O acidente de carro que mudou nossas vidas

“Isso não vai acontecer comigo”, “Eu dirijo bem, não tem por que acontecer algo assim”, “Não tem problema olhar o celular um segundo”, “Eu tenho o controle”... Vamos pensar um pouco: e se estivermos errados? Qual é o preço do excesso de confiança? Estamos dispostos a pagar esse preço? Estamos conscientes do dano e da dor que podemos causar?
O acidente de carro que mudou nossas vidas
Laura Rodríguez

Escrito e verificado por a psicóloga Laura Rodríguez.

Última atualização: 22 dezembro, 2022

A cada ano que passamos circulando nas estradas, estamos mais suscetíveis a ser vítimas de um acidente de carro em algum momento, ou seja, é possível que exista um aumento da probabilidade de sofrer um acidente na estrada a cada ano de habilitação que tivermos. Paralelamente, quanto mais tempo passarmos dirigindo, mais estaremos expostos a isso.

Embora seja verdade que o número de anos de carteira de motorista e o fato de passar um maior número de horas no carro são dois fatores que, pelas probabilidades, nos deixam expostos a ser vítimas de um acidente de trânsito, eles não são os únicos. A inexperiência, a lentidão dos reflexos e a falta de paciência podem figurar como outros fatores.

Em todo caso, queremos destacar a importância de ter consciência da gravidade da condução perigosa. Isso ocorre tanto pelos danos que podemos causar a nós mesmos quanto pelos danos que podemos causar aos demais.

Mulher dirigindo falando no celular

O acidente de carro que mudou nossas vidas

Para as pessoas que já passaram por um acidente de carro, esse dia, que está gravado em suas retinas, marca um antes e um depois em suas vidas, seja por ter vivido esse momento em primeira mão ou por ter sido testemunha.

“Um dia você se levanta e nada mais volta a ser igual. Aconteceu. Você foi vítima de um acidente de trânsito. Seja como motorista ou como passageiro, não há mais caminho de volta: sua vida mudou. Você acorda em um hospital sem saber com certeza o que está acontecendo e o que vai acontecer a partir de então, sem ser capaz de entender por que aconteceu com você e por que aconteceu dessa maneira, tendo que viver as consequências…”

Um acidente pode se tornar uma situação traumática

Ser vítima de um acidente de carro grave pode repercutir negativamente em nossa saúde e bem-estar, tanto físico quanto psicológico. Não estamos mais falando só da pessoa que passou por isso, mas também dos familiares mais próximos, que precisam assumir o que está acontecendo.

Ocorre um processo de luto no qual temos que nos despedir da vida que levávamos até então, para nos adaptar a uma nova vida com possíveis limitações.

Os processos de mudança e de luto levam tempo e possivelmente vamos passar por diferentes fases, entre as quais se encontram a negação e a tristeza pelo que está acontecendo. É provável que, em alguns momentos, não sintamos o eco de como foram destroçados alguns dos nossos sonhos, a impossibilidade de retomar alguns de nossos hábitos.

Não é estranho sentir milhões de sensações e emoções, pois estamos passando por uma situação traumática.

Precisamos levar em consideração que, para superar o luto e a situação traumática, é comum que a pessoa passe por uma série de etapas para voltar a alcançar um ponto de equilíbrio no qual se sinta bem. Por sua vez, não devemos nos esquecer de que cada um de nós tem uma forma pessoal de viver esse momento e precisa passar por um processo individual.

“Lembre-se de que, apesar de tudo parecer sombrio nos momentos mais difíceis, ao final você vai conseguir sair desse poço sendo mais forte e resiliente, com mais energia para seguir em frente”.

Mulher triste após passar por um trauma

Distrações ao volante

Segundo o Serviço de Estatística do Observatório Nacional de Segurança No Trânsito do governo da Espanha, no ano de 2017 foram registradas 102.333 pessoas envolvidas em acidentes de trânsito, incluindo nesse número feridos hospitalizados, feridos falecidos, pedestres que atravessavam a rua, passageiros em carros dirigidos por outras pessoas, feridos não hospitalizados…

Por sua vez, a DGT (Direção Geral de Tráfego, uma agência do governo espanhol) afirma que 30% das distrações ao volante ocorreram devido ao uso do celular.

São comuns pensamentos como “Isso não vai acontecer comigo”, “Eu dirijo bem, não tem por que acontecer algo assim”, “Não tem problema olhar o celular um segundo”, “Eu tenho controle e não vai acontecer nada se eu olhar para baixo um segundo para pegar meu celular”… De certo modo, pode ser que as pessoas que têm essa opinião tenham razão, pode ser que nada aconteça e elas cheguem aos seus destino sãs e salvas.

Mas o que vai acontecer se esse segundo se transformar em um terrível erro? E se esse segundo se tornar o fatídico momento em que ocorre o acidente de carro que muda a sua vida ou a vida de outra pessoa que estava ao seu lado?

Devemos nos lembrar de que, ao volante, é fundamental ter uma direção responsável, pois essa é a única maneira de diminuir a probabilidade de ser uma vítima direta ou indireta de um acidente de trânsito.

A estrada é um lugar para todos e, portanto, exige responsabilidade, respeitando as normas destinadas aos usuários. Esse é o único caminho para não causar acidentes, para que outros não os causem e não sejamos envolvidos nos mesmos.


Este texto é fornecido apenas para fins informativos e não substitui a consulta com um profissional. Em caso de dúvida, consulte o seu especialista.