Personalidade resiliente: Bom dia mundo! Ainda estou aqui

· janeiro 11, 2019
A perda de um ente querido, o abuso físico ou psicológico, as catástrofes naturais ou o fracasso em alguma área da vida são circunstâncias que colocam as pessoas à prova. Você pode desenvolver uma personalidade resiliente em condições dramáticas e nadar contra a corrente.

Há pessoas que têm uma enorme capacidade de superar contratempos ou eventos emocionais muito dolorosos – poderíamos dizer que têm uma personalidade resiliente, de sobreviventes. Por outro lado, manter-se de pé diante das adversidades não significa ser de borracha. Requer grandes doses de atitude positiva, perseverança e integridade.

A perda de um ente querido, o abuso físico ou psicológico, as catástrofes naturais ou o fracasso em alguma área da vida são circunstâncias que nos colocam à prova. Você pode desenvolver a habilidade de ser forte em condições dramáticas e nadar contra a corrente. É o que conhecemos na psicologia como uma personalidade resiliente.

Existem dois tipos de personalidade resiliente. Podemos diferenciá-las como a capacidade de proteger a própria identidade sob pressão em condições destrutivas e a capacidade de manter uma atitude vital positiva em circunstâncias prejudiciais. É um processo dinâmico de adaptação a ambientes adversos e experiências traumáticas.

Sofrimento e cérebro

O sofrimento psicológico modifica o cérebro. Manter um estado de alerta constante gera quantidades de cortisol que, em circunstâncias normais, não são necessárias.

Nosso sistema de alerta precisa de cortisol para preparar nosso corpo em caso de emergência, mas quando os níveis são excessivos e constantes, o crescimento é dificultado. Ele também afeta as respostas imunológicas e a capacidade de atenção.

A testosterona desempenha um papel crucial em situações de estresse crônico. Essas situações hostis fazem com que os níveis de testosterona sejam reduzidos consideravelmente, o que, por sua vez, reduz as habilidades assertivas do indivíduo.

Há uma falta de atenção e surgem problemas na busca de soluções, com pouca criatividade e ideias estereotipadas (repetição de padrões do que foi vivido).

A resiliência e o cérebro

A personalidade resiliente é uma categorização?

Em situações de estresse pós-traumático, pode ser feita uma distinção gradual entre a personalidade não resiliente e a personalidade resiliente. Existem muitos graus entre os dois extremos.

Nas personalidades pouco resilientes, é reativada a lembrança das memórias traumáticas de maneira mais intensa e com maior frequência. Isso se faz de maneira compulsiva e na forma de pensamentos intrusivos. Essas memórias ativam áreas do cérebro, como o locus coeruleus, a amígdala, o hipocampo e o neocórtex.

A personalidade resiliente parece ser o resultado de vários processos que neutralizam essas ativações em situações hostis. A dehidroepoandrosterona (DHEA) tem um papel de destaque. É responsável por reduzir a atividade do colesterol e inibir os excessos de glicocorticóides e glutamato.

Desta forma, é possível prevenir infartos cardíacos e isquêmicos. Observou-se que, estatisticamente, sujeitos com maior capacidade intelectual e maior atividade cognitiva apresentam maiores níveis de resiliência. Parecem ser capazes de gerenciar e processar traumas com mais facilidade.

A empatia, o autoconhecimento, o senso de humor, uma abordagem positiva diante das situações e consciência no presente são várias das capacidades que podem ser observadas em pessoas resilientes.

São pessoas flexíveis, que buscam um propósito significativo em suas vidas. Possuem boas habilidades para interação social e sabem lidar com a frustração e a incerteza.

A resiliência pode ser treinada

Nossas emoções e o modo de encarar um evento não são tão externamente condicionados quanto internamente. A chave está na maneira como interpretamos o que acontece. Treinar a resiliência é entender que as emoções negativas nos bloqueiam e as emoções positivas nos impulsionam à mudança.

É desenvolver a capacidade de emitir respostas positivas em situações adversas. Em muitos casos, não está em nosso poder mudar as circunstâncias, mas podemos desenvolver forças que facilitem as respostas que nos ajudam a reduzir o desconforto.

Há muitas medidas que podemos adotar a esse respeito. Reescrever nossa história, ajudar os outros, reduzir o estresse e estar disposto mentalmente a reorganizar crenças e objetivos. Mudar o discurso pessoal nos permite ver o mundo e ver a nós mesmos de uma  maneira diferente.

Girassol na palma da mão

Precisamos começar a considerar os conflitos como oportunidades de crescimento. Lembrar como outras vezes superamos obstáculos no passado também gera uma capacidade maior de resiliência.

Ser forte requer grandes doses de perseverança e confiança em tudo que podemos desenvolver com habilidade e esforço. Ao mesmo tempo, aprendemos com o passado e nos permitimos experimentar emoções fortes, fazendo um gerenciamento inteligente das mesmas.