5 obsessões que talvez você não conheça

19 Setembro, 2020
Você é daquelas pessoas que precisam fazer listas para tudo? Ou daquelas que tomam paracetamol para prevenir a enxaqueca? Esses tipos de manias e obsessões têm um nome. Continue lendo para saber mais.

Uma mania é uma preocupação caprichosa, e às vezes extravagante, por um determinado assunto ou coisa. Na cultura popular, ser maníaco está associado a aderir a certos padrões rígidos de comportamento, ligeiramente resistentes à mudança, mas perfeitamente evitáveis ​​à vontade, sem causar muita ansiedade. Em geral, uma mania não acarreta nenhum problema além de uma possível e mínima perda de tempo, por exemplo. Mas o que acontece se essas preocupações e manias se transformam em obsessões?

Cabe destacar que, na linguagem coloquial, os termos “mania”, “obsessão” e “paixão” tendem a ser tomados como sinônimos (ou quase sinônimos). Essa sinonímia não é correta do ponto de vista da psicologia, uma vez que mania se refere a um estado de espírito excessivamente eufórico e impensado. No entanto, estabelecer esse paralelo entre as palavras mania e obsessão torna o assunto mais fácil de entender.

Uma coisa é certa: você pode ser obcecado ou apaixonado por quase tudo que possa imaginar. Também não há ninguém que esteja livre de ser um pouco “maníaco” e, a qualquer momento, qualquer um de nós pode se ver realizando um comportamento ritualístico.

Conhecemos muitas dessas obsessões e sabemos como elas são chamadas, como, por exemplo, a melomania (obsessão ou paixão pela música). Porém, muitas outras não são conhecidas ou não sabemos como nomeá-las. Vamos ver algumas delas a seguir.

Mulher ouvindo música com fones de ouvido

Glazomania: obsessão por listas

A glazomania é a obsessão, paixão ou fascinação incomum por fazer listas. Essa obsessão pode ser usada como uma ferramenta para ser mais eficiente ou mesmo para diminuir o nível de estresse, graças ao fato de as listas funcionarem como uma forma de antecipação.

As pessoas com glazomania fazem listas de absolutamente tudo: desde uma lista de tarefas diárias ou de lugares para ir, até listas de frases-chave para dizer em determinados momentos.

Pessoas com glazomania descobrem que fazer listas as ajuda a se manterem organizadas. É preciso distinguir entre ser apaixonado por listas e outros transtornos como TOC ou transtorno obsessivo compulsivo de personalidade.

No caso do TOC, no subtipo de TOC de verificação, a presença de certas obsessões provoca o surgimento de comportamentos compulsivos, neste caso de verificação, para diminuir a ansiedade. Nesse contexto, o uso de listas pode se tornar uma estratégia de verificação que permite interromper a compulsão. Por exemplo, verificar se o item “fechar porta” está marcado na lista, em vez de ir olhar a porta para verificar.

De acordo com o DSM-5, o transtorno obsessivo compulsivo de personalidade consiste na preocupação com a organização, o perfeccionismo e a eficiência. Entre os critérios diagnósticos coletados para esse transtorno está a preocupação com detalhes, regras, listas, organização… a ponto de negligenciar o objetivo principal da atividade (ou seja, o objetivo da própria lista).

Ambos os transtornos trazem um sofrimento significativo ou prejuízo da atividade social, profissional ou em outras áreas importantes da vida. Essa característica é o que distingue a glazomania, ou o simples gosto por fazer listas, de um distúrbio como os mencionados acima.

Farmacomania: obsessão por tomar medicamentos

Como o próprio nome indica, a farmacomania é a obsessão por tomar medicamentos em situações nas quais eles não seriam necessários ou para fins para os quais um determinado remédio não é indicado. Esse conceito pode estar relacionado à farmacofilia (oposto à farmacofobia) que é a inclinação ou predisposição para tomar medicamentos.

Dentre os transtornos que podem estar relacionados a esse conceito, encontramos a hipocondria, bem como os transtornos da dor e a fibromialgia. O comportamento de tomar um medicamento “por precaução” está relacionado ao uso de analgésicos nos pacientes que sofrem de dor crônica como estratégia para evitar a dor.

No caso da hipocondria, o medo de sofrer de uma doença pode levar à ingestão excessiva de medicamentos para preservar ou melhorar alguma função fisiológica. Um exemplo pode ser o paciente que toma laxantes diariamente para ter um trânsito intestinal adequado e evitar a obstrução intestinal que tanto teme.

No entanto, associado à hipocondria também encontramos o polo oposto: a resistência a tomar medicamentos por medo dos efeitos colaterais.

Obsessões relacionadas ao descanso: catisomania e clinomania

Nesta área existem diferentes obsessões relacionadas a diferentes aspectos do descanso, como se sentar, se deitar, ou, diretamente, dormir. Todas são muito semelhantes, mas têm diferenças sutis que iremos explorar.

A catisomania é a obsessão por se sentar. Não é simplesmente o gosto por estar sentado, é uma necessidade irreprimível de sentar. Pode até mesmo levar a tirar o assento de idosos ou mulheres grávidas no transporte público, sentar-se no chão durante a fila, ou sentar-se em um suporte em uma loja, etc.

Não se deve confundir a catisomania com a clinomania, que é a obsessão por ficar deitado, nem com a hipnomania, que é a obsessão por dormir. No caso da clinomania, a vida da pessoa gira em torno de ficar deitada na cama.

Tanorexia: obsessão por estar bronzeado

A tanorexia é a necessidade obsessiva de ter um tom de pele mais escuro e bronzeado. Poderia ser considerado um vício ou um subtipo de transtorno dismórfico corporal. Essas pessoas estão excessivamente preocupadas com um defeito, real ou imaginário (ter pele clara, neste caso). Pessoas com tanorexia associam a pele bronzeada à beleza. Além disso, se consideram incapazes de viver sem um banho de sol ou sem raios UVA.

As estratégias para conseguir o bronzeado consistem em sessões prolongadas de raios UVA ou longos períodos ao sol, geralmente associados a comportamentos de risco. Por exemplo, tomar banho de sol ou UVA sem o uso adequado de protetor solar e até mesmo usar aceleradores de bronzeamento que colocam em risco a saúde da pele.

Os efeitos benéficos da luz solar em nossa saúde são bem conhecidos; no entanto, a exposição prolongada ou desprotegida aumenta o risco de problemas de pele. Estes podem variar desde queimaduras solares, câncer de pele ou melanoma, ao envelhecimento precoce da pele.

O tratamento da tanorexia depende da sua origem. Por um lado, pode ser conceituada como um vício ou um transtorno dismórfico corporal. Por outro lado, os banhos de sol podem ser feito em épocas, como forma de autogestão de um transtorno depressivo com padrão sazonal.

Além disso, sabemos que a luz solar promove a liberação de endorfinas e gera uma sensação de relaxamento, bem-estar e euforia. Por isso, além do tratamento psicológico, outras formas de aumentar as endorfinas devem ser buscadas para substituir o excesso de banhos de sol, como fazer exercícios, ouvir música, rir ou comer.

Tanorexia: obsessão por estar bronzeado

Reflexão sobre as obsessões

Essas cinco obsessões descritas aqui são apenas uma pequena amostra do grande repertório existente. Em geral, elas não são sérias e não devem receber mais importância do que têm. Na verdade, ter alguma dessas obsessões ou “ser um pouco maníaco” não é ruim, desde que isso não afete a qualidade de vida diária nem cause ansiedade.

Devemos evitar que essas peculiaridades que o tornam único e especial se tornem aquelas suas manias insuportáveis. Isso é conseguido de uma forma simples: sendo flexível e tolerante.

Uma mania não pode nos fazer ultrapassar certos limites na convivência com os outros, nem pode nos fazer querer controlar completamente a maneira como os demais agem. Se isso acontecer, se uma mania diminui a sua qualidade de vida, é hora de consultar um profissional.