O mito de Quíron, o curador

16 Junho, 2020
O mito de Quíron representa a essência das ciências da saúde. Ele fala de um personagem que se dedicou a curar os males do corpo e da alma pela sua grande compaixão pelos outros. É também uma metáfora que mostra como ajudar alguém pode nos salvar do nosso próprio sofrimento.
 

O mito de Quíron, ao contrário de outros mitos, fala de um centauro sábio, nobre e habilidoso, muito diferente dos outros centauros. Lembre-se de que, na mitologia grega, os centauros eram criaturas com a cabeça e o tronco humanos e o corpo de um cavalo. Em geral, eles eram seres impulsivos e basicamente selvagens.

Diz-se que o mito de Quíron está intimamente relacionado às profissões de médico e psicólogo. De fato, a palavra “Quíron” significa etimologicamente ‘hábil com as mãos’ ou ‘aquele que cura com as mãos’.

No entanto, ele também é conhecido como “o centauro ferido”, um símbolo daqueles que sabem como ajudar, mas que também sabem pedir no momento certo. Há muito de humano no mito de Quíron. Ele enfatiza a importância do reconhecimento mútuo das vulnerabilidades como fonte de compaixão.

“A saúde é a maior possessão. A alegria é o maior tesouro. A confiança é a melhor amiga”.
– Lao Tzu –

Templo na Grécia

O mito de Quíron

O mito de Quíron conta que a história desse personagem começou quando o titã Cronos, filho de Urano, veio à Terra em busca de Zeus. Ele encontrou uma oceânide chamada Filiria, filha de Oceano e Tétis. Cronos se apaixonou perdidamente por ela e começou a assediá-la de maneira exagerada.

 

Desesperada com esse assédio, Filiria pediu a Zeus que a transformasse em uma égua, para que o titã irritante a deixasse em paz. No entanto, Cronos descobriu a astúcia da oceânica e se transformou em um cavalo para possuí-la. Atormentada pela situação, Filiria fugiu e foi para as montanhas dos Pelasgos.

Naquele lugar remoto, ela deu à luz seu filho. Dizem que, assim que o viu, deu um grito de espanto ao ver o ser estranho que nascera após um parto difícil. Ele era uma criatura meio homem, meio cavalo, e ela imediatamente o rejeitou. Então, novamente ela recorreu a Zeus e lhe pediu para transformá-la em uma árvore para não ter que amamentar o seu filho. Zeus a atendeu e a transformou em uma tília.

Um nobre centauro

Quíron foi abandonado ao lado de uma árvore, mas os deuses Apolo e Atena tiveram pena dele e o adotaram. Sob sua orientação, ele cresceu como um ser gentil e sábio, interessado em diferentes artes, mas especialmente na medicina. Ficava muito feliz por proporcionar alívio àqueles que sofriam e força espiritual para os moribundos. Ele era altamente qualificado nas artes de cura e logo se tornou famoso. Muitos pediam a sua ajuda e os seus conselhos.

Diz-se que Quíron salvou um herói chamado Peleu. Este recebeu um presente de Hefesto, deus do fogo: uma espada maravilhosa. Peleu então seduziu a esposa de um homem conhecido como Acasto, que armou uma armadilha para se vingar dele. Acasto o enganou levando-o para uma suposta caçada. Quando eles estavam longe, roubou a sua espada e o deixou à mercê dos centauros que, em geral, eram muito selvagens.

 

Quíron conseguiu salvá-lo e, desde então, eles se tornaram grandes amigos. Peleu tinha um filho chamado Aquiles. A sua mãe, Tétis, queimava todo o seu corpo e depois o cobria com artemísia (Ambrosia Artemisiifolia) pois acreditava que isso o tornaria imortal. Irritado com esse ritual, Peleu pegou o seu filho sem esperar que Tétis cobrisse o seu calcanhar com esse elixir.

Então, o entregou a Quíron para que ele o educasse. O centauro notou que o calcanhar do garoto estava queimado e a primeira coisa que ele fez foi pegar o osso do calcanhar de um gigante e colocá-lo no lugar da ferida. Assim nasceu o famoso “calcanhar de Aquiles”.

O mito de Quíron

O mito de Quíron: um centauro ferido

O mito de Quíron diz que ele foi ferido acidentalmente por Hércules, que era um de seus grandes amigos. O herói estava lutando com outros centauros e, sem querer, atirou uma de suas flechas contra ele, ferindo-o em uma das pernas, na região do joelho.

O centauro começou a se contorcer de dor; no entanto, nesse momento, ele recebeu a imortalidade. Dessa forma, ele poderia sofrer, mas não morrer. A ferida nunca cicatrizou e nunca parou de doer. Isso o fez implorar aos deuses a oportunidade de renunciar à sua imortalidade, a fim de morrer e escapar de tanto sofrimento.

 

Os deuses o ouviram e o mito de Quíron conta que ele finalmente cedeu a sua imortalidade para Prometeu, um titã que foi salvo do sofrimento graças a esse presente significativo. Por causa de sua bondade e vida exemplar, as divindades decidiram transformá-lo em uma constelação para que ele brilhasse para sempre no céu.

Gallardo, S. T. (2010). El Mito de Quirón, la Actitud Terapéutica y la Perspectiva Fenomenológica del Analista. Encuentros. Revista Latinoamericana de Psicología Analítica, (1), 18-26.