Por que as pessoas que nos comparam com os outros fazem isso?

29 Março, 2021
As pessoas que nos comparam com os outros, destacando o que não temos e que os demais possuem, são perfis com uma grande incompetência emocional. Em um mundo de pessoas iguais, o mais corajoso é ser diferente, o mais arriscado é ser autêntico.

Existe um mau hábito muito difundido. Na verdade, é comum sofrê-lo quase desde a infância, um período em que nossos pais podem nos comparar com os outros destacando o que eles fazem e nós não. Na idade adulta também há pessoas que, de boa ou má fé, nos comparam com os outros e destacam o que nos falta.

Ousar ser diferente parece ser um desafio em uma sociedade que impõe o normativo. Infelizmente, basta sair um pouco daquilo que é “socialmente esperado” para alguém apontar instantaneamente o dedo na nossa direção.

Ninguém é igual ao outro. Nem melhor nem pior, é diferente. As comparações são odiosas, como disse Jean Paul-Sartre. Porém, o ser humano tem como ponto fraco comparar e se comparar aos outros. Parece quase um vício, uma obsessão muito contagiosa que mina o crescimento pessoal e destrói identidades.

Porque quem nos compara com os outros, e a maioria de nós já passou por isso em algum momento, não o faz para elogiar o que nos torna únicos e especiais. Faz para destacar o que falta, o que falha ou o que não é normativo.

A comparação é um veneno para a autoestima. Isso é especialmente verdade se nós mesmos nos compararmos, se tivermos o mau hábito de olhar para o nosso ambiente para nos avaliar. Agora, quando a comparação vem dos outros, seja de um familiar, parceiro ou amigo, também podemos ser muito prejudicados.

Uniformidade é morte; diversidade é vida”.
-Mijail A. Bakunin-

Homem apontando o dedo

Motivos pelos quais as pessoas nos comparam com os outros

A teoria da comparação social, enunciada pelo psicólogo social Leon Festinger em 1954, aponta algo interessante. Quando uma pessoa fica sem pistas óbvias sobre a sua eficácia, valor ou características, ela volta sua atenção para aqueles ao seu redor. Desta forma, obtém uma referência sobre si mesma para fazer uma avaliação. Assim, de alguma forma, o ser humano busca se definir tomando os demais como referência.

Sabemos que isso é uma fonte de frustração constante. No entanto, por que existem aqueles que nos comparam aos outros? Vamos colocar alguns exemplos neste tópico. Imagine uma mãe que sempre compara suas duas filhas. Lembra à caçula, quase todos os dias, que com a mesma idade a irmã mais velha já tinha um bom emprego, um companheiro estável e o primeiro filho.

Da mesma forma, como se não bastasse, essa mesma menina sofre o peso das comparações por parte do companheiro. Este lhe diz que ela é quase tão insegura quanto uma colega sua de trabalho, ou que fisicamente se parece cada vez mais com uma das suas primas. Algo assim, sem dúvida, tem um efeito determinante na autoestima dessa jovem. Esses tipos de verbalizações minam e criam inseguranças e até mesmo complexos.

Como disse Confúncio, os complexos vêm como passageiros. No início eles são meros hóspedes, mas no final eles permanecem como verdadeiros mestres. E se forem os outros que os reforçam e alimentam diariamente, as consequências podem ser muito exaustivas. Vamos ver, a seguir, por que as pessoas fazem isso, por que existe esse tipo de gente que nos compara com os outros.

Falta de inteligência emocional

Falta de inteligência emocional

Quem nos compara com os outros tem, acima de tudo, uma baixa Inteligência Emocional. Devemos ser muito claros sobre este aspecto para não sermos oprimidos por esta prática comum. Falta àquelas pessoas que recorrem com tanta agilidade ao uso de comparações a empatia para compreender que cada ser é único, excepcional em caráter, essência, presença e valores.

Se eles não entendem essa realidade, eles não se conectam com a gente, não têm respeito, não conseguem se colocar no nosso lugar. Além disso, outro princípio da Inteligência Emocional é a comunicação correta. Dentro dessa abordagem, algo que sempre se leva em consideração é que o uso de comparações não é válido e muito menos útil.

Se quisermos chamar a atenção de uma pessoa sobre algo relacionado ao seu comportamento, falaremos a ela sem nos referir a terceiros.

  • Por exemplo, não podemos dizer para uma criança “você é tão ruim em matemática quanto seu irmão Pablo; nenhum de vocês tem solução” . Em vez de usar essa afirmação, a coisa certa a fazer seria dizer “Estou vendo que você tem problemas de matemática, mas acho que se você tentar um pouco mais e perguntar o que não entende, você vai superar o problema”.

Pessoas que não valorizam o que têm

As pessoas que nos comparam com as outras possivelmente não apreciam o que têm. Isso é observado em pais que pensam que os filhos dos outros são mais diligentes, e também naquela pessoa que não valoriza seu parceiro como ele merece.

Um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology pelos doutores Sebastian Deri e Shai Davidai indica que quem tem o mau hábito de se comparar não valoriza quem é e o que tem. Seu preconceito pessimista e não-conformista significa que a pessoa nunca valoriza seus entes queridos por quem eles são.

E algo assim é altamente problemático.

Pessoas que nos comparam a outras pessoas usam a manipulação emocional

As pessoas que nos comparam a outras pessoas usam a manipulação emocional

Por último, mas não menos importante, temos uma terceira opção. Aqueles que nos comparam com os outros também podem ter outros motivos, que nada mais são do que nos nos manipular e minar a nossa autoestimaNa verdade, esta é uma tática comum para quem quer estar no controle, pois a comparação constante é um exercício de humilhação e depreciação.

Para concluir, como podemos ver, as pessoas que nos comparam com as outras carecem dos instrumentos básicos de sociabilidade, respeito e empatia. Vamos evitar empoderá-los, não permitir esses comportamentos e sempre defender a nossa individualidadeSer único, diferente e singular é o nosso melhor valor.

“Vivo: isto é, me diferencio de todos os outros.”
-Friedrich Hebbel-

  • Deri, S., Davidai, S., & Gilovich, T. (2017). Home alone: Why people believe others’ social lives are richer than their own. Journal of Personality and Social Psychology, 113(6), 858-877. http://dx.doi.org/10.1037/pspa0000105