Problemas de memória: são normais ou devo me preocupar?

Os problemas de memória podem aparecer mesmo quando ainda somos jovens e podem ter diversas origens. Descubra quais são as suas principais causas e como tratá-las.
Problemas de memória: são normais ou devo me preocupar?

Última atualização: 18 abril, 2022

Os problemas de memória geralmente não nos preocupam até atingirmos uma certa idade. Tomamos como certo o seu funcionamento eficiente e presumimos que não teremos falhas clinicamente significativas a menos que desenvolvamos alguma forma de demência. No entanto, muitas pessoas começam a ter problemas de memória a partir dos 40 anos ou até mesmo mais cedo e, por isso, passam a se perguntar se é necessário procurar ajuda.

Na verdade, é recomendável sermos conscientes de que o funcionamento da nossa memória pode flutuar por vários motivos, alguns naturais e outros patológicos. De qualquer forma, através das nossas ações, podemos prevenir ou solucionar muitos desses problemas. Por isso, vamos falar sobre as suas principais causas e o que você pode fazer a respeito.

Principais causas dos problemas de memória

Há algum tempo, você notou que anda mais distraído e desorganizado. Você esquece as chaves, o celular ou a lista de compras. Também tem dificuldade para lembrar nomes ou perdeu alguns compromissos por esquecimento. O que está acontecendo com você? Será que você deveria se preocupar?

É difícil determinar a resposta. Mas, provavelmente, as suas dificuldades se devem a uma das seguintes razões.

Homem pensando preocupado com a memória
A partir dos 40 anos, muitas pessoas começam a ter problemas de memória.

1. A passagem do tempo

Este é um dos fatores que mais pesa. Verificou-se que a memória geralmente atinge o seu pico na faixa dos 20 anos de idade e, a partir de então, começa a declinar. Assim, mesmo que ainda faltem vários anos para você fazer parte do que chamamos de terceira idade, talvez você possa começar a notar certas dificuldades que antes não existiam.

Não se trata apenas de que agora você tem mais dificuldade para aprender um idioma ou estudar uma matéria teórica. Talvez você também possa sentir um impacto nas suas atividades diárias.

É preciso ter em mente que há dois processos que se destacam na memória:

  • Codificação e armazenamento de informações: Ocorre ao receber os dados e processá-los de tal forma que eles passem para a memória de longo prazo.
  • Recuperação da informação: Ocorre quando tentamos acessar o conteúdo que armazenamos na memória.

Com a idade, ambos os processos se tornam mais complicados. Por um lado, podemos precisar que as informações sejam repetidas para conseguirmos codificá-las. Por outro lado, a recuperação pode demorar mais e também podemos precisar de alguma pista. De qualquer forma, esses são processos naturais que não devem te preocupar.

2. Falta de atenção

Às vezes, o que parecem ser problemas de memória são, na verdade, o resultado da falta de atenção. Não estamos falando de um transtorno como o TDAH, mas sim de um estilo de vida acelerado e apressado que não nos permite realmente prestar atenção ao que estamos fazendo.

A pressa às vezes nos faz negligenciar dados importantes do dia a dia que, como consequência, não conseguimos codificar adequadamente.

Assim, se você se esqueceu de que o seu parceiro pediu para você comprar o leite, ou de que o seu filho disse que precisava de uma fantasia, talvez seja porque na hora da conversa você estava fazendo mil outras tarefas e, portanto, não prestou atenção suficiente.

3. Doenças orgânicas

Certas doenças, tais como distúrbios da tireoide, dos rins e do fígado, podem estar por trás dos problemas de memória. Da mesma forma, a carência de vitaminas B12, B6 e B9 causada pela má alimentação também pode ser um fator importante.

4. Consumo de substâncias ou medicamentos

Há evidências suficientes para provar os efeitos que as drogas podem ter nas habilidades cognitivas, incluindo a memória. No entanto, o álcool (por mais normalizado que seja o seu consumo) também pode afetá-la seriamente se não for consumido com moderação. Não só causando efeitos transitórios, mas também gerando danos a longo prazo.

Por outro lado, o consumo de certos medicamentos (tais como ansiolíticos, antidepressivos, anticonvulsivantes, medicamentos para o colesterol…) também pode interferir no funcionamento da memória.

5. Problemas emocionais

Quando as situações cotidianas nos esgotam e não conseguimos administrar as emoções adequadamente, a memória pode ser afetada. Por exemplo, se sofremos com um alto nível de estresse, vivemos em um ambiente problemático ou estamos enfrentando um conflito, é lógico que as nossas capacidades mentais não estejam da forma ideal.

Da mesma maneira, transtornos de ansiedade, depressão e outras patologias mentais também podem causar dificuldades para codificar ou recuperar as informações.

6. Comprometimento cognitivo e demência

Além do declínio cognitivo associado ao envelhecimento, também podem ocorrer sintomas de maior gravidade, geralmente associados a doenças como Alzheimer ou Parkinson. Às vezes, as pessoas apresentam um declínio cognitivo leve que não progride, mas, em muitos casos, isso acaba levando à demência.

Como posso prevenir e tratar os problemas de memória?

Conforme você pode ver, algumas das causas são naturais, enquanto outras são patológicas. Nem sempre é fácil determinar em que ponto estamos. Por isso, observe as seguintes perguntas para determinar se você precisa de ajuda profissional:

  • Os problemas de memória interferem significativamente no seu funcionamento diário. Eles te impedem de cumprir com as suas tarefas e obrigações, dificultam as suas relações sociais ou te causam sofrimento.
  • Você tem problemas para acessar informações e memórias, ainda que tenha tempo e pistas sobre o assunto.

Por outro lado, mesmo que os problemas de memória não sejam sérios, existem certas medidas que podemos tomar para prevenir o seu aparecimento ou retardar o seu progresso. Entre as mais importantes estão as seguintes:

  • Descansar adequadamente. O sono insuficiente ou de má qualidade interfere no funcionamento cognitivo.
  • Alimentar-se de forma saudável, para que você possa obter todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do cérebro. Não se esqueça de incluir na sua dieta alimentos como nozes, abacate, azeite de oliva ou peixes. E, sem dúvida, mantenha moderação na ingestão de álcool.
  • Exercite-se regularmente. Verificou-se que praticar atividade física aeróbica ajuda a melhorar as funções cognitivas. Assim, correr ou caminhar durante 30 a 60 minutos, de 3 a 5 vezes por semana, pode ser o suficiente.
  • Adote práticas como mindfulness ou meditação. Essas técnicas são excelentes para combater o ritmo de vida acelerado e o caos mental. Desta forma, você terá mais facilidade para prestar atenção e, como consequência, codificar as informações.
  • Aprenda a administrar e regular as suas emoções antes que elas te dominem. Para isso, pode ser suficiente compartilhar os seus sentimentos com alguém próximo ou você também pode recorrer à escrita terapêutica. No entanto, talvez possa ser necessário buscar ajuda psicológica.
Mulher de olhos fechados
Praticar o mindfulness relaxa a mente e ajuda a manter melhor o foco.

Os problemas de memória devem ser avaliados por um profissional

Se os seus problemas de memória persistirem ou interferirem na sua vida, não hesite em consultar um médico. Ele poderá identificar ou descartar as causas orgânicas que possam estar por trás deles, além de fazer ajustes na medicação ou propor orientações adequadas conforme o caso.

Mas, acima de tudo, lembre-se de manter a mente ágil e ativa por meio de pequenos desafios e treinos diários. Afinal, a memória é como um músculo: se não é exercitada, pode se deteriorar.

Pode interessar a você...
De acordo com um estudo, este é o segredo para melhorar sua memória
A mente é maravilhosa
Leia em A mente é maravilhosa
De acordo com um estudo, este é o segredo para melhorar sua memória

De acordo com um estudo, o segredo para melhorar a memória envolve fazer uma série de mudanças muito simples. Descubra-as neste artigo!



  • Guadagni, V., Drogos, L. L., Tyndall, A. V., Davenport, M. H., Anderson, T. J., Eskes, G. A., … & Poulin, M. J. (2020). Aerobic exercise improves cognition and cerebrovascular regulation in older adults. Neurology94(21), e2245-e2257.
  • Mikkelsen, K., Stojanovska, L., Tangalakis, K., Bosevski, M., & Apostolopoulos, V. (2016). Cognitive decline: a vitamin B perspective. Maturitas93, 108-113.