Por que é impossível esquecer um grande amor?

· março 14, 2015

Pesquisas científicas descobriram que as relações intensas de amor geram em nosso cérebro uma espécie de “raiz” ou “âncora”, que mantém nossas lembranças ativas, de maneira recorrente. Esses estudos nomeiam a existência de um circuito neurológico que grava, com maior intensidade, as lembranças dotadas de maior carga emocional.

Segundo os especialistas, ficar sozinho após o término de uma relação não ajuda, nem beneficia a superação do término. A solidão, ou a substituição da solidão por um novo amor, não evita que o cérebro continue repetindo nossas lembranças. Os neurologistas catalogam com o nome de “conflito cerebral” essa situação (a relação termina, mas nossa mente continua emitindo imagens e sensações corporais).

Existem, em nosso cérebro, duas estruturas no lóbulo temporal. Uma delas é denominada hipocampo, onde encontra-se a memória declarativa e de fixação, e a outra é denominada amígdala, que contém a memória emocional.

Digamos, para entender isso com facilidade, que para que a informação declarativa se distribua a nível cerebral, é preciso que exista obrigatoriamente um contexto emocional. Podemos dar como exemplo de contexto emocional uma situação vivida com um grande amor. A amígdala irá detectar esse contexto de emoções e gerar o envio de neurotransmissores ao hipocampo, incorporando-o, assim, em nossas memória como um fenômeno de fixação.

Este acontecimento explica o porquê, mesmo depois de um longo período de tempo, as sensações e lembranças voltam com tanto frescor ao nosso corpo. A amígdala envia descargas emocionais de maneira involuntária, como as palpitações, os suores, enjôos etc. Quanto maior a qualidade com a qual nosso cérebro grava a situação de afeto, maior será a gravação de dados nessa amígdala e maior serão as sensações que ela enviará de forma contínua. É comum encontrar com um ex amor, após um ano do fim do relacionamento e, ainda assim, sentir como se uma quantidade imensa de lembranças estivessem ali, tão reais como se tivessem acontecido ontem.

O tempo cura tudo?

O tempo nos ajuda a esquecer, isso porque as conexões cerebrais vão diminuindo sua intensidade. Os neurotransmissores vão perdendo potência e isso faz com que as lembranças vinculadas às pessoas importantes também percam força.

O tempo cura, efetivamente, qualquer dor… inclusive a dor do amor. Quando uma relação adoece, só nos resta ficar presos num círculo vicioso de brigas, ciúmes, caprichos, gritos e sofrimento. Não vale a pena sofrer de maneira interminável por amor.

Precisamos fazer o luto correspondente e logo entrar numa viagem de desapego, não ansiar o passado, orientar nossa cabeça para o futuro e esperar que o tempo passe.