Proteger a saúde mental diante do coronavírus, uma prioridade

22 Maio, 2020
Além de nos protegermos do COVID-19, também é uma prioridade cuidar da nossa saúde mental e das pessoas ao nosso redor. O confinamento, a incerteza e o medo estão nos testando. Assim, precisamos reconsiderar uma série de estratégias.

Ninguém poderia estar preparado para uma situação desse tipo. A presença do COVID-19 está mudando nosso estilo de vida de uma maneira que não tínhamos como prever. Quarentena, confinamento, incerteza, medo de contágio, crise econômica… São muitas as variáveis com as quais temos que lidar e, por isso, há um fator que não podemos e não devemos negligenciar: proteger a nossa saúde mental.

Da perspectiva da psicologia, estamos observado fenômenos e comportamentos que nos preocupam. Por um lado, somos sensíveis a todas as pessoas que, muito antes da pandemia, já estavam passando por uma realidade cotidiana complexa (depressão, fobias, vícios, ansiedade generalizada, distúrbios alimentares…). Entretanto, esses transtornos podem se intensificar no contexto atual.

É necessário ter isso mente, dar atenção a esses problemas, fornecer mecanismos de assistência e intervenção remotamente. Por outro lado, e não menos importante, estamos preocupados com os comportamentos de pânico, as compras compulsivas e os efeitos que o confinamento forçado pode provocar. Não sabemos quanto tempo essa situação pode durar e, portanto, é essencial estar preparado, capacitando-nos com estratégias psicológicas adequadas.

Apesar de toda a complexidade atual e do peso da incerteza, há um fato inegável. O ser humano é capaz de grandes coisas. Somos seres muito hábeis quando se trata de enfrentar pequenos e grandes desafios. Agindo com calma, apoiando uns aos outros e criando alianças e compromissos globais adequados, vamos resolver essa situação com sucesso.

Médico no combate ao novo coronavírus

Proteger nossa saúde mental diante do coronavírus: como podemos fazer isso?

O doutor Irvin David Yalom é professor de psiquiatria na Universidade de Stanford, além de psicoterapeuta. Em seu livro Existential Psychology, ele nos explica que, de maneira coletiva, o ser humano teme basicamente quatro coisas.

A primeira é perder o controle sobre a sua realidade, a segunda é o medo de ficar sozinho, a terceira é duvidar de si mesmo e de seus propósitos, e a quarta e última é o medo da morte.

De alguma forma, a presença do COVID-19 está gerando todas essas sensações. Temos a convicção de que estamos perdendo o controle sobre a nossa realidade: o ritmo de vida mudou e somos incentivados a não sair de casa. Naturalmente, isso gera um sentimento de isolamento e solidão.

Pouco a pouco, se a situação se prolongar, a mente poderá começar a se perguntar qual é o sentido disso e da nossa vida.

Tudo isso pode testar nosso psicológico e precisamos estar preparados. Vamos deixar isso bem claro: proteger nossa saúde mental é tão importante quanto lidar com o vírus. É essencial considerar essas dimensões.

Dominar o medo para não paralisar, a primeira prioridade

Para proteger nossa saúde mental diante do coronavírus, existe um primeiro cavalo de batalha: controlar o medo. Não se trata de acabar completamente com o medo, isso é impossível e ilógico. Enquanto emoção, ele desempenha sua função.

Trata-se apenas de racionalizá-lo, impedir que se torne catastrófico e nos leve a comportamentos de pânico.

Como lidar com o medo?

  • Controle as informações que você vê e lê. Evite ficar 24 horas por dia recebendo imagens e dados. A questão é estar atualizado, consultar fontes confiáveis ​​e continuar com nossas vidas.
  • Use as redes sociais com moderação. Silenciar as notificações por algumas horas é saudável para evitar a sobrecarga de informações (o excesso de informações alimenta o medo e o pânico).
  • Sentir medo de ser infectado é normal e até necessário (mas sempre dentro de um limite). O motivo? O medo nos incentiva a realizar comportamentos de proteção: lavar as mãos, seguir o isolamento, manter a distância entre as pessoas… Devemos realizar comportamentos que sejam racionais e que nos ajudem a proteger a nós mesmos e aos outros.
  • Compartilhe suas emoções e preocupações com pessoas próximas. Converse por telefone com familiares e amigos para tentar fazer o pânico diminuir e desaparecer.
Cérebro e coração: proteger nossa saúde mental

Acalme seu corpo para acalmar sua mente

O corpo é um sensor do medo, um mapa no qual as emoções são somatizadas, um invólucro onde toda a preocupação é transformada em dor, tensão e exaustão.

Para proteger sua saúde mental diante do coronavírus, você também deve cuidar do seu corpo, proporcionando calma, equilíbrio e bem-estar.

Como eu posso cuidar do meu corpo para acalmar minha mente?

Uma das primeiras coisas que negligenciamos em situações estressantes é o autocuidado. Na situação atual, é prioritário seguir estas recomendações:

  • Alimentação variada e equilibrada.
  • Ficar bem hidratado.
  • Dormir oito horas por dia.
  • Fazer exercício em casa (você pode subir escadas, fazer flexões, dançar…)
  • Meditação e yoga são ideais para esse tipo de situação.
  • Exercícios como o relaxamento progressivo de Jacobson são excelentes no contexto atual.

Nutrição emocional, o apoio conjunto como o segredo para proteger nossa saúde mental

Nós não sabemos quanto tempo vai durar a batalha contra o COVID-19. Assim, diante de uma situação desse tipo, precisamos aprender a ficar em casa, viver juntos, tolerar frustrações, administrar a incerteza. Na verdade, cada um de nós terá que procurar estratégias de gerenciamento cotidiano para aliviar e lidar com essas dimensões.

No entanto, existe uma ferramenta que sempre ajuda, que sempre nos fortalece: e não é outra senão a nutrição emocional. Em que consiste essa área?

Como trabalhar com a nutrição emocional

Para proteger nossa saúde mental, precisamos do apoio de pessoas próximas. Devemos ser agentes ativos entre nós, favorecendo uma série de comportamentos e atitudes:

  • Devemos oferecer esperança, apoio e positividade para aqueles que sentem medo ou pensam negativamente.
  • Todos nós estamos passando pela mesma coisa: devemos ficar próximos uns dos outros para viver melhor juntos. Devemos dar o melhor de nós mesmos.
  • É hora de estar presente, mesmo à distância. Vamos ligar, enviar mensagens, nos preocupar ativamente com as pessoas ao nosso redor, com as pessoas que amamos e também com aquelas que são conhecidas, vizinhas… Devemos criar redes de apoio entre nós.
Mão segurando um coração

Para concluir, a saúde mental é um pilar que deve receber atenção no contexto atual. Não devemos nos descuidar daqueles que já sofriam antes da chegada do COVID-19. Devemos atender às nossas necessidades e não podemos hesitar em pedir ajuda especializada se for necessário.

Muitos profissionais continuam trabalhando remotamente e podem nos fornecer sessões de terapia para que consigamos passar por essa crise com mais integridade e ferramentas.

Devemos nos proteger, cuidar de nós mesmos e ser capazes de criar um cenário de afeto onde não sobre espaço para o vírus do pânico ou da solidão.

  • Yalom, I. (1980). Existential psychotherapy. New York, NY: Basic Books.