Por que as pessoas mudam?

As pessoas mudam, seja como resultado das experiências ou simplesmente porque é necessário. De qualquer forma, nem sempre é fácil assimilar as mudanças das pessoas ao nosso redor, assim como também não é fácil que os outros compreendam as suas próprias mudanças.
Por que as pessoas mudam?

Última atualização: 22 março, 2022

Por que as pessoas mudam? William James dizia que o caráter do ser humano é como o gesso, nunca muda. No entanto, como bem sabemos, isso não é inteiramente verdade. Muitas vezes, pessoas que são muito próximas de nós podem nos surpreender com reações inesperadas, com paixões muito diferentes das que costumavam ter e até mesmo com comportamentos diferentes.

Tudo isso não é bom nem ruim; isso faz parte dessa vasta complexidade que tanto nos define, também a nós mesmos. A mudança é algo habitual. A nossa personalidade não está gravada na pedra. Afinal, há a erosão de alguns aspectos, enquanto outros são modelados a partir das nossas experiências. Assim, traça-se um relevo que vai mudando ao longo do nosso ciclo de vida.

Portanto, embora a nossa essência permaneça encerrada nesse cubículo feito de ossos que é o nosso crânio, transcendemos para além das suas paredes para nos relacionarmos, sentirmos, observarmos e experimentarmos. Existem acontecimentos e circunstâncias pessoais que nos impactam de diferentes formas e geram uma mudança em nós. Outras vezes, somos nós mesmos que promovemos novos comportamentos ou que nos inclinamos a outros interesses porque achamos que isso é conveniente.

Assim, alguém que mantém um relacionamento codependente há anos pode decidir encerrar esse vínculo. Depois disso, a pessoa também sente a necessidade de melhorar certos aspectos da sua personalidade, tais como autoestima, autoconceito, assertividade ou resolução.

Em essência, a mudança no ser humano não só é algo real, como também bastante comum. No entanto, a nível relacional, tudo isso pode nos pegar de surpresa, identificando reações para as quais nem sempre estamos preparados.

“Se há alguma coisa que queremos mudar em uma criança, devemos primeiro examiná-la e verificar se não é melhor fazer essa mudança em nós mesmos.”

-Carl Gustav Jung-

Rostos que simbolizam por que as pessoas mudam

Por que as pessoas mudam? Aspectos que devemos levar em consideração

Se nos perguntamos com uma certa irritação por que as pessoas mudam, isso se deve basicamente a um fato. Uma mudança é uma ameaça à estabilidade; um comportamento diferente e inesperado é quase como um sinal de alerta. Algo para o qual não estamos preparados e que temos dificuldade para aceitar.

“Por que meu parceiro agora diz que não quer mais andar de bicicleta comigo nos fins de semana se sempre saímos?” “Por que essa amiga agora fica com outras pessoas e não comigo?” “Qual é a razão pela qual meu filho tem hobbies tão inesperados agora?” Poderíamos dar mil exemplos de todas as situações em que uma mudança nos outros desperta incerteza e estranheza em nós.

A personalidade nem sempre é um fator capaz de prever perfeitamente o comportamento humano. Podemos, por exemplo, conhecer muito bem um irmão, o nosso parceiro, os nossos filhos; no entanto, é impossível ter 100% de certeza do que eles vão fazer a cada momento.

Por mais que tenhamos a vontade de saber com exatidão como serão as reações dos outros, somos forçados a aceitar uma alta porcentagem de inconsistências.

As pessoas mudam ao longo dos anos

A mudança no ser humano não só é real, como também necessária. Mudar também é amadurecer, é despertar consciências e valores para enfrentar melhor a nossa realidade a partir de necessidades e também de paixões. Essa foi a mesma conclusão a que chegou um estudo internacional realizado em 2017 por várias universidades, que tinha como objetivo entender por que as pessoas mudam.

Todos nós mudamos ao longo dos anos, o que fazemos precisamente com base no conhecido modelo dos 5 grandes fatores da personalidade; ou seja, de acordo com esses cinco fatores que estruturariam o caráter humano. Portanto, amadurece e muda a nossa estabilidade emocional, a abertura à experiência, tornamos-nos mais ou menos extrovertidos, mais ou menos introvertidos, controlamos um pouco mais a impulsividade, etc.

Por que as pessoas mudam? Por causa de um mecanismo de sobrevivência

Uma mudança a tempo é um ato de sobrevivência. Isso é algo muito claro na área da psicologia clínica; além disso, se a mudança não fosse possível para os seres humanos, não seríamos capazes de nos recuperar de nossas adversidades, de nossos problemas e de muitos dos nossos transtornos mentais.

Por isso, é fundamental gerar novos padrões de pensamentos e comportamentos para sair das situações que nos prejudicam, sejam elas quais forem. Além disso, embora o nosso cérebro seja tão resistente às mudanças, ele está preparado para elas por uma questão de instinto e sobrevivência. No entanto, para que isso aconteça, são necessários dois fatores: percebermos que devemos mudar e nos comprometermos com a mudança.

Mulher no psicólogo se perguntando por que as pessoas mudam

Devemos aceitar as mudanças, em nós mesmos e nos outros

Em algum momento, todos nós já nos perguntamos por que as pessoas mudam. E isso ocorre, sobretudo, porque essas mudanças às vezes nos causam sofrimento. Para lidar um pouco melhor com essas situações, seria sensato refletir sobre uma série de perguntas:

  • Se amamos uma pessoa, o mais adequado é aceitar cada um de seus processos. Todos estamos em constante crescimento e, às vezes, uma mudança nada mais é do que uma necessidade interna que surge e que, portanto, devemos entender.
  • O aparecimento de uma mudança nos outros não é algo repentino. Ela surge gradualmente e algo assim deveria nos fazer pensar em qual pode ser o gatilho. Às vezes pode haver um problema por trás de certas reações. Outras vezes, isso ocorre por causa de novos interesses e preocupações.
  • Outro fator a considerar são as altas expectativas que às vezes depositamos nos outros. Achamos que sabemos tudo sobre aquele parceiro ou aquela pessoa próxima e, de repente, somos surpreendidos com algo inesperado. Porém, talvez nós é que não os conhecíamos verdadeiramente ou eles não eram como pensávamos.

Para concluir, como dizia Charles Darwin, quem consegue sobreviver não é o mais forte nem o mais inteligente, é aquele que administra melhor as mudanças, que pode gerá-las e se adaptar a elas. Cada um de nós passará por elas em mais de uma ocasião e vamos até mesmo gerá-las voluntariamente. Aceitemos, portanto, as mudanças dos outros.

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  • Angelina R. Sutin, Yannick Stephan, Martina Luchetti, Ashley Artese,Atsushi Oshio, Antonio Terracciano. The Five-Factor Model of Personality and Physical Inactivity: A Meta-Analysis of 16 Samples. Lancet, 380, 258-271