Pensar em si mesmo não é egoísta - A Mente é Maravilhosa

Pensar em si mesmo não é egoísta

junho 29, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Pensar em si mesmo não é egoísta

Em muitas ocasiões, quando dizemos que pensamos em nós mesmos, as pessoas que estão perto podem nos chamar de egoístas. Mas o que significa ser egoísta? Talvez estejamos utilizando este adjetivo de forma equivocada e, sobretudo, de maneira injusta.

Vamos a refletir sobre esta palavra, suas implicações e como podemos dedicar tempo a nós mesmos sem nos sentirmos culpados.

Ser egoísta é pensar em si 100% das vezes, sem pensar nos demais

Para entender o que significa ser uma pessoa egoísta, proponho olhar no dicionário. Ali o egoísmo seria um excessivo apreço que uma pessoa tem por si mesma, e que faz com que atenda desmedidamente ao seu próprio interesse, sem preocupar-se com os demais.

Cada um de nós conta com nossos próprios esquemas (valores e crenças mais ou menos fixas que servem para interpretar o mundo e fazer-nos ter uma ideia de como funciona), e daí partem nossos pensamentos. Por isso não é raro que cada pessoa aplique esta palavra baseando-se nesta experiência prévia e em como entende a palavra egoísmo e suas implicações. Em outras palavras: cada pessoa tem um conceito distinto do que é ser egoísta.

Mulher pensando em si mesma

Para algumas pessoas, ser egoísta pode significar não ter feito nada por elas e para outras, ou, no caso mais extremo, não ter feito um favor que lhe foi pedido por falta de tempo apesar de você ter estado ali sempre que pôde. No primeiro caso poderia ser acertada a definição, mas o que acontece no segundo caso?

Como nos sentimos quando uma pessoa nos chama de egoísta sem ter em conta tudo de bom que fizemos por ela? Irremediavelmente mal, confusos e irritados apesar de sabermos que é injusto. Antes de continuar vamos deixar isto claro: se alguma vez não fizemos algo por alguém quando nos pediram, não significa que somos egoístas.

Não podemos mudar os esquemas dos outros

Há uma situação que se repete com frequência: uma pessoa pede que façamos algo por ela e não podemos lhe dar o que necessita no momento em que nos pede. Em seguida, esta pessoa nos chama ou insinua que somos egoístas e nos sentimos muito mal, não só porque nos julgaram negativamente, mas também porque havia uma encruzilhada de interesses na qual, ao final, os menos favorecidos foram os seus.

Quem está atuando de forma egoísta então? Quem está pensando em si mesmo sem ter em conta os direitos que temos como pessoas?

Há uma realidade clara: não contamos com recursos suficientes para tentar mudar os esquemas dos demais. Isso quer dizer que, se uma pessoa interpreta que estamos agindo de maneira egoísta, sem fazer um esforço para compreender nossas circunstâncias, podemos fazer-nos duas perguntas:

  • Sentimos empatia pelo seu problema?
  • Apesar de não poder estar na situação e momento demandados, tentamos oferecer uma alternativa?

Se ambas as respostas são afirmativas, lembre-se sempre desta liberdade fundamental: temos direito a recusar um pedido sem nos sentirmos culpados por isso.

Além disso, é bom ter em conta que as pessoas cometem um grave erro se estendem a qualidade subjetiva decorrente de uma conduta à sua personalidade. Por exemplo, alguém pode agir de uma maneira mesquinha e não ser mesquinho, alguém pode esbarrar em alguém e não ser desengonçado.

Para entender melhor, vamos supor a seguinte situação: imagine que todas as semanas você se levanta na mesma hora. Faz todas as atividades que tinha que fazer e, no final do dia, terá feito tudo que deveria ter feito. Agora imagine que um dia você cochila quinze minutos a mais do que deveria. Imagine que, por algum motivo, não pode fazer tudo que deveria e, no final do dia, não fez tudo que deveria ter feito.

Mulher preocupada com o futuro

Você é uma pessoa irresponsável? É uma pessoa pouco disciplinada? Não, simplesmente teve um mau dia e é possível que tenha agido de forma pouco disciplinada e irresponsável. Mas atenção, que você tenha feito isso de forma pontual não vai te fazer uma pessoa com essas características. Na verdade, mesmo que você queira sempre fazê-lo desta maneira, não necessariamente tem essas características porque o passado nem sempre é um bom parâmetro para o presente e o futuro.

Aproveite os ventos que soprem a favor, mas não deixe que o vento governe

Você sente que não tem tempo para si mesmo? Sempre que surge algo as pessoas ao redor querem sua atenção e o desviam de seus objetivos? Você se dedica muito aos demais? Sente que é um barco a vela à mercê do vento? Sempre é preciso guardar um espaço para nós mesmos e, para isso, devemos aprender duas habilidades que são imprescindíveis para nosso bem-estar: aprender a dizer “não” sem nos sentirmos culpados.

É verdade que este é um tema complexo e carregado de nuances. É por isso que não podemos criar regras fixas de como deve ser feito, senão focar na importância de trabalhar isso. Se você é das pessoas que sempre estiveram à disposição dos outros e deixando sua vida de lado, você deve saber que:

  • A mudança é um processo de treinamento. Se somos adeptos a uma série de costumes, mudá-los requererá tempo, paciência e esforço. Normalmente esses hábitos estão entrelaçados e mudar um significa mudar elementos de toda uma cadeia. Por exemplo, adotar uma atitude mais cordial com a humanidade vai demandar de nós saber conversar, quando antes fazer silêncio não precisava dessa habilidade.
  • Seu entorno talvez não te entenda. É possível que, se acostumamos as pessoas que estão ao nosso redor a ouvir sempre “sim”, a primeira vez que dissermos “não” a um pedido isso provavelmente causará surpresa. É possível até que possam chegar a dizer que você mudou ou que é uma pessoa egoísta. Neste ponto sempre encontraremos resistências, especialmente se esta mudança supõe terminar com a comodidade de alguém.
  • Analise sempre de forma objetiva a situação. Se o pedido não é urgente, não requer obrigatoriamente sua presença, se você teve empatia com o problema e lhe ofereceu uma alternativa de ajuda em outro momento que seja compatível com suas atividades e objetivos, não há dúvidas: não há motivos para sentir culpa.

Em definitivo, pensar em si não é ser egoísta se você souber manter um equilíbrio. Se você realmente trabalhar nesta parte de si próprio sem atender ao conceito e às frases que caem fundo em nossa linguagem sobre o egoísmo, você alcançará um equilíbrio justo entre dedicar tempo e energia aos demais e atender suas próprias paixões, atividades e sonhos.

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