O que é a consciência? O mistério do nosso cérebro “quase” resolvido

· fevereiro 17, 2019

O que é a consciência? Cientistas e filósofos fizeram esta mesma pergunta durante anos. Consciência é, antes de mais nada, aquilo que nós sentimos: é a calma daquele abraço da pessoa que amamos, é a doçura daquele sorvete de morango que tanto gostamos, é a dor do fim de um relacionamento amoroso, é a curiosidade profunda que sentimos ao olhar as estrelas, é o medo de morrer, é a felicidade.

Consciência é tudo, porque, assim como disse Descartes, é a propriedade essencial da mente. Tudo que nela acontece, sejam os pensamentos, os desejos, as vontades ou as reflexões, constrói a sua forma e as suas bases particulares em cada pessoa. Todos esses processos definem o que o filósofo australiano David J. Chalmers chama de explicações simples.

“A consciência é a voz da alma; as paixões, a do corpo”.
– William Shakespeare –

Cada coisa que nós vemos e sentimos é captada pela nossa mente consciente. Ela interpreta, processa e, inclusive, é capaz de verbalizar tudo isso. No entanto, mais tarde, chega a explicação complexa, sobre a qual nem toda a comunidade científica e filosófica parece concordar com unanimidade.

Como os nossos sentidos, os neurônios e os processos químicos conseguem dar forma a essa entidade tão diferente em cada indivíduo?

William James, que além de famoso psicólogo também foi um filósofo, disse que a consciência seria formada, na verdade, por três “eus” diferentes, que o próprio cérebro se encarrega de delimitar com base em cada coisa que nós experimentamos de maneira consciente. Desse modo, segundo James, teríamos um “eu” material, um “eu” social, e um “eu” espiritual.

Como vemos, os desafios, as propostas e as teorias dirigidas a explicar este enigma nunca deixaram de surgir. No entanto, cabe indicar que a neurociência está avançando muito na tentativa de delimitar o que realmente é a consciência e, inclusive, onde ela está localizada.

A evolução da consciência

A consciência: o que é e o que diz a ciência?

Para começar, convém indicar que consciência não é a mesma coisa que discernimento. Existem aqueles que se enganam, e é necessário delimitar cada aspecto: a consciência é a capacidade da maioria dos seres vivos de sentir a realidade e de se reconhecer dentro dela. O discernimento se relaciona, exclusivamente, com o aspecto moral, com aquilo que está certo e o que está errado de acordo com um código social.

Esclarecido este assunto, também é interessante falar de uma ideia muito presente na atualidade: a necessidade de sermos conscientes, de abrir a nossa consciência. Esta mensagem tão repetitiva no campo do desenvolvimento pessoal e da espiritualidade também tem as suas diferentes perspectivas.

A nossa consciência, na verdade, sempre é receptiva; é impossível não sentir, por exemplo, a dor de dente, o frescor da grama recém-cortada, ou a proximidade de um temporal.

Além disso, em 2012, um grupo de cientistas de Cambridge realizou um grande avanço no estudo deste tema ao afirmar que esta faculdade não é exclusiva do ser humano. Os animais também têm este atributo, e assim ficou especificado naquela que se conhece como a declaração de Cambridge sobre a consciência.

Neurocientistas renomados, como o Doutor Philip Low, da Universidade de Harvard, indicaram, também, que já é hora de separar o aspecto espiritual do conceito da consciência. A neurociência nos oferece algumas respostas reveladoras e fascinantes sobre este assunto.

O funcionamento do cérebro

A consciência é o resultado da nossa complexidade cerebral e das nossas interações

Fritjof Capra é um físico da Universidade de Viena que escreveu um livro intitulado The Web of Life. Nesta obra, ele explica que o grau de autoconsciência de um organismo se baseia em suas interações com o meio em relação a um cérebro.

Ou seja, cada vez que nós percebemos alguma coisa, que sentimos, que vemos, que estabelecemos um relacionamento, uma conclusão, aprendemos ou experimentamos algo, a nossa consciência vai sendo construída pouco a pouco.

Chega um instante em que todos esses milhões de sinapses e impulsos nervosos cruzam um limite, onde acontece a formação dessa entidade que chamamos de consciência, e que define os seres humanos e os animais.

Existem aqueles que, sabendo isso, fazem a seguinte pergunta: poderia um computador, ou uma inteligência artificial, chegar a ter consciência se o colocássemos para experimentar coisas dia após dia? Antônio Damasio, o famoso neurocientista, indica que não, que isso nunca será possível porque as máquinas, simplesmente, não possuem emoções.

Temos outro estudo interessante que foi realizado pelo físico Roger Penrose e o médico anestesista Stuart Hameroff. Segundo estes dois especialistas, a consciência seria uma capacidade inerente a todo sistema biológico, a todo ser vivo.

É o resultado de certas mudanças quânticas ocorridas em nossos circuitos neuronais e nos microtúbulos (estruturas proteicas que fazem parte do citoesqueleto nas células) que criam, pouco a pouco, uma determinada estrutura formada por bilhões de momentos, que são conhecidos como protoconsciência.

Onde está a consciência?

René Descartes afirmava que o registro da consciência está na glândula pineal. No entanto, os cientistas dizem algo muito diferente. A Universidade de Harvard publicou as primeiras pistas sobre o tema em um estudo publicado na revista científica Neurology.

O enigma da consciência

O filho de um dos cientistas que participou e promoveu esta pesquisa escreveu um artigo bastante completo sobre o assunto na revista Psychology Today, no qual fornece detalhes sobre este interessante trabalho. Portanto, hoje podemos dizer que o lugar onde se concentram todos os processos de configuração da nossa consciência são, na verdade, três regiões:

  • O tegumento pontino dorsolateral rostral do tronco encefálico.
  • A ínsula anterior ventral esquerda.
  • O córtex cingulado anterior pregenual.

Atualmente, esta pesquisa ainda está sendo realizada através do que se conhece como Connectome Project. Uma de suas finalidades será a de devolver a consciência a pacientes em estado vegetativo ou coma. Conseguir que eles voltem não somente a nossa realidade, mas que façam isso com todas as suas faculdades, é um desafio excepcional que a ciência ainda tem pela frente.