O que a ciência diz sobre a meditação?

· outubro 10, 2017

Você já se perguntou alguma vez o que a ciência diz sobre a meditação? Gostaria de saber se os benefícios desta prática foram comprovados cientificamente? É sobre isso que falaremos neste artigo.

A meditação se popularizou muito, de maneira que vai se integrando na nossa vida naturalmente em diferentes ambientes e com diferentes objetivos. E isso não foi em vão. A meditação tem múltiplos benefícios para a saúde física e mental. Talvez por isso meditar esteja “na moda”.

No entanto, muitas pessoas se esquivam da meditação porque não “acreditam” nela. Mas a meditação não é uma religião: não é preciso ter fé para a meditação funcionar. Também não há magia envolvida nem é uma questão de sorte.

Muitos dos benefícios que são atribuídos à meditação estão cientificamente comprovados. E, nesse processo, foram descobertos muitos benefícios e muitas vantagens.

A seguir vamos saber o que a ciência diz sobre a meditação e conhecer os benefícios mais significativos descobertos pelos pesquisadores nos últimos anos. As pesquisas sobre os benefícios dessa prática continuam, por isso estes que reunimos a seguir provavelmente são apenas o começo.

O que a ciência diz sobre a meditação?

A meditação aumenta a criatividade

Um dos benefícios mais interessantes da meditação é que ela promove e, portanto, aumenta a criatividade. Nesse sentido, um estudo de 2012 da Universidade de Leiden, na Holanda, e outro posterior realizado pela mesma universidade, em 2014, descobriram que certas técnicas de meditação podem promover o pensamento criativo.

Segundo esses estudos, na meditação que foi denominada “monitoramento aberto”, na qual os participantes são receptivos a todos os pensamentos e as sensações sem concentrar a atenção em nenhum conceito ou objeto em particular, as pessoas apresentaram um melhor desempenho nas tarefas de pensamento divergente e criaram mais ideias novas do que antes.

Essas descobertas apoiam a crença de que a meditação pode ter uma influência duradoura na cognição humana, incluindo a maneira como concebemos novas ideias e como sentimos os acontecimentos. E isso não ocorre apenas com meditadores experientes, os novatos também podem se beneficiar da meditação.

Benefícios da meditação para o cérebro

A meditação reduz o estresse e a ansiedade

Um dos benefícios mais importantes atribuídos a essa prática é que ela ajuda a reduzir e prevenir o estresse. Um estudo publicado em janeiro de 2017, realizado pela Universidade de Georgetown, nos EUA, descobriu que as reações hormonais inflamatórias ao estresse foram reduzidas depois do treinamento da meditação, mais especificamente após a prática de mindfulness. Esse estudo clínico rigorosamente planejado obteve provas fisiológicas objetivas de que a meditação consciente combate a ansiedade.

Os pesquisadores descobriram que os pacientes com transtorno de ansiedade tinham reduzido drasticamente as respostas do hormônio do estresse e da inflamação em uma situação estressante depois de fazer um curso de meditação consciente, enquanto outros pacientes que fizeram um curso voltado a lidar com o estresse sem meditação tinham piorado suas respostas.

Outro estudo publicado em maio de 2017, elaborado por pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, descobriu que apenas 10 minutos de meditação ajudam as pessoas ansiosas a ter uma perspectiva melhor. O estudo, que avaliou o impacto da meditação em 82 participantes que sentiam ansiedade, descobriu que o desenvolvimento de uma consciência do momento atual reduziu os incidentes de pensamento repetitivo fora da tarefa, uma marca característica da ansiedade.

Os pesquisadores explicam que a mente errante representa quase a metade da corrente diária de consciência de qualquer pessoa. Para as pessoas com ansiedade, os pensamentos repetitivos fora da tarefa podem afetar negativamente a sua capacidade de aprender, realizar tarefas ou até mesmo funcionar com segurança.

A meditação melhora a saúde mental, a saúde corporal e a resistência ao estresse

Muitas pessoas relatam efeitos positivos para a saúde ao praticar ioga e meditação, além de sentirem benefícios mentais e físicos com essas práticas. No entanto, ainda temos muito a aprender sobre como exatamente essas práticas afetam a saúde mente-corpo.

Um novo artigo de pesquisa, publicado em agosto de 2017, analisa os efeitos da ioga e da meditação nas pessoas através da observação de marcadores fisiológicos e imunológicos do estresse e da inflamação. Ao estudar os participantes de um retiro intensivo de três meses com essas disciplinas, os pesquisadores descobriram que as práticas impactaram positivamente os marcadores fisiológicos e imunológicos do estresse e da inflamação, além de melhorar o bem-estar subjetivo.

Esse artigo, publicado na revista Frontiers in Human Neuroscience, analisa os efeitos da ioga e da meditação no fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), na atividade sobre os efeitos hipotalâmicos da adrenal pituitária (HPA) e dos marcadores inflamatórios. Ao estudar os participantes de um retiro intensivo de três meses de yoga e meditação, os pesquisadores descobriram que as práticas repercutiam positivamente na sinalização do BDNF, na resposta do cortisol ao acordar (CAR) e os marcadores imunológicos, além de melhorar o bem-estar subjetivo.

Os dados mostraram que a participação no retiro esteve associada com uma diminuição autoinformada da ansiedade e da depressão, assim como o aumento da atenção plena. A equipe da pesquisa observou aumentos nos níveis plasmáticos de BDNF, um neuromodulador que desempenha um papel importante no aprendizado, na memória e na regulação de processos complexos como a inflamação, a imunidade, a regulação do estado de espírito, a resposta ao estresse e o metabolismo.

Também foram observados aumentos na magnitude da resposta do cortisol ao acordar (CAR) que é parte do eixo hipotalâmico hipofisário suprarrenal, o que sugere uma melhor resistência ao estresse.

Homem fazendo meditação

A meditação muda a estrutura cerebral e a expressão genética

Um estudo de 2011 realizado por pesquisadores do Massachusetts General Hospital, nos EUA, publicado na revista Psychiatry Research: Neuroimaging, revelou que a meditação, especificamente a meditação de atenção plena, pode provocar mudanças significativas nas regiões cerebrais associadas à memória, ao sentido do eu, à empatia e ao estresse. Esse estudo foi o primeiro a documentar as mudanças produzidas pela meditação ao longo do tempo na massa cinzenta do cérebro.

Após a análise das imagens de ressonância magnética, que se concentraram em áreas em que foram observadas diferenças associadas à meditação em estudos anteriores, foi percebida uma maior densidade de massa cinzenta no hipocampo, que é importante para o aprendizado e a memória, e em estruturas associadas à autoconsciência e à introspecção. As reduções relatadas no estresse pelos participantes também estavam relacionadas à diminuição da densidade de massa cinzenta na amígdala, que desempenha um papel importante na ansiedade e no estresse.

Outro estudo, realizado no final do ano de 2013 por pesquisadores de Wisconsin, Espanha e França e publicado na revista Psychoneuroendocrinology, informou pela primeira vez sobre as mudanças moleculares específicas que ocorriam no corpo após um período de meditação consciente.

O estudo analisou os efeitos de um dia de prática intensiva de atenção plena em um grupo de meditadores experientes em comparação com um grupo de indivíduos de controle não treinados que participavam de atividades tranquilas e não meditativas. Após oito horas de prática da atenção plena, os “meditadores” mostraram uma série de diferenças genéticas e moleculares, incluindo níveis alterados do mecanismo regulador de genes e níveis reduzidos de genes pró-inflamatórios que, por sua vez, estavam relacionados a uma recuperação física mais rápida de uma situação estressante.

“O mais interessante é que as mudanças observadas ocorreram nos genes que são os objetivos atuais dos fármacos anti-inflamatórios e analgésicos”, explicam os pesquisadores.

A meditação pode compensar as reações do DNA que causam estresse

Um estudo mais recente, de junho de 2017, realizado pela Universidade de Coventry, no Reino Unido, descobriu que tanto as intervenções mente-corpo (MBI) quanto a meditação, a ioga e o Tai Chi Chuan, não apenas proporcionam relaxamento, mas também podem “reverter” ou compensar determinadas partes do nosso DNA que poderiam constituir um fator de risco.

A pesquisa, publicada na revista Frontiers in Immunology, revisa mais de uma década de estudos analisando como o comportamento dos nossos genes é afetado por diferentes MBI. Os pesquisadores concluíram que, após analisar conjuntamente 18 estudos com 846 participantes de mais de 11 anos, esses estudos revelam um padrão nas mudanças moleculares que ocorrem no corpo como resultado dos MBI e como essas mudanças beneficiam a saúde mental e física dos pacientes.

Os pesquisadores se concentraram em como a expressão genética é afetada. Ou seja, se focaram na forma como os genes se ativam para produzir proteínas que influenciam na composição biológica do corpo, do cérebro e do sistema imunológico.

Os pesquisadores destacam que milhões de pessoas no mundo todo já desfrutam os benefícios para a saúde das intervenções mente-corpo, como a ioga ou a meditação, mas o que talvez elas não se deem conta é de que esses benefícios começam no nível molecular e podem mudar a forma do nosso código genético. “Essas atividades deixam o que chamamos de marca molecular nas nossas células, que inverte o efeito que o estresse ou a ansiedade produziriam no corpo ao mudar a forma como nossos genes se expressam, o que melhora o nosso bem-estar” os especialistas explicam.

A meditação alivia a dor

O alívio da dor é outro campo no qual os pesquisadores sobre a meditação demonstram grande interesse. Nesse sentido, um estudo da Universidade de Leeds Beckett, no Reino Unido, publicado em junho de 2017, descobriu que a meditação poderia ser uma alternativa mais barata aos analgésicos tradicionais.

Mulher praticando meditação

Segundo esse estudo, apenas dez minutos de meditação de atenção plena poderiam funcionar como uma alternativa aos analgésicos. Os resultados do estudo sugerem que apenas uma sessão de meditação de dez minutos de atenção plena administrada por um terapeuta pode melhorar a tolerância à dor, o limite da sensação de dor e diminuir a ansiedade em relação à dor.

Outros estudos anteriores haviam explorado a possibilidade de aliviar a dor sem opioides mediante a meditação. Esse é o caso de um estudo realizado em março de 2016 pelo Wake Forest Baptist Health, nos EUA, publicado na revista Journal of Neuroscience. Esse estudo descobriu que depois de um curto período de treinamento da meditação, é possível reduzir a dor induzida experimentalmente.

Os pesquisadores explicam que esses resultados são especialmente importantes para quem já acumulou grande tolerância aos fármacos à base de opiáceos e está buscando uma maneira de diminuir a dor que não cause dependência. “Acreditamos que a meditação poderia ser utilizada em conjunto com outras terapias tradicionais, como os medicamentos, para melhorar o alívio da dor sem que sejam produzidos os efeitos colaterais e as outras consequências que podem surgir dos fármacos opiáceos” eles afirmam.

Um estudo anterior, elaborado pelo mesmo centro e publicado em 2015, descobriu que a meditação consciente reduz a dor de uma maneira mais eficaz que o placebo. O estudo utilizou uma abordagem em duas vias, pontuações de dor e imagens cerebrais, para determinar se a meditação de atenção plena tem simplesmente um efeito placebo ou se seus efeitos vão mais além.

Esse estudo demonstrou que os participantes que praticaram a meditação de atenção plena relataram maior alívio da dor que os que utilizaram placebo. De maneira significativa, as imagens cerebrais mostraram que a meditação consciente produziu padrões muito diferentes de atividade que os produzidos pelo placebo para reduzir a dor.

A pesquisa sobre os efeitos da meditação continua

Falamos apenas sobre alguns estudos que abordaram os efeitos da meditação. Sem dúvidas, tanto interesse está vinculado à observação de benefícios que vão mais além de simples mitos e crenças. E também do efeito placebo, certamente.

Mesmo sabendo o que a ciência diz sobre a meditação, o que não precisa de demonstração é o fato de que, se você quiser comprovar que isso funciona, terá que testar você mesmo, com a mente aberta e sem julgamentos. Depois que você tentar, poderá avaliar os resultados por si mesmo.