O Colapso: testemunhando a queda do sistema

Oito capítulos filmados em plano-sequência que vão deixá-lo sem fôlego. 'O Colapso' é uma série apocalíptica que, estranhamente, é muito familiar. Não perca!
O Colapso: testemunhando a queda do sistema

Última atualização: 04 Dezembro, 2020

O Colapso (L"Effondrement) é uma série da produtora audiovisual independente Les Parasites. Ela retrata uma sociedade após o colapso do sistema atual, onde todos devem lutar pela sua sobrevivência. Os colapsologistas preveem que isso acontecerá nos próximos anos. No entanto, se o colapso realmente acontecesse amanhã, como você reagiria?

Cada um dos oito episódios sequenciais ocorre em um local diferente e apresenta indivíduos lutando contra o colapso da nossa civilização industrial. São impressionantes o realismo das situações e o ritmo dos capítulos, que não precisam de muito mais de 20 minutos para mergulhar o espectador na trama.

No posto de gasolina, os motoristas lutam pelas últimas gotas de gasolina. No supermercado, os consumidores percorrem as prateleiras quase vazias. Por fim, em uma casa de repouso, os cuidadores não sabem mais como alimentar seus residentes. É seguro dizer que, nesta série, o medo desencadeia o drama. Mas será que a angústia que essa série projeta inspira ação e comprometimento?

O Colapso

A série não especifica em que consiste exatamente “o colapso". A ideia gira em torno do fato de que isso aconteceria rápido o suficiente para enfatizar suas consequências e despertar um senso de urgência ao longo dos capítulos.

Neste mundo pós-colapso, o estado perdeu todas as formas de autoridade e apenas a lei do mais forte prevalece. Os mais ricos sobrevivem, enquanto os outros são forçados a se defenderem sozinhos e cooperar com vários graus de sucesso. Basicamente, a escassez de recursos transforma todos em saqueadores ou assassinos em potencial.

No entanto, o enredo não é o único fator motivante em O Colapso. É a tensão gerada pela filmagem em plano-sequência que faz com que você não consiga parar de assistir.

O Colapso: seria assim na vida real?

O motivo pelo qual os espectadores optam por assistir à série inteira de uma vez é que eles precisam saber como as pessoas estão, e é aí que o efeito de realidade ficcional funciona totalmente: O Colapso é tão realista que é fácil pensar que seria assim. O problema é que essa história fala de individualismo e violência. Cada personagem é forçado a fazer coisas totalmente imorais que eles se oporiam a fazer se as circunstâncias fossem diferentes.

É quando você entende que O Colapso não é apenas mais uma série de ficção científica. No final, a distopia que a série propõe não parece tão distante. Inclusive, parece estranhamente familiar. Por exemplo, debates políticos em que ninguém fala sobre o meio ambiente, ou se o fazem, é apenas para criticar as ideias do outro. Surge também o cientista que fala em deter a catástrofe de forma radical. Como acontece na vida real, ninguém o ouve.

Ninguém quer mudar seu comportamento individual. Os governos não fazem nada para proteger os cidadãos. Eles já têm uma alternativa. O espectador sabe de tudo isso, que é o que provoca mais medo. Algumas das situações retratadas em O Colapso são tão familiares que é difícil não sentir um déjà vu.

No entanto, essa narrativa transmitida pelo medo estimula os cidadãos a mudar individual e coletivamente? Com essa pergunta surge outra: as pessoas realmente teriam tempo para fazer essa mudança?

As ideias por trás da série

O Les Parasites é um coletivo fundado por ex-alunos da École Internationale de Création Audiovisuelle et de Réalisation, em Paris. Para manter sua independência, a Les Parasites é financiada principalmente através de doações. Ela produz curtas-metragens e os distribui gratuitamente.

Graças a esta independência, ela tem conseguido realizar trabalhos como Artificial Love e La Boucherie Éthique, este último relacionado às alterações climáticas e à pecuária, trazendo à tona os problemas ecológicos que ocorrem no setor.

A questão da mudança climática e suas consequências têm sido de interesse para essa produtora francesa há muito tempo. Em outubro de 2018, eles realizaram uma entrevista cruzada para o YouTube entre Pablo Servigne, um dos fundadores da colapsologia, e o astrofísico Jacques Blamont.

Para estes diretores comprometidos, é hora de parar de virar as costas para a ameaça climática. O último episódio da série é uma crítica feroz à política de pequenos passos e à brutal indiferença do povo em relação a esse assunto.

Em O Colapso, os diretores parecem rodar uma história baseada na teoria de Olduvai, que afirma que a civilização industrial entrará em colapso em 100 anos, contados a partir de 1930. A partir desse ponto, os episódios despertam no espectador um senso de urgência e mal-estar.

Na série, as pessoas parecem ser mais inclinadas à ajuda mútua do que em outros clássicos pós-apocalípticos, como Mad Max ou The Road, mas não se trata de uma competição; O Colapso já está acontecendo e a nossa única opção é escolher como lidar com ele.

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