Posso me esquecer do que você fez, não do que senti

Posso me esquecer do que você me fez, não do que me fez sentir

janeiro 14, 2016 em Psicologia 9 Compartilhados

Dizem que somente aquelas coisas que nos fazem vibrar e que nos provocam um calafrio ou um turbilhão de sentimentos são as que lembraremos para sempre. Você me marcou, você foi algo parecido com uma tormenta, que me remexeu por dentro e conseguiu me encontrar, foi aquela pessoa que sabia que trazia consigo os momentos mais felizes que ninguém tinha me dado até agora.

Provavelmente, agora que o tempo passou, eu comece a me esquecer. A me esquecer de quem você era, de como eu era com você e de como nos sentíamos estando juntos. Inclusive, o mais lógico é que você acabe sendo uma experiência a mais da vida e um caminho de aprendizado.

No entanto, haverá algo que ficará aqui e que levarei sempre comigo: o calor quando fazia frio, o frio quando precisava de calor e cada toque seu em meu coração.  

esquecimento

Os erros se disseminam, os calafrios nos identificam

Pensar em nós mesmos é pensar em tempo e em espaços: O que fomos? O que somos? O que seremos? E parece que, como resposta, a única coisa que temos é a memória. A memória é, antes de tudo, uma forma de esquecimento.

Somos o que nos lembramos e nos lembramos daquilo que estremeceu todas as partes do corpo, até as que não podem ser vistas. O resto dos acontecimentos que nos ocorreram ou que nos ocorrem se perdem e se confundem em nossa mente de tal forma que, às vezes, chega um momento no qual não sabemos o que realmente aconteceu: temos apenas a memória do que sentimos naquele momento.

Chega um dia em que os erros que um dia cometemos ou que alguém cometeu conosco desaparecem. Ficamos apenas com o calafrio, a cicatriz daquilo que, um tempo atrás, nos fez ser o que somos agora: esse monte de espelhos quebrados que nos formam e nos identificam, e também aquelas pequenas doses de felicidade que nos fizeram crer que estávamos vivos de verdade.

Você é apenas uma emoção do passado

Pelo que já comentei, é evidente que nós não podemos nos desprender definitivamente do passado. Esse é o motivo pelo qual as pessoas como você, que um dia foram meu presente e já não são, continuam em minha vida na forma de lembranças: essas que já não são reais ou palpáveis, mas que ficam em forma de emoção.

Nossas emoções valeram a pena e valem a pena por mim e por você mesmo, que está lendo isso. Se foi capaz de revirar o estômago, não poderá esquecer a sensação que teve neste momento: você, aquela pessoa, já não é o que era, é apenas essa essência que nos tocou por dentro.

Pode ser que tenham lhe ferido, é verdade, como também feriram a mim; mas tudo o que dói costuma ter sido acariciado antes. E a dor e o pranto passam, mas a carícia continua, estará sempre com você.

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Dou graças pela dor que você me causou

Às vezes o coração chora tanto que parece que nunca vai se esquecer do sufoco em que se encontra. No entanto, é mais sábio do que pensamos se nos deixarmos ser: o coração é capaz de eliminar as más memórias e superá-las, abraçar o bom e suportar o passado.

Quando falo que o coração é capaz de eliminar, não quer dizer que as lembranças não continuam aqui; é só que quando a dor deixa de doer, sabemos que a aceitamos e que aprendemos a conviver com ela.

Desta maneira, chegará um momento em que daremos  graças por termos caído, já que só assim aprenderemos a nos levantar e iremos valorizar mais estar de pé.

Não adianta nada enfrentar um acontecimento revivendo as situações em nossa cabeça uma e outra vez: a única forma de olhar o futuro é ir além da somatória de acontecimentos, chegar às emoções e nos conhecer desde todas as perspectivas que a vida nos faz enfrentar.

Créditos das imagens:  Davide Ortu, Karina Chavin, GustavoAimar

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