O caçador de sonhos, uma linda lenda do povo lakota

· novembro 16, 2018

O Caçador de Sonhos é uma lenda que tem as suas origens na comunidade lakota, uma etnia que faz parte da tribo dos índios Sioux, que vive nas margens do rio Missouri, nos Estados Unidos. São os mesmos que protagonizaram o famoso filme Dança com Lobos, um longa-metragem que mostra parte dos seus hábitos e rituais.

Os lakota têm uma divindade que eles chamam de Iktomi. Ele é o deus da sabedoria máxima, aquele que sempre leva os ensinamentos essenciais para toda a comunidade. Eles acreditam que Iktomi, às vezes, aparece sob a forma humana. Então, ele é um homem alto, com o rosto pintado de vermelho e amarelo.

No entanto, na maioria das vezes ele aparece para os índios na forma de uma aranha. É uma aranha muito sábia que pronuncia palavras enigmáticas, e outras vezes é muito engraçada. Ela conhece muitas histórias, algumas delas muito loucas, e de vez em quando narra essas historias para os mortais. Foi Iktomi que transmitiu a lenda do caçador de sonhos aos lakota.

“Cada um de nós foi colocado neste tempo e lugar para decidir pessoalmente o futuro da humanidade. Você acreditava que estava aqui para algo menos importante?”.
– Arvol Looking Horse, chefe da nação lakota –

Uma montanha mágica

Conta-se que, muitos anos atrás, quando o mundo ainda era jovem, um ancião Lakota subiu uma montanha e teve uma maravilhosa visão. Nela aparecia Iktomi, o grande mestre do mundo, na forma de uma aranha. Ele começou a dizer coisas em um idioma sagrado, que era o mais adequado para fazer referência a assuntos importantes.

Enquanto falava, Iktomi pegou um ramo do salgueiro mais antigo que havia naquele lugar e com ele fez um aro. Logo, ele pegou um pouco de pelo de cavalo, belas plumagens de pássaros coloridos, contas e outros objetos pequenos e bonitos. Quando estava tudo pronto, ele começou a tecer.

Ao mesmo tempo, ele dizia ao ancião que a vida era um ciclo. O início e o final sempre se encontravam. Não avançamos em linha reta como se poderia supor. Na verdade, começamos um ciclo só para terminar no começo de outro novo, e assim sucessivamente, para sempre.

A lenda do povo lakota

A vida e as idades do homem

Conta a lenda do caçador de sonhos que Iktomi disse ao ancião que as idades do homem também são ciclos. Começamos a vida sendo muito frágeis e dependentes. Pouco a pouco, vamos ficando mais fortes. Caminhamos com os nossos próprios pés, depois corremos e viramos adultos. Isso nos faz mais capazes e livres.

No entanto, logo nos transformamos em anciãos. Voltamos a nos transformar em seres frágeis, que precisam de outras pessoas. É, então, que o círculo final se fecha e chega a morte. O final é parecido com o começo, e o ciclo se repete com a vida de cada ser humano que chega à Terra.

Iktomi continuava elaborando o seu tecido enquanto o ancião lakota o escutava fascinado. A revelação lhe parecia extraordinária. Havia entendido que não se avança para frente, mas para o final. E que cada final é, também, um novo começo. Este é o objetivo principal do caçador de sonhos.

O caçador de sonhos

O caçador de sonhos

Iktomi continuou com os seus ensinamentos. Ele disse ao ancião que, em cada etapa da vida, existem muitas forças agindo em diferentes direções. Umas são positivas, e outras são negativas. Essas forças podem alterar a harmonia natural do destino. Portanto, devemos prestar muita atenção a elas e saber identificá-las, já que nem sempre o bom parece bom, nem o mau é visto como algo mau.

Iktomi tingiu o tecido da aranha a partir do exterior do ramo de salgueiro até o seu interior. No entanto, em um dado momento , ele parou e deixou um buraco no centro. Então, ele disse ao ancião que ia presenteá-lo com esse tecido para que todo o povo lakota aprendesse a fazer um bom uso de seus sonhos e visões. As boas ideias e projetos deviam ficar presos na teia. Os maus deviam sair pelo buraco que estava no centro do tecido.

O ancião transmitiu aos outros índios a lenda do caçador de sonhos. A partir de então, os índios lakota utilizam o tecido de Iktomi como a base que sustenta a construção do seu futuro. Os ocidentais o chamam de apanhador de sonhos. Se ele for bem utilizado, serve para fisgar os sonhos em busca das verdades que devem guiar a vida.