Por que há algumas pessoas que não querem ser ajudadas?

· fevereiro 9, 2018

Todos nós já encontramos alguma vez na vida algumas pessoas que não querem ser ajudadas. O mais comum é que elas correspondam a um desses dois casos: são pessoas que estão dispostas a ajudar a todos, mas têm dificuldade em aceitar ajuda; ou são pessoas que estão com um problema sério e, mesmo assim, não aceitam a ajuda de ninguém.

Em ambos os casos, a situação é muito frustrante para os outros. Quem se depara com essas pessoas não consegue entender por que elas não se deixam ajudar, mesmo que precisem disso. Essa situação pode se tornar irritante e ser interpretada como negligência ou falta de vontade para resolver os problemas.

“O maior espetáculo é ver um homem trabalhador lutando contra a adversidade; mas há outro ainda maior: ver outro homem ajudá-lo”.
– Oliver Goldsmith –

A verdade é que quase nunca é assim. Os motivos pelos quais algumas pessoas não se permitem receber ajuda envolvem um problema mais profundo. Embora sofram e precisem dos outros, elas têm muita dificuldade de se apoiar em alguém. Pode ser algum bloqueio inconsciente ou simplesmente porque têm dificuldades para reconhecer que precisam mudar.

Aqueles que ajudam a todos, mas não querem ser ajudados

É muito comum que aquelas pessoas que ajudam a todos tenham problemas para pedir ou aceitar a ajuda dos outros. São pessoas que construíram uma identidade na qual é válido dar, mas não receber. Elas acreditam que devem atender às necessidades do outro, enquanto ignoram os seus próprios problemas.

De uma forma ou de outra, não se permitem ser ajudadas pelos demais porque acreditam que, dessa forma, estariam traindo a sua “missão” na vida, sendo incoerentes com a imagem e a pessoa que querem construir. Elas também podem sentir que aceitar a ajuda dos outros é um incômodo. Em outras palavras, gera um grande problema e causa muita vergonha.

Há também o caso daquelas pessoas que não querem ser ajudadas porque acreditam que aceitar uma ajuda gera uma dívida que o outro pode cobrar quando e como quiser. Elas não entendem que, para os outros, pode ser uma satisfação ajudar e que isso não gera nenhum tipo de obrigação. É por isso que, muitas vezes, é necessário fazê-la ver com carinho que não é bem assim.

Mulher sendo tocada no rosto por outra

Precisa de ajuda, mas não aceita

O segundo caso acontece com aquelas pessoas que não se permitem ser ajudadas, mesmo que estejam passando por situações muito difíceis. Todos percebem que elas precisam de ajuda, mas se alguém tentar ajudá-las, é rejeitado. O exemplo mais típico é daquela pessoa que tem um vício. O comum é que se recusem, às vezes com raiva, a aceitar que alguém lhes “dê uma mão” para sair da situação em que se encontram.

Nesses casos, normalmente a pessoa nem admite que tem um problema. Dessa forma, não acredita que precisa de ajuda. Parte do seu problema é precisamente a negação dele. Isso acontece com os viciados, mas também com as pessoas que estão submersas em depressão, ansiedade, ou qualquer outro transtorno, e não estão conscientes disso.

Rapaz triste

Curiosamente, nesses casos, o próprio sintoma é uma resposta adaptativa que a pessoa construiu para suportar a sua vida. É “adaptável” no sentido de que lhe permite interpretar a sua realidade de forma que seja possível seguir em frente. Por exemplo, alguém deprimido constrói a fantasia de que está triste porque é mais sensível do que outras pessoas, e não como resultado de uma doença. No entanto, essa fantasia permite que ele explique a sua maneira de viver e continue dessa forma, mesmo com muito sofrimento.

Como ajudar pessoas que não querem ser ajudadas?

No primeiro caso, daqueles que ajudam a todos, mas não se deixam ajudar, é aconselhável esclarecer a situação. Demonstre com carinho que o seu interesse em ajudá-los nasce de um apreço verdadeiro e que poder ajudá-los é uma fonte de satisfação, não um sacrifício ou um grande esforço.

No segundo caso, isto é, aqueles que não se deixam ajudar mesmo quando precisam, a situação é um pouco mais complexa. É necessário ter mais paciência e tato. Estar sempre por perto, mostrar interesse e tentar aceitar a pessoa como ela é pode ser um caminho para que ela “baixe a guarda” e nos deixe participar da sua vida. O mais importante é não ceder à tentação de pressioná-la o tempo todo para tentar mudá-la. Às vezes a preocupação com o outro toma essa forma e a nossa intervenção, carregada com todas as boas intenções do mundo, acaba prejudicando a outra pessoa.

Mulher com metade do rosto sob a água

É preciso respeitar o ritmo de cada pessoa. Na maioria das vezes elas precisam de tempo para entender que precisam de ajuda. Nos casos mais graves, é aconselhável consultar um profissional para saber como ajudar as pessoas que não querem ser ajudadas e como fazê-lo de maneira eficiente.