicarei mais detalhadamente a seguir. O procedimento é longo, mas vale a pena ser colocado em prática para situações problemáticas importantes. Os passos a seguir são:

  • Orientação para o problema.
  • Definição e formulação do problema.
  • Geração de soluções alternativas.
  • Tomada de decisões.
  • Execução e verificação.

Fase 1: orientação para o problema

O primeiro passo que é preciso dar antes de tentar solucionar um problema é adotar uma atitude positiva com relação ao conflito e às habilidades que possuímos para enfrentá-lo de forma eficaz. É preciso fomentar as crenças de autoeficiência, assumindo que podemos resolver o problema e identificando aqueles lastros com os quais partimos, como a falta de segurança em nós mesmos.

Por outro lado, é importante mudar a visão que temos sobre o problema. Em vez de pensar negativamente nele, o que irá dificultar encontrar a solução, precisamos encará-lo como um desafio que irá nos ajudar a crescer pessoalmente, tornando as nossas próprias habilidades melhores.

“As pessoas com bom estado de ânimo são melhores no raciocínio indutivo e na solução criativa de problemas.”
-Peter Salovey-

Além disso, precisamos ser capazes de parar e pensar antes de agir para poder completar esta primeira fase do processo. Isto é importante, já que se agirmos de forma impulsiva cometeremos erros tentando resolver o problema.

Fase 2: definição e formulação do problema

Uma vez que assumimos que existem problemas e que podemos encontrar as soluções adequadas, passaremos para a fase seguinte. Nesta fase vamos procurar definir e formular o conflito adequadamente. Isto é muito importante, já que uma vez que tivermos clareza quanto ao desafio de forma precisa, teremos percorrido boa parte do caminho.

Então, uma boa ideia é começar compilando a informação relevante, descrevendo-a em termos reais e específicos. É muito importante nos basearmos nos fatos objetivos, isto é, em como ficariam retratados por uma câmera de vídeo, que não pode gravar nossos pensamentos, mas sim apenas o que acontece, mais além das nossas considerações.

Também é preciso identificar por que essa situação que se criou é um conflito. Além disso, é preciso reavaliar o significado deste para o bem-estar pessoal e social. Por fim, precisamos ganhar consciência de que nem todos os problemas são solucionáveis, e que os que não são implicam diferentes graus de dificuldade. É preciso estabelecer uma meta realista de solução. Inclusive podemos decompor um problema que seja mais complexo em diferentes “sub problemas” cuja solução seja mais fácil de executar.

Fase 3: geração de soluções alternativas

Quando conseguimos realizar os passos anteriores e sabemos qual é o problema exato que enfrentamos, chega a hora de gerar tantas soluções alternativas quanto possível. Isto pode ser uma tarefa difícil, já que estamos habituados a responder de forma automática diante de situações conflitantes, mas é preciso dedicar tempo para trabalhar nisto: tanto como primeira tarefa, quanto pensando enquanto realizamos outra tarefa. De fato, está comprovado que mudar de ares ajuda a encontrar soluções mais criativas.

Quanto mais soluções alternativas produzirmos, mais ideias estarão disponíveis e teremos mais probabilidades de encontrar a melhor resposta para o nosso próprio conflito. Também seremos capazes assim de encontrar ideias de melhor qualidade. É importante lembrar que nesta fase não avaliamos a qualidade das soluções, já que o julgamento inibe a imaginação, de modo que as avaliaremos no ponto seguinte.

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Fase 4: Tomada de decisões

Agora chegou a hora de comparar e avaliar as diferentes alternativas que geramos no passo anterior. Com base na avaliação que fizermos, selecionaremos a melhor ou as melhores para colocá-las em prática para o problema que temos.

Como faremos isto? Para cada solução proposta, indicaremos os custos e benefícios a curto e longo prazo para selecionar a solução ou conjunto de soluções que acreditamos que nos ajudarão a conseguir os resultados esperados. Para isso, nos baseamos em quatro critérios:

  • Resolução do problema: probabilidade de alcançar a solução.
  • Bem-estar emocional: qualidade do resultado emocional esperado.
  • Tempo/esforço: o cálculo da quantidade de tempo e esforço que acreditamos que requeira.
  • Bem-estar pessoal e social em conjunto: razão custo/benefício esperado total.

Com os resultados que obtivermos precisaremos checar se o problema é solucionável, se são necessárias mais informações antes de poder colocar para funcionar uma alternativa e qual deveria escolher. Se não for assim, será preciso retornar às fases prévias do processo para poder conseguir uma solução satisfatória.

Fase 5: Execução e verificação

Uma vez escolhida a solução adequada, o que resta por fazer? Colocá-la em prática! Só assim saberemos se é a alternativa adequada para superar a situação problemática. Uma vez que a executarmos, será preciso observar de forma objetiva e comparar o resultado obtido com o previsto. Se descobrimos que não era o esperado, precisaremos encontrar a origem desta discrepância para poder corrigi-la.

“A ação é a chave fundamental de qualquer êxito.”
-Pablo Picasso-

Finalmente, quando resolvemos um problema complicado costumamos nos esquecer de fazer uma coisa importante que é premiar a si mesmo. Existem pessoas que passam a vida de angústia em angústia, e quando não têm nenhuma a antecipam. Fazer isto é, sem dúvida, uma das melhores formas de acabar sepultado sob a pedra do estresse.

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O importante de tudo isto é que é preciso parar de enrolar com os problemas na cabeça, procurando soluções mas sem colocar nenhuma para funcionar, o que provoca um elevado grau de mal-estar ou mesmo leva a padecer de transtornos de ansiedade ou depressão.

É preciso se arriscar e tomar uma decisão, dar um passo à frente. Não há problema em errar! Quem é perfeito? Ninguém! Portanto, é melhor tomar uma decisão errada do que ficar pensando e pensando sem fazer nada. Agora que você já sabe como, convido você a encontrar a solução dos desafios que se apresentarem em sua vida.

Imagens cortesia de Ryan McGuire.

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