Onicofagia: 7 dicas para parar de roer as unhas

· julho 26, 2017

Uma prova, uma reunião familiar, um encontro amoroso, uma espera no médico… todas estas situações têm algo em comum. Em todas elas a ansiedade, a preocupação ou a timidez podem nos invadir. Estas emoções ou pensamentos podem ser exteriorizados com as palavras, com o corpo, ou através dos gestos. As mãos são um elemento de comunicação importante. Com elas abraçamos, acariciamos e expressamos. Com elas também manifestamos nossa inquietude, tédio, vontade de terminar uma reunião, ou até a má educação.

Dentro da expressão através das mãos, as unhas podem ser um reflexo de nossas emoções ou pensamentos. Para muitas pessoas roer as unhas é uma ferramenta para canalizar sensações, ainda que seja de forma inconsciente. Isso é conhecido como onicofagia. A palavra vem das palavras gregas onyx (“unha”) e phagein (“comer”) (Cano, Peniche e Arellano, 2001).

Geralmente a onicofagia é considerada uma compulsão, ou seja, é realizada para gerenciar sensações de ansiedade, pensamentos intrusos e sensações de inquietude. Tem consequências importantes em nossa saúde bucal, imagem social e autoestima nos casos mais graves. Apesar das dificuldades de reverter este hábito, nem tudo está perdido. Se não for um caso clínico, só é necessário um pouco de vontade, consciência e motivação.

Onicofagia, um problema sem resolver

A tendência a roer as unhas, ou onicofagia, continua sendo um mistério até no mundo da psicologia, da medicina ou da psiquiatria. Em 2015 no Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry foi publicado um artigo que defendia que a onicofagia não era sinal de nervosismo ou ansiedade como a maioria de nós pensa, e sim um sinal de perfeccionismo. Esta atividade poderia ajudar estas pessoas a gerenciar sua insatisfação ou irritação.

Onicofagia: roer as unhas

Também encontramos estudos que demonstram que um terço daqueles que sofrem de onicofagia convivem em um ambiente familiar onde outro membro do grupo também tem este hábito. Estes casos falam da imitação de crianças em famílias em que um pai, mãe ou irmão costuma roer as unhas. Outros estudos simplificam a equação e relacionam a onicofagia ao prazer. A ação de roer as unhas geraria sensações prazerosas.

Começar pela vontade própria?

Diz-se que é questão de ter força de vontade parar de fazer algo ou alcançar um objetivo. “Se você não faz, é porque não quer de verdade”. No entanto, este tópico está carregado de tantas razões quanto de falta delas. É verdade que nos dá uma visão simplista da realidade, mas não é menos certo que a vontade e a motivação (seja qual for) são o motor e a força para começar. Sem elas não chegaríamos a nos colocar nem no ponto de partida. Mas cuidado porque, muitas vezes, querer não é poder.

“Se você começar por prometer o que ainda não tem, perderá sua vontade de consegui-lo”.
-Paulo Coelho-

A vontade não move montanhas, mas é muito importante para começar. Não importa que falhemos, que cometamos erros ou que passemos um período de férias inteiro sem roer as unhas e que, ao voltar ao trabalho, voltemos ao hábito. Todos os finais são novos começos. Se uma fórmula não funciona, experimente outra diferente. Se não quer mudar o quê, mude o como.

O que você fez de errado na última vez? Onde estava o erro? Lembre-se da sensação de conseguir e comece novamente. No momento em que tomar a decisão, escreva uma mensagem positiva para si mesmo, algo que tenha significado, e coloque em um local visível. Isso irá ajudá-lo quando as tentações aparecerem.

Seja consciente

Nada mais importante para corrigir os erros do que tomar consciência deles. No trabalho, nas relações de casal, na comunicação e em qualquer atividade na qual queiramos melhorar. Combater a onicofagia é uma maratona. Uma boa forma de começar é fazendo registros e anotando os momentos em que você rói as unhas. Onde você está? O que está fazendo?

Registrar é uma forma de tomar consciência das atividades ou pessoas que rodeiam este comportamento. As horas, os lugares… dirigindo, no semáforo, no final do dia… cada momento é importante porque lhe dará uma ideia dos estímulos que estão mais associados à ação de roer as unhas.

“Dar-se conta do que é preciso fazer, e não o fazer, é covardia”.
-Confúcio-

Mulher escrevendo carta

Pequenos passos nos levam a grandes conquistas. O grande inimigo da motivação são os objetivos impossíveis. Talvez você tenha um evento ou entrevista de emprego e, para isso, decide não roer as unhas. É paradoxal porque no momento de maior ansiedade você deixa de lado sua arma para combatê-la. Certamente em algum momento você acabará por esquecer o objetivo, roerá as unhas e sentirá uma sensação de fracasso e incapacidade.

Isso é colocar muita pressão para eliminar um hábito como a onicofagia, que pode estar em nosso interior há anos. Certamente há pessoas que conseguiram eliminá-lo de primeira. Sempre existe a pessoa que fala do seu último cigarro. Mas… e aqueles que não funcionam assim?

Tentar não ser duro demais consigo mesmo é uma boa ideia quando a tentação venceu a vontade. Experimente fazer isso com um ou dois dedos e marque um objetivo de fim de semana ou férias. A soma de objetivos simples e mais fáceis fará com que alcancemos grandes metas. Cada passo conta, e assim como devemos registrar a conduta que queremos mudar, também vale a pena registrar as conquistas que vamos alcançando.

“Os objetivos só são alcançados se medirmos os progressos”.
-Guy Kawasaki-

Prepare-se para a tentação

Evitar a tentação é o passo seguinte depois de conhecer as situações, pessoas ou momentos do dia em que a onicofagia aparece. No entanto, não podemos escapar ou evitar constantemente. Uma das estratégias é recorrer à nossa mente. Antecipar a situação e a forma de sair dela sem roer as unhas é visualizar um momento de sucesso do qual possamos sair fortalecidos. Busque pensamentos alternativos aos quais viajar e mensagens positivas nas quais possa se apoiar. Outro recurso é o treinamento do corpo em respiração e relaxamento para combater as situações que causam nervosismo.

“Quem evita a tentação evita o pecado”.
-Ignacio de Loyola-

Assim como se pode treinar o corpo e a mente, também podemos aprender a domar o comportamento. Uma série de exercícios práticos são levar a mão à boca e deixá-la a 5 centímetros de distância, aguentando as sensações, ou morder um dedo e aguentar 20 segundos. Se você fizer isso de forma consciente e como treino, pouco a pouco irá se acostumar e será mais fácil identificar as sensações que precedem o ato que quer evitar: o de roer as unhas.

Busque alternativas (para a boca e para as mãos)

Todos que lutaram contra um mau hábito (mais ou menos inofensivo) sabem o quanto é difícil. Muitas vezes há uma certa incompreensão por parte das pessoas que rodeiam a que tenta deixar este hábito, podendo receber inclusive comentários que aludam a sua fraqueza mental.

Às vezes a visualização, vontade ou mentalização não bastam. Então, encontrar alternativas pode ser uma solução. Não nos esqueçamos de que para cada pessoa há uma opção melhor. O importante é lembrar que podemos agir em dois focos: a boca e as mãos.

Mulher mascando chiclete para não roer as unhas

Diante da necessidade de ter algo na boca para aplacar os nervos, a inquietude ou o tédio, podemos recorrer a mascar chiclete, gengibre, ou chupar alcaçuz, etc. Ter algo na boca retira esta necessidade de ocupar este espaço. Outro ponto no qual podemos agir são os dedos.

Lavar as mãos, usar luvas, esmaltes, colocar algum adesivo, poderá ajudar a evitar a ação. Pelo menos pode servir de recordação direta do objetivo traçado. Além disso, você pode ter outros objetos para tocar e se distrair, como um chaveiro, uma caneta, uma bolinha pequena, etc. Algo com o que possa brincar e ter as mãos entretidas.

Se você buscar, encontrará

É uma tentação. Há um momento em que as unhas começam a crescer e é lógico que a sensação seja estranha. Involuntariamente tocamos os dedos, os olhamos e acariciamos as unhas. Outro costume é passar as pontas dos dedos ou roçar as unhas com as roubas. Evitar estes gestos será fundamental. No momento em que tenhamos treinado a atenção para tomar consciência do que fazemos, será difícil evitar cair em tentação.

Quando há uma pequena irregularidade na unha, um truque simples é usar um pequeno adesivo em cima. Com isso evitaremos recorrer aos dentes para superar isso que não toleramos, os picos nas unhas. Se em um dado momento nos encontrarmos realizando este tipo de atividade, “recolha” as mãos. Ou seja, feche os punhos, busque alguém e inicie uma conversa, ou até coloque as mãos nos bolsos ou sob as coxas se estiver sentado.

Se estiver progredindo, comemore

Neste ponto cabe destacar o quanto é difícil reconhecermos méritos de nós mesmos. Muitas vezes, pela educação recebida ou por medo de passar uma imagem distinta da que queremos projetar, deixamos de valorizar as pequenas conquistas que alcançamos. Este enfrentamento prejudica a construção da autoimagem. Se chegamos a uma meta é preciso premiar-nos: com isso não vamos ser menos humildes e nem nos acharmos mais do que ninguém.

Ainda que para as pessoas que nos rodeiam sejam ações menores, se fixamos uma meta e a alcançamos, será positivo potencializar a satisfação própria que emana da conquista. Podemos definir pequenas recompensas se conseguirmos, por exemplo, ficar uma semana sem roer as unhas. Além disso, buscar a cumplicidade com o entorno pode nos ajudar no processo. Se entenderem e sentirem empatia, serão um apoio fundamental.

Por outro lado, se o problema é um caso de saúde a ponto de causar sangramentos, deformação nos dedos, ou está associado a um transtorno obsessivo – compulsivo, depressivo ou ansioso – será fundamental consultar um médico para assessoria, controle e acompanhamento do hábito e de todas as consequências que ele causa.