Respire e não tenha medo, porque o que é verdadeiro perdura

Respire e não tenha medo, porque o que é verdadeiro perdura

setembro 2, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Respire e não tenha medo porque o que é verdadeiro... perdura

O amor verdadeiro nasce do choque entre duas almas semelhantes que se encontram e se enraízam graças a duas mentes maduras e conscientes, que se respeitam, que se amam livremente, mas que escolhem caminhar juntas. Assim, confie e não tenha medo, não semeie no seu coração medos e preocupações porque o que é verdadeiro perdura. Cuidamos do que é bonito e não temos motivos para sofrimento.

Sabemos que hoje em dia muitas pessoas não conseguem acreditar nessa ideia do amor devido às decepções que sofreram quando foram enganadas. Mas no que menos confiam é na seguinte palavra:  “durabilidade”. Como conseguir isso? Vivemos na era da obsolescência programada, quase tudo tem data de validade. Correntes filosóficas como a de Zygmunt Bauman, pai da modernidade líquida, ou a do sempre desafiante Slavoj Zizek, que nos traz seu ácido desencanto social, nos ilustram uma realidade onde nada dura, onde tudo o que transcende tem pouca coisa de positivo.

“Amar não é olhar um para o outro; é olhar juntos na mesma direção.”
-Antoine de Saint-Exupéry-

Assim, nesse presente em que a maioria lida com o descontentamento social e em que as mudanças são sempre frequentes… “Como acreditar que ainda existem dimensões realmente duradouras? Como acreditar em sentimentos sólidos, em amores eternos, em relações que nunca se dão por vencidas?

Sir Francis Bacon dizia que todas as pessoas estão dispostas a acreditar naquilo que gostariam que fosse verdade. Portanto, para construir algo verdadeiro, uma relação satisfatória, feliz e duradoura, precisamos não apenas confiar no amor, e sim acreditar no indivíduo, investindo esforços, tempo e carinho naquela pessoa especial, naquela pessoa amada. Porque aquilo que se ama, se cuida; e aquilo que é cuidado tem mais possibilidades de perdurar.

Amor verdadeiro

O amor verdadeiro em tempos de crise e neurociência

Amor em tempos de crise não é fácil. Não é quando há dificuldades econômicas, quando os millenials, por exemplo, carecem de meios e recursos para se tornarem independentes, para criar um projeto estável de relacionamento que tenha expectativas razoáveis para o futuro. Também não é fácil para quem, atingido pelo desemprego, mergulha em um período de crise, em uma fase de incertezas e angústias que impactam a imagem que faz de si mesmo, que ataca diretamente seu projeto de vida e repercute no seu próprio desenvolvimento pessoal. Dimensões que influenciam nesse quadro rico em tonalidades que é um relacionamento.

O amor verdadeiro é aquele que aprendeu a caminhar com desenvoltura na corda bamba. Porque a vida não é fácil, nós sabemos, mas o amor de boa qualidade, aquele de 24 quilates, sabe manter o equilíbrio apesar das investidas da vida, apesar das crises externas e, principalmente, das internas. Aquelas crises em que se termina duvidando de si mesmo, em que se perde as esperanças e as convicções e se diluem as autoestimas…

Um bom par, o amante consciente e a pessoa excepcional sabe como ser nosso centro, como ser nossa estrela Sírio, a mais brilhante no céu noturno, aquelas que nos guia para que voltemos para casa…

Porque, vamos admitir, na realidade não nos importa muito que a neurociência nos explique que amar é o simples resultado de três ingredientes: dopamina, ocitocina e noradrenalina. Não nos importa porque a realidade neurobiológica não diminui nem um pouco a magia nem o sentir.

Amor verdadeiro

O amor verdadeiro: uma sorte inesperada que precisa ser cuidada

Stephen Hawking disse uma vez que o amor é muito mais complicado que a física e que, às vezes, passamos tanto tempo olhando o céu que nos esquecemos que o que é mais valioso na nossa vida está na Terra. Seja como for, às vezes fazemos isso, nos descuidamos mesmo sabendo que o sentimento é verdadeiro e que a pessoa é a escolhida, mas o motivo do por que nos comportamos assim é complexo, multifacetado e às vezes incompreensível para a razão.

“Amar não é apenas gostar, é acima de tudo compreender”
– Françoise Sagan –

O amor é estranho, não há dúvidas, mas como disse Haruki Murakami em “Sauce ciego, mujer dormida”, uma coisa desse tipo raramente acontece. Situações em que encontramos alguém com quem conseguimos demonstrar nosso estado de espírito com exatidão, alguém com quem é possível nos comunicar com perfeição… E isso é uma sorte inesperada que nem todos conseguem aproveitar.

Assim, se isso acontecer na nossa vida e conseguirmos vivenciar essa maravilhosa casualidade… Por que não fazer direito? Por que não colocar nossos pés no chão, nosso coração no centro e nossa mente no nível da vibração da maturidade e da responsabilidade?

Sem dúvidas vale a pena porque quem nos enxergou quando éramos invisíveis para os outros merece tudo que podemos dar. Porque quem o prefere sem precisar de você vai cuidar de você como merece, em fogo baixo, com a chama viva e pacientemente, deixando que o próprio tempo e a felicidade façam desse amor algo duradouro.

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