Poliamor: o que você sabe sobre ele? - A Mente é Maravilhosa

O que é o poliamor?

agosto 23, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Poliamor: o que você sabe sobre ele?

Talvez você já tenha ouvido falar do poliamor, uma tendência crescente no mundo, que cada dia ganha mais força. Para muitos se trata de uma verdadeira falta de vergonha, uma legitimação da poligamia. Para outros é uma expressão que acaba com a hipocrisia da fidelidade de uma vez por todas.

Existem pessoas que nunca conseguiram cumprir com a fidelidade em um relacionamento. Sabem que às vezes machucam com isso, mas lhes parece impossível amar uma única pessoa. Por mais que se esforcem, nunca conseguem fixar os olhos em uma única pessoa. Estão erradas? São perversas?

“A promiscuidade é uma servidão genética. E nem a monogamia nem a poligamia resolveram a intensa compulsão sexual que envergonha o ser humano desde que organizou a sociedade com normas morais castradoras e rígidos critérios éticos”.
-José Luis Rodríguez Jiménez-

Quem pratica o poliamor diz que não. É preciso diferenciar quem tem prazer em brincar com os sentimentos dos outros de quem sinceramente ama mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Esta postura desata controvérsias, mas o fato é que, embora ainda não existam estatísticas, sabe-se que cada vez mais pessoas se somam a esta corrente.

O poliamor e a fidelidade

Os adeptos do poliamor não se consideram infiéis. Justamente o contrário. Esbanjam a sua enorme sinceridade e a lealdade a seus amados. Geralmente têm muitos pares, alguns no mundo físico, e outros no mundo virtual. Definem-se como uma nova e vanguardista forma de entender o amor e de ser mais feliz.

Poliamor

Também argumentam que a fidelidade, na maioria dos casos, nada mais é do que hipocrisia. Sabe-se que existem milhares de casais que acabam se divorciando por causa da infidelidade. Também se sabe que por trás de muitos casamentos estáveis também existem histórias que envolvem a terceiros. Por isso acreditam que o estado natural do ser humano não é o de ter um único relacionamento amoroso, e sim vários.

Para os poliamorosos a infidelidade machuca. No entanto, ter vários relacionamentos amorosos ao mesmo tempo, com o consentimento de todos, é um acordo sincero e saudável. Asseguram que a monogamia se sustenta unicamente com base em preconceitos e culpas, mas não pelo verdadeiro amor.

A monogamia na sociedade

Muitas das pessoas que se definem como monogâmicas permanecem assim por um certo tempo. Essa é a realidade que comprovamos no dia a dia. Talvez algumas pessoas não participem de triângulos amorosos, mas também não permanecem com uma só pessoa a vida toda.

Poliamor

O relacionamento exclusivamente entre duas pessoas foi uma invenção do romanticismo. Nossos antepassados humanos eram completamente poligâmicos. Talvez existisse mais estabilidade nos relacionamentos onde houvesse filhos, mas isso não era entendido como um compromisso de exclusividade.

A monogamia foi instaurada socialmente para organizar adequadamente a questão do patrimônio e das heranças. O matrimônio era basicamente um contrato legal, que assegurava os bens para a descendência comum. Contudo, a princípio, não implicava um juramento de amor eterno. Isto não se popularizou até pouco mais de dois séculos atrás, quando o amor começou a ser visto de forma idealizada.

O poliamor funciona?

Existem poucas pesquisas a respeito, mas quem já deu seu testemunho em diferentes meios de comunicação garante que o poliamor funciona muito melhor do que a monogamia. O segredo está na confiança, na sinceridade e na aceitação dos diversos relacionamentos que cada um pode ter. Já não se fala de “casais” como pares, e sim de “multi-casais”.

Poliamor

Quem acredita no poliamor garante que o afeto que sentem por cada um de seus companheiros é completamente sincero. Cada um desses amores tem a sua própria dinâmica e seu próprio jeito de se expressar. Se enganam os que pensam que simplesmente se trata de ter relações sexuais com várias pessoas. Muito pelo contrário, neste tipo de relacionamentos existe um compromisso afetivo forte com cada companheiro.

No livro “Mais de dois”, de Eve Rikcet, uma das pessoas que vive um poliamor e dá seu testemunho afirma: “Estou comprometido em relacionamentos longos durante décadas. Existem formas mais simples de ter sexo, se é isso o que interessa”. Da mesma forma, outro dos consultados adiciona: “Nossos relacionamentos são muito mais exigentes”. Portanto, o poliamor não é um exercício de prazer ilimitado, mas sim uma postura diferente diante do amor que nasce do coração.

Os pesquisadores sobre o assunto garantem que é hora de reconhecer o poliamor como opção, assim como o amor homossexual foi reconhecido. Talvez seja preciso inventar novas opções de uniões legais para envolver mais de duas pessoas. Talvez também seja necessário fomentar um grande debate em todas as sociedades para identificar se é hora de começarmos a olhar o mundo dos relacionamentos amorosos de uma forma diferente, ou pelo menos de não julgar as opções que outros escolhem conhecendo as suas consequências.

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