Psicologia aplicada: você sabe o que é e para que serve?

O que é a psicologia aplicada?

novembro 9, 2017 em Psicologia 1 Compartilhados
O que é a psicologia aplicada?

A psicologia pode ser concebida como uma grande árvore com ramos infinitos que tentam entender o comportamento humano. Dessa forma, entre todo esse conjunto de galhos e folhas, existe um que é particularmente útil e diferenciado: falamos da psicologia aplicada, que tenta dar soluções concretas aos problemas que ocorrem na nossa vida cotidiana.

É possível que nossos leitores se sintam um pouco surpresos. Não é isso que a psicologia sempre fez? Essa ciência não está focada desde o início em ajudar, responder e apoiar as necessidades mais comuns e complexas do ser humano? Podemos dizer que, surpreendentemente, a resposta é não, nem sempre foi assim.

“A inteligência consiste não só no conhecimento, mas também na capacidade de aplicar os conhecimentos na prática”.
– Aristóteles –

Na sua origem, a psicologia estava mais focada na coleta de informações e no controle de processos psicológicos como a atenção, a memória, a aprendizagem ou linguagem… Toda essa área apaixonante, imensa e sempre em constante expansão configura o que é conhecido como “psicologia básica”.

No final do século XIX e início do século XX, graças ao psicólogo germano-americano Hugo Münsterberg, ocorreu um novo salto na história da psicologia. Esta ciência muito ampla foi finalmente orientada para a busca de soluções práticas e reais para o ser humano, usando todo o conhecimento gerado pela psicologia básica para transformar os nossos cenários, para melhorar a aprendizagem, o bem-estar e a saúde das pessoas. Como podemos ver, é quase impossível conceber as duas áreas separadamente. A psicologia básica e a psicologia aplicada são dois ramos fundamentais da mesma árvore. Uma árvore espetacular que nunca deixará de crescer para melhorar os nossos ambientes e a nossa qualidade de vida.

Hugo Münsterberg

Hugo Münsterberg: um homem objetivo que estabeleceu os alicerces da psicologia aplicada

Os biógrafos de Hugo Münsterberg diziam que ele costumava ler Kant e que tinha um bom relacionamento com William James depois que ele se propôs a trabalhar no seu laboratório de psicologia na Universidade de Harvard. Mas as coisas entre eles não acabaram bem. Dizem que William James tinha interesse em investigar os chamados fenômenos paranormais, algo que o discípulo de Wilhelm Wundt não podia conceber e aceitar por ser um amante do objetivo e, em essência, do que é prático.

Münsterberg catalogava tudo o que fugia do lógico e tangível como a “psicologia do abracadabra”. Talvez por esse motivo, e sabendo que seu principal interesse era aumentar a produtividade nas empresas, ele sempre sentiu alguma tensão com os colegas acadêmicos que entendiam a psicologia desde o laboratório, do ponto de vista da observação e experimentação, a fim de publicar um artigo e talvez derrubar alguma teoria preconcebida por outros colegas.

Hugo Münsterberg estabeleceu as bases da psicologia aplicada com um objetivo muito específico: queria melhorar as habilidades dos trabalhadores no contexto em que a indústria e o taylorismo já exigiam novos perfis, pessoas mais aptas e treinadas para um ambiente de trabalho mais complexo.

As engrenagens da psicologia aplicada

Apesar de Münsterberg ter morrido com pouco mais de 50 anos, a sua contribuição no campo da psicologia aplicada foi decisiva e imensa. Estabeleceu a origem da psicologia industrial, desenvolveu múltiplos testes sobre as habilidades profissionais e até lançou as bases da psicologia jurídica quando criou uma escala para avaliar a confiabilidade dos depoimentos.

Os diferentes aspectos da psicologia aplicada

Nós dissemos no início que uma grande parte das ferramentas e do conhecimento que a psicologia aplicada utiliza provém diretamente da psicologia básica. No entanto, podemos dizer que, como sempre acontece quando realizamos qualquer trabalho prático, a aplicação e o desenvolvimento de um trabalho acabam gerando novos conhecimentos, novos dados e conceitos. Portanto, não é difícil entender que, muitas vezes, a psicologia aplicada pode obter alguma independência da psicologia básica.

Dessa forma, também entendemos que a psicologia aplicada pode ter infinitos campos de ação, áreas que abrangem muitos dos nossos contextos mais cotidianos e onde, graças à sua utilização, podemos encontrar soluções, aprimorar habilidades, melhorar processos, inovar…  Neste artigo, citaremos alguns exemplos.

“Aquela teoria que não encontra aplicação prática na vida é uma acrobacia do pensamento”.
– Sami Vivekananda –

O que é a psicologia aplicada?

  • Psicologia da saúde. Embora esta área tenha alguns pontos em comum com a psicologia clínica, pode-se dizer que são duas disciplinas diferentes. A psicologia da saúde analisa a relação entre comportamento e os distúrbios físicos; busca prevenir e tratar diferentes doenças.
  • Psicologia clínica. Concentra seu campo de trabalho na prevenção e no tratamento de comportamentos disfuncionais para melhorar a nossa qualidade de vida e nosso bem-estar mental.
  • Psicologia esportiva. Procura potencializar o desempenho dos atletas, reduzindo por exemplo a ansiedade e melhorando o trabalho em grupo das equipes esportivas.
  • Psicologia organizacional. Juntamente com a psicologia clínica, é um dos aspectos mais conhecidos da psicologia aplicada. Neste caso, a finalidade é melhorar o ambiente de trabalho, resolver problemas, formar, treinar, aprimorar habilidades, gerenciar os recursos humanos de qualquer organização…
  • Psicologia educacional. Estamos diante de outra área muito importante, que utiliza os seus recursos para melhorar o aprendizado e as metodologias, para entender como os alunos aprendem e dotá-los de melhores recursos e mecanismos no seu dia a dia.
  • Psicologia Ambiental. Neste caso, temos uma área tão essencial quanto interessante: entender como as pessoas se relacionam com o ambiente e como o próprio ambiente pode afetar o nosso comportamento.
  • Psicologia forense. O trabalho do profissional não se limita à investigação de crimes ou a qualquer ato criminoso. Também são analisados a validade dos depoimentos, os conflitos sobre a custódia, a atenção às vítimas, etc.
  • Psicologia da publicidade. Todos nós sabemos que a publicidade é parte integrante da economia de consumo. Compreender o que leva o comprador a escolher certos produtos, saber quais são os processos inconscientes que regulam os seus desejos e necessidades, são aspectos fundamentais para essa interessante área da psicologia.

Cada campo de ação dá origem a um perfil diferenciado no exercício da profissão. São vertentes da psicologia aplicada que são parte da nossa sociedade, onde, sem dúvida, existem muitos outros campos para detalhar, como a psicologia de emergência, psicologia do tráfego, do envelhecimento, etc. São apenas pequenos exemplos que nos permitem entender os múltiplos cenários em que a psicologia pode ser valiosa, onde bons profissionais sempre tentarão responder a todas as necessidades, a todos os problemas.

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