É preciso dar ao bullying a atenção que ele merece

· fevereiro 7, 2019

Atualmente, não é estranho encontrar na notícias trágicas no jornal. Muitas vezes não damos atenção ao bullying, mas precisamos mudar este comportamento para preservar a vida de nossas crianças e adolescentes.

Um adolescente tomou a decisão de tirar a própria vida porque tinha que enfrentar um sofrimento que era incapaz de controlar. Esse é o último gesto, renunciar à própria vida em uma idade na qual deveria estar usufruindo dela, quando deveria estar começando a acumular experiências. Infelizmente, o que acontece é que eles já passaram por muitas vivências bastante dolorosas ao longo da vida.

Um sofrimento que eles costumam ocultar. Não querem preocupar, não querem parecer fracos diante das outras pessoas do seu entorno. Preferem gritar em silêncio e têm medo de que alguém possa escutar, porque não sabem, porque temem que a situação possa piorar.

Em outros muitos casos, quando eles se atrevem a contar o que está acontecendo aos adultos, recebem respostas que tentam não dar importância a aquilo que ocorre com eles. “São coisas de crianças”, “Com certeza você também bateu nele antes”. Inclusive, existem pais que podem chegar a instigar os seus filhos: “E você, não sabe se defender?”.

Outros pais escolhem mudar a criança de escola pensando que, ao deixar para trás os agressores, isso vai acabar com o problema, ignorando que as experiências pelas quais o seu filho passou podem se transformar, a partir desse momento, no problema. Esse pode ser só o começo…

Depressão na adolescência

Nesse sentido, a parte ruim da agressão, dos maus-tratos e do bullying não é o efeito direto que eles têm, mas a marca que deixam. A sensação é de que o mundo é incontrolável, de que existem ameaças que superam os seus recursos, de que neles existe algo que é motivo de chacota ou de riso, ou que eles têm pouco ou nenhum valor para os outros meninos e meninas da sua idade.

Essa sensação cresce ainda mais quando os pais são ausentes, então os pensamentos anteriores são somados ao de “vou desaparecer e ninguém vai se importar com isso”.

Muitos adultos se justificam com o “eu não sabia”, mas é preciso dar atenção ao bullying

Os pais das crianças que provocam o dano costumam saber o que está acontecendo. Não admitem que o seu filho, que tanto amam, possa causar esse sofrimento. Eles não se desvencilharam ainda da imagem de inocência da época da infância, quando as crianças podem chegar a ser mais perversas do que o pior dos adultos.

Pode ser que eles tivessem alguma intuição sobre isso, porque viram ou escutaram como se referiam a alguns alunos. Escutaram alguma das brincadeiras que eles fizeram e, em vez de censurá-los, também participaram da diversão.

Pensam que, apesar do seu filho não ser um modelo, ele também não é ruim. “Ele faz isso para se divertir e realmente o outro menino é um tonto”. “Quando nós éramos crianças, também faziam isso com a gente e não acontecia nada.” “Aquele menino de quem a gente ria hoje é diretor de um banco, então também não foi tão ruim assim. Inclusive, acho que a gente acabou ajudando”.

Bullying na infância

As pessoas que pensam isso raramente perguntaram para aquele menino que elas maltratavam e humilhavam como ele se sentiu depois. Aqueles que riam cúmplices da brincadeira também não fizeram isso.

Nesse sentido, é como se o que aconteceu na infância tivesse que ficar esquecido naquela época. Como se muitas dessas pessoas maltratadas não sentissem ainda um calafrio ao lembrarem de alguns daqueles episódios. É a marca amarga que mencionávamos antes, as vozes ainda silenciadas, as desculpas que não foram pronunciadas.

Nesse caso, os pais agressores de filhos agressores são aqueles que têm a maior probabilidades de não dar importância ao seu comportamento. De certa maneira, na reprovação desse seu comportamento já está intrínseca a sua própria condenação, e esse passo não é fácil.

De qualquer forma, quando uma notícia desse tipo aparece atualmente, em muitos casos, infelizmente, não há muito que se possa fazer pela vítima. É então que muitos dos envolvidos dizem que não sabiam do que estava acontecendo, como se isso pudesse tirar uma parte da sua responsabilidade. Nesse sentido, realmente, o pior de tudo é que eles não sabiam e deviam ter conhecimento disso.