Aprenda a pensar em si mesmo: priorizar-se também é saúde

24 Fevereiro, 2020
Sentir-se um ator coadjuvante no teatro das nossas próprias vidas traz consequências. É necessário pensar um pouco mais em nós mesmos. Além disso, tratar-se como prioridade em determinados momentos ajuda a aumentar o bem-estar.

Está na hora de aprender a pensar em si mesmo. Ao fazer isso, você vai receber como recompensa saúde psicológica e felicidade. Assim, por mais que nos tenham feito pensar o contrário, gostar de nós mesmos e nos dar a importância que merecemos não é um ato de egoísmo. De fato, quem escolhe se deixar diluir nas necessidades alheias, esquecendo-se de si mesmo, perde a força da autoestima.

Na obra Alcibiades I, atribuída a Platão, há um interessante diálogo entre Sócrates e seus alunos em que somos incentivados a realizar uma coisa muito importante: cuidar de nós mesmos.

Mas essa concepção de “cuidado” vai muito mais além da simples atenção com o corpo ou com a saúde física. O filósofo grego falava, sobretudo, da necessidade de conhecer a si mesmo, de realizar-se como pessoa, de alcançar o estado ideal do ser.

Conquistar essa meta pessoal parece ser cada vez mais complicado. Além disso, uma coisa que temos observado, a partir da perspectiva da psicologia, é que as necessidades das pessoas têm se tornado mais complexas com o passar do tempo.

Um exemplo: entre os anos de 1960 e 1980, um dos problemas mais comuns da população era a clássica crise de identidade. Saber quem sou e o que eu quero eram as perguntas que precisavam de respostas.

Hoje em dia, a coisa vai um pouco mais além. Vivemos tempos de incerteza, de instabilidade, de perder hoje o que ontem considerávamos como certo… Além de nos perguntarmos quem somos, tudo isso nos leva a estar quase sempre em “modo de sobrevivência”, sem saber a quem apoiar ou como reagir diante da adversidade.

É daí que surge a ansiedade, o estresse e, principalmente, o problema central ao redor do qual orbitam muitas mentes: a falta de autoestima. Priorizar a si mesmo, pensar um pouco mais em nós para fortalecer valores e fortalecer o autoconceito, será de grande ajuda.

A importância de pensar em si mesmo

Dicas para aprender a pensar em si mesmo

Os sociólogos afirmam que vivemos em um mundo cada vez mais individualizado, fragmentado, em que, ao mesmo tempo, temos cada vez mais capacidade de movimento, de ação e escolha.

No entanto, em meio a esse contexto e estilo de vida, a satisfação nem sempre está presente. Além disso, a infelicidade e a sensação de vazio continuam sendo dimensões recorrentes.

Há muitas causas que explicam e estruturam essa realidade, mas uma delas é a incapacidade de nos valorizarmos como merecemos. Essa suposta individualidade parece ter duas faces, porque continuamos subordinados às modas, ao que a sociedade destaca e, também, às expectativas alheias.

Ao mesmo tempo, há um grande número de relações afetivas baseadas na dependência e, por sua vez, nesse costume tão nosso de priorizar os outros acima de nós mesmos. Ser ator coadjuvante no teatro da vida traz consequências. Cedo ou tarde, chega um dia em que nos olhamos no espelho e não gostamos do que vemos.

Não gostamos da pessoa que está na nossa frente porque não nos identificamos com ela. É o momento, portanto, de aprender a pensar em si mesmo. Estas são as dicas para começar.

Descanso físico e mental

Quando carregamos tantas responsabilidades nas costas, quando passamos vários anos priorizando os outros, acabamos percebendo os sintomas: surge a exaustão, tanto no âmbito mental quanto no físico. O que esse tipo de situação faz é drenar nossa energia, nosso ânimo e nossa motivação.

Ninguém pode ser útil para os outros nessas condições, e menos ainda para si mesmo. Por isso, é fundamental nos permitirmos um tempo de descanso e, para isso, podemos começar separando alguns dias somente para nós, nos quais poderemos juntar forças e reordenar os pensamentos.

Mais tarde, também é necessário, em cada um dos nossos dias, dedicarmos algumas horas somente a nós mesmos.

Esses momentos de solidão nos conectam com a nossa identidade e as nossas necessidades pessoais.

Mulher respirando ar puro

Faça o que você ama, suas paixões também têm prioridade

Para aprender a pensar em si mesmo, lembre-se de uma coisa importante: o que desperta sua paixão o define. Dessa forma, não a deixe de lado para cuidar dos outros, para fazer parte dos interesses do(a) seu(sua) parceiro(a), da família ou dos amigos.

Assuma uma posição porque, quando você faz o que gosta, você se inspira, recobra as energias, dá o melhor de si e, mais ainda, todo o seu ser fica em equilíbrio.

Se você tem um sonho pendente, foque nele. Se tem interesses, não os deixe para trás. Faça com que cada dia valha a pena ao realizar, em algum momento, algo que combine com você, que te faça se sentir realizado.

A vida não é apenas “fazer coisas”. “Sentir” também é importante

Nós passamos a vida fazendo coisas. Você vai para o trabalho, volta, sai para fazer compras, transmite recados, come, dorme, planeja… Mas, em meio a essas dinâmicas cotidianas, onde ficam as sensações, as boas emoções, os sentimentos?

Para aprender a pensar em si mesmo, você deve ter consciência de um aspecto: parar um pouco para ser, sentir e estar também é uma prioridade. 

Ao mesmo tempo, é preciso considerar que fazer e sentir não são excludentes. O segredo reside em conseguir fazer com que grande parte das coisas que fazemos ao longo do dia sejam satisfatórias para nós. O ideal seria que suas responsabilidades profissionais fossem motivadoras e também o ajudassem a crescer como pessoa, cumprindo metas.

É necessário também que o tempo que você compartilha com quem está ao seu redor seja de qualidade. Caso contrário, se a vida com esse(a) parceiro(a), esses amigos, essa família ou esses colegas de trabalho não lhe agradar e lhe trouxer mais dissabores do que prazer, você estará investindo na infelicidade.

Jovem contemplando o oceano

Fortaleça sua autoestima para pensar em si mesmo

Quem aprende a pensar em si mesmo e a se priorizar quando é necessário é alguém que trabalha todos os dias o músculo da autoestima. Porque se conseguirmos pensar em nós mesmos de maneira positiva, se nos sentirmos valiosos, corajosos e com recursos suficientes para enfrentar desafios e alcançar sonhos, nossa realidade psicológica vai mudar e alcançaremos a plenitude.

A autoestima é aquele núcleo alimentado por tudo, nutrido por tudo. É o magma da nossa identidade, assim como aquelas raízes que fazem florescer a nossa capacidade de conquistar metas. Portanto, a forma como vamos nos sentir vai depender muito de como a alimentarmos.

Sentir-se protagonista no filme da sua vida vai lhe permitir avançar com mais integridade, sintonizando valores com comportamentos, pensamentos com palavras, desejos com realidades. Vamos, portanto, trabalhar diariamente os aspectos que foram destacados aqui.