O que é o presentismo no trabalho?

· dezembro 14, 2017

Há algum tempo, as empresas sofriam com a praga do absenteísmo no trabalho. Muitos funcionários não cumpriam com seus horários de trabalho, chegando tarde ou, até mesmo, se ausentando com regularidade. Essa prática, que nos últimos anos deixou perdas preocupantes, encontrou uma substituição. Como contraponto, começou a surgir uma nova tendência que é, inclusive, pior do que a anterior: o presentismo no trabalho.

Muitos trabalhadores há algum tempo vêm reclamando das dificuldades de conciliar a vida profissional com a pessoal. Levar as crianças na escola ou cuidar de familiares doentes são afazeres prioritários que devem ser levados em consideração.

No caso do presentismo no trabalho, os pontos comuns com o absenteísmo são vários. A falta de motivação, a frustração e o mau relacionamento entre os funcionários são traços bastante associados a esse problema. A grande diferença entre ambos é que no presentismo no trabalho, o trabalhador cumpre com os horários de trabalho. O verdadeiro problema é que ele passa parte desse tempo realizando tarefas não relacionadas com o seu cargo.

Homem fazendo home office

O que causa o presentismo no trabalho?

O presentismo no trabalho surgiu instigado pela ou associado com a crise econômica. O medo de perder o emprego faz com que muitos trabalhadores desmotivados decidam não faltar, mesmo que isso implique tediosas jornadas de frustração e tédio. Muitos deles prolongam as pausas da refeição ou das saídas para fumar, usam a internet para fins não profissionais, leem ou até mesmo jogam videogame.

Frente a essas situações, as empresas preferem estabelecer horários mais rígidos e sanções exemplares em vez de parar para refletir. O presentismo no trabalho não afeta apenas a produtividade da empresa, mas também a própria saúde dos trabalhadores.

A desmotivação e a ausência de objetivos pode provocar uma desilusão com o emprego. Esse fato pode se tornar a causa fundamental de uma depressão. A mesma coisa acontece com os funcionários que vão trabalhar quando estão doentes. Expor seus colegas de trabalho a problemas de saúde, além de pouco útil, é perigoso.

“As grandes conquistas de qualquer pessoa geralmente dependem de muitas mãos, corações e mentes.”
-Walt Disney-

Infelizmente, por outro lado existem algumas empresas que obrigam seus empregados a realizar horas extras não remuneradas em troca de não serem despedidos. Esse comportamento é vergonhoso e bastante questionável, mas o próprio trabalhador o aceita por medo de retaliações. Nós estamos, portanto, frente a situações nas quais prevalece o benefício pouco ético em vez de tentar buscar alternativas que otimizem o tempo e o rendimento de todos.

Mulher trabalhando e olhando o celular

O presentismo no trabalho tem conserto?

O presentismo no trabalho, ou pelo menos uma boa parte dele, tem solução. No entanto, a solução dificilmente passa por aplicar sanções ou uma política rígida de horários. Pelo contrário, vai criar mais estresse, ansiedade e desmotivação nos trabalhadores, que vão tentar continuar “na surdina” com outros tipos de artimanhas. Além disso, as empresas que aplicam esse tipo de medidas correm o risco de punir sem razão as pessoas que estão motivadas, dificultando de alguma maneira o trabalho delas.

Muito pelo contrário, medidas concretas, como aquelas focadas em reforçar o feedback que o trabalhador recebe, podem ter efeitos muito mais positivos do que as medidas de punição ou de restrição. Falamos de reconhecimento social, reconhecimento grupal e reconhecimento individual. Se o trabalhador sente que os outros dão valor para o produto do seu trabalho, que a empresa está atenta ao seu rendimento sempre, e não apenas quando este diminui, é mais fácil que a motivação surja ou seja restaurada.

Dependendo do cargo e da responsabilidade, também pode ter consequências positivas a implementação por parte da empresa de programas para incentivar a livre expressão e a criatividade. O que se busca nesses casos é uma mudança de atitude, não o cumprimento das normas por medo. Quanto mais agradável for o lugar de trabalho, melhores serão os resultados.

Flexibilizar os horários também é uma boa maneira de as famílias conseguirem conciliar a vida profissional com a vida dos filhos e de incidir de maneira indireta na motivação dos trabalhadores. Um cargo que permita a conciliação profissional, considerando o panorama atual, é sem dúvidas uma vantagem que o funcionário vai saber reconhecer. Especialmente se até o momento não tiverem sido tomadas medidas nessa direção.

Vamos pensar que se o trabalhador se sente feliz e satisfeito com o trabalho (ou pelo menos alcança níveis mínimos nesse sentido), as mudanças positivas serão cada vez maiores. É muito mais sensato focar em ajudar e oferecer certas facilidades aos trabalhadores do que aplicar políticas extremistas. A segurança e o cuidado com a saúde profissional estão previstos como um direito do cidadão pela Organização Mundial da Saúde, pois a precariedade do trabalho pode provocar situações irreversíveis na saúde mental e física de uma pessoa.